
A assinatura do Acordo de Parceria entre o Mercosul e a União Europeia já tem data marcada: 17 de janeiro, no Paraguai. O anúncio, feito pelo Ministério das Relações Exteriores da Argentina, ocorre após a aprovação do tratado por ampla maioria dos Estados-membros da União Europeia, consolidando um dos maiores avanços recentes do multilateralismo em um cenário internacional marcado por protecionismo e tensões geopolíticas.
O acordo criará a maior zona de livre comércio do mundo, reunindo os dois blocos econômicos e abrindo um novo ciclo de integração internacional com impactos diretos sobre comércio, investimentos, desenvolvimento industrial e sustentabilidade.
Assinatura destrava etapa histórica do acordo
A decisão europeia autoriza formalmente a assinatura do texto negociado ao longo de mais de duas décadas. Segundo o governo argentino, a cerimônia ocorrerá no dia 17 de janeiro, reunindo os países do Mercosul e representantes da União Europeia, encerrando uma das negociações comerciais mais longas da história recente.
Leia também: Países da UE aprovam acordo com Mercosul por maioria qualificada
Mais cedo, os embaixadores dos 27 países da União Europeia já haviam sinalizado apoio provisório ao acordo, posteriormente confirmado por votação com maioria qualificada no Conselho Europeu. Embora o tratado ainda precise ser ratificado pelo Parlamento Europeu para entrar plenamente em vigor, a aprovação atual foi decisiva para destravar a assinatura política do compromisso.
Lula celebra avanço e reforça defesa do multilateralismo
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) classificou a aprovação do acordo como “dia histórico para o multilateralismo”, ao destacar que o entendimento representa uma resposta concreta ao avanço do unilateralismo e do protecionismo no comércio internacional.
Dia histórico para o multilateralismo. Após 25 anos de negociação, foi aprovado o Acordo entre Mercosul-União Europeia, um dos maiores tratados de livre comércio do mundo. A decisão chancelada pelo lado europeu une dois blocos que, juntos, somam 718 milhões de pessoas e um PIB de…
— Lula (@LulaOficial) January 9, 2026
Segundo o presidente, o acordo amplia alternativas para as exportações brasileiras, estimula investimentos produtivos e reafirma o papel do Brasil como defensor do diálogo, da cooperação internacional e de regras multilaterais baseadas na previsibilidade e na negociação.
Impactos para a economia brasileira e a indústria
Para o Brasil, maior economia do Mercosul, o acordo amplia o acesso a um mercado de cerca de 451 milhões de consumidores europeus e vai além do agronegócio, alcançando setores estratégicos da indústria nacional. O vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, celebrou a aprovação e destacou o alcance do tratado para o setor produtivo brasileiro.
“Depois de mais de 30 anos de negociações, assinaremos em 17 de janeiro, no Paraguai, um acordo histórico e o mais ambicioso entre ambos os blocos”, afirmou o chanceler argentino Pablo Quirno, em comunicado oficial.
Alckmin também ressaltou que cerca de 30% dos exportadores brasileiros já mantêm relações comerciais com países da União Europeia, o que corresponde a aproximadamente 9 mil empresas. “Este acordo fortalece o multilateralismo, o comércio com regras, promove investimentos, fortalece a sustentabilidade, porque o Brasil assume compromisso de combate às mudanças climáticas. É ganha-ganha. Produtos mais baratos e de melhor qualidade”, disse.
Resistências na Europa e disputa política interna
Apesar da ampla aprovação, o acordo segue enfrentando resistência de setores agrícolas europeus, especialmente na França e na Irlanda, onde produtores rurais temem a concorrência com produtos sul-americanos. França, Irlanda, Hungria e Polônia votaram contra o tratado, enquanto a Bélgica se absteve.
Na França, o governo de Emmanuel Macron foi pressionado por agricultores e por forças políticas tanto da extrema-direita quanto da esquerda radical. Ainda assim, a mudança de posição da Itália — que passou a apoiar o acordo após negociações sobre salvaguardas ao setor agrícola — foi decisiva para garantir a maioria qualificada necessária no Conselho Europeu.
Desenvolvimento, sustentabilidade e integração regional
Além da redução gradual de tarifas, o acordo estabelece regras comuns para comércio de bens industriais e agrícolas, investimentos e padrões regulatórios. Também incorpora compromissos ambientais e sociais, conciliando ampliação do intercâmbio econômico com preservação ambiental e desenvolvimento sustentável.
Para o governo brasileiro, o entendimento fortalece a integração do país às cadeias globais de valor, estimula a modernização do parque industrial e consolida o Mercosul como um ator relevante na reorganização do comércio internacional, em contraponto a políticas isolacionistas.
__
com agências
O post Acordo Mercosul-UE avança e Lula celebra vitória do multilateralismo apareceu primeiro em Vermelho.