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A semana no mundo: confira os destaques internacionais

Macron anuncia €23 bilhões para a África em cúpula no Quênia

O presidente da França, Emmanuel Macron, anunciou um pacote de 23 bilhões de euros em investimentos para a África durante a cúpula Africa Forward, realizada em Nairóbi, no Quênia. Segundo o líder francês, os recursos serão direcionados à transição energética, ao setor digital e de inteligência artificial, à economia marítima e à agricultura, com a previsão de gerar 250 mil empregos diretos na África e na França.

Do total, 14 bilhões de euros virão de fundos públicos e privados franceses, enquanto 9 bilhões de euros devem ser aportados por investidores africanos. Ao apresentar a proposta, Macron defendeu uma relação econômica mais equilibrada entre França e países africanos, afirmando que o vínculo deve ser “livre de complexos” e baseado em investimentos de mão dupla.

A reportagem do France 24/7 destaca que a cúpula foi organizada em um momento em que a França tenta renovar sua presença no continente após anos de desgaste político, especialmente em suas antigas colônias. No evento, Macron também defendeu o multilateralismo, o livre comércio e a devolução de obras africanas saqueadas no período colonial, cujo retorno ganhou novo impulso após a aprovação de uma lei no Parlamento francês.

OMS e Espanha mantêm avaliação de baixo risco após surto de hantavírus no cruzeiro MV Hondius

Mensagem do Diretor-Geral da OMS, Dr. Tedros, ao presidente do Conselho Europeu, António Costa, pelo “apoio e parceria” na resposta aos casos do antavírus.

As atualizações oficiais da Organização Mundial da Saúde (OMS) e do governo da Espanha indicam que o surto de hantavírus a bordo do cruzeiro MV Hondius foi tratado como um evento grave, mas com baixo risco para a população em geral. Em informe publicado em 8 de maio, a OMS registrou oito casos, dos quais seis confirmados para o vírus Andes, além de três mortes; para o organismo, o risco global seguia baixo, embora moderado para passageiros e tripulantes do navio.

O caso começou a ser monitorado internacionalmente em 2 de maio, quando a OMS foi notificada sobre um grupo de passageiros com doença respiratória grave a bordo da embarcação, de bandeira holandesa. Segundo a reconstrução oficial, o navio havia partido de Ushuaia, na Argentina, em 1º de abril, com escalas em áreas remotas do Atlântico Sul e da Antártida. A hipótese de trabalho da OMS é que o primeiro caso tenha sido infectado antes do embarque, provavelmente por exposição ambiental durante atividades na Argentina, e que depois possa ter havido transmissão limitada entre pessoas dentro do navio, algo raro, mas possível no caso do vírus Andes. 

Diante da situação, a OMS articulou uma resposta multinacional com os países ao longo da rota do cruzeiro e solicitou apoio à Espanha para receber a embarcação em Tenerife, por ser o porto mais próximo, com capacidade adequada de assistência e logística. Em mensagem dirigida à população da ilha, o diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, afirmou que o episódio “não é outra covid” e reiterou que o risco para os moradores era baixo. Segundo a entidade, os passageiros seriam levados ao porto industrial de Granadilla, longe de áreas residenciais, e repatriados sem contato com a população local. 

O Ministério da Saúde da Espanha informou que os casos sintomáticos foram retirados antes da chegada às Canárias e que o desembarque dos demais ocorreu em conformidade com um protocolo sanitário específico. O governo espanhol também aprovou medidas de quarentena e vigilância ativa para os monitorados em seu território, reforçando que a transmissão interpessoal do hantavírus andino é incomum e exige contato próximo e prolongado. 

O resgate dos passageiros provocou uma onda de solidariedade entre os líderes europeus, que usaram o X para trocar mensagens de cooperação e fraternidade.

Erupção no Monte Dukono reacende alerta sobre turismo em vulcões na Indonésia

A morte de três trilheiros — dois de Singapura e um da Indonésia — durante uma erupção no Monte Dukono, na ilha de Halmahera, voltou a expor os riscos do turismo de aventura em áreas vulcânicas ativas no arquipélago indonésio. Segundo a BBC, o grupo de 20 pessoas havia alcançado a região do cume quando o vulcão entrou em erupção; autoridades locais afirmam que, desde 17 de abril, já havia proibição de subida e restrição de acesso em um raio de quatro quilômetros da cratera.

O episódio também abriu uma investigação sobre possível negligência de operadores turísticos e organizadores da expedição. Ainda de acordo com a BBC, o Dukono entrou em erupção mais de 200 vezes desde o fim de março, e, após o acidente, todas as entradas da montanha foram fechadas permanentemente pelas autoridades.

O caso lembra a morte da brasileira Juliana Marins, que caiu de um penhasco na trilha junto à cratera do Monte Rinjani, na ilha de Lombok. O trabalho de buscas foi dificultado por condições adversas de meteorologia, solo e visibilidade. Em comum, ambos os casos reforçam o desafio de conciliar turismo extremo, monitoramento de riscos e capacidade de resposta em áreas remotas e instáveis da Indonésia.