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Dani Balbi denuncia ofensiva da extrema direita contra trabalhadores

O voto de um trabalhador não pode custar seu emprego. Mas, após a vitória de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nas eleições de 2026, parlamentares da extrema direita acharam por bem incentivar patrões a demitir funcionários por sua posição política. Para enfrentar essa ofensiva, a deputada estadual Dani Balbi (PCdoB-RJ), presidente da Comissão de Trabalho da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), criou uma central de denúncias para acolher trabalhadores ameaçados, constrangidos ou perseguidos por suas escolhas políticas.

A iniciativa surge em meio a um cenário preocupante. Até segunda-feira (26), o Ministério Público do Trabalho (MPT) havia recebido 1.937 denúncias de assédio eleitoral em todo o país, 946 delas registradas entre os dois turnos. Os números mostram que a pressão sobre trabalhadores não se encerrou com a votação. Ao contrário: manifestações públicas que defendem a demissão de eleitores de Lula expõem a disposição de transformar a derrota eleitoral em retaliação no mundo do trabalho.

Para Dani, o episódio não pode ser reduzido à intolerância política de alguns empregadores. A deputada aponta uma conexão entre a perseguição aos trabalhadores e o projeto econômico defendido pela direita e pela extrema direita: enfraquecer direitos, ampliar o poder patronal e impor à classe trabalhadora condições cada vez mais precárias.

“Deputados da direita, especialmente da extrema direita, são representantes do patronato, são representantes de um programa que prevê desregulamentação do ambiente de trabalho, uma brutal interferência do capital sobre o trabalho e sobre as conquistas dos trabalhadores e das trabalhadoras”, afirma.

Extrema direita transforma voto em ameaça ao emprego

A reação de Dani ocorre após publicações de parlamentares eleitas que incentivaram a perseguição política no ambiente profissional. No Paraná, a vereadora de Londrina Jessica Ramos Moreno, conhecida como Jessicão (PL), eleita deputada estadual, publicou uma mensagem pedindo que empregadores demitissem funcionários petistas. Também recomendou que eleitores rompessem relações com prestadores de serviços e amigos que votaram em Lula.

No Rio de Janeiro, a deputada estadual eleita Índia Armelau (PL) compartilhou mensagens que incentivavam empresários a demitir funcionários que demonstrassem apoio ao presidente. As manifestações colocam em evidência uma tentativa de usar o poder econômico para punir escolhas políticas e intimidar quem depende do salário para sobreviver.

A gravidade está justamente nessa relação desigual: enquanto o patrão controla a contratação e a demissão, o trabalhador pode ficar diante da escolha entre exercer sua cidadania e preservar a renda que sustenta sua família. A legislação proíbe a discriminação nas relações de trabalho, e a demissão motivada pela orientação política pode gerar responsabilização judicial.

Dani chama atenção para a contradição de parlamentares eleitos sob as regras democráticas estimularem práticas que ameaçam a liberdade política. Para ela, a ofensiva também expõe uma agenda que setores da extrema direita evitam apresentar abertamente quando disputam votos, mas que se manifesta quando está em jogo o poder sobre os trabalhadores.

A deputada cita as propostas de desregulamentação trabalhista e as disputas sobre jornada e remuneração como parte desse projeto. Na avaliação dela, o objetivo é reduzir a proteção de quem trabalha e aumentar a margem de controle dos empregadores.

“Eles precisam avançar sobre o trabalho para garantir a extração da mais-valia. Esse cálculo, essa lógica, não mudou”, afirma.

A perseguição pelo voto, nessa perspectiva, não é um desvio isolado: revela até onde pode chegar uma concepção de sociedade em que os interesses patronais se sobrepõem aos direitos da classe trabalhadora. Quando o empregador se considera autorizado a interferir na escolha eleitoral de seus funcionários, o poder econômico passa a ameaçar também a autonomia política.

“Caridade paga sempre com subserviência”

A crítica de Dani vai além da demissão discriminatória. A deputada identifica por trás desse comportamento uma visão segundo a qual o patrão estaria fazendo um favor ao contratar alguém e, por isso, teria legitimidade para exigir obediência que ultrapassa as obrigações profissionais.

“Tem uma certa ideia de que o patrão promove caridade ao empregar o seu trabalhador. O que eles querem para o trabalhador é a caridade paga sempre com subserviência, e não justiça social”, critica.

Dani Balbi abre canal para denunciar perseguição

Como presidente da Comissão de Trabalho da Alerj, Dani criou um canal para receber relatos de ameaças, constrangimentos e retaliações políticas no ambiente profissional. O gabinete fará o acolhimento das denúncias e os encaminhamentos aos órgãos competentes.

O assédio eleitoral ocorre quando alguém usa uma posição de poder para pressionar ou constranger trabalhadores a votar, deixar de votar ou apoiar determinado candidato. A prática pode envolver ameaças de demissão, intimidação e outras formas de coação. A demissão motivada por discriminação política pode ser contestada na Justiça do Trabalho; a caracterização de crime depende do enquadramento da conduta na legislação aplicável.

Trabalhadores que enfrentam esse tipo de situação podem denunciar pelo telefone (21) 96432-0325 ou pelo e-mail pfelipeto@alerj.rj.gov.br. Também é possível procurar o Ministério Público do Trabalho e os demais órgãos competentes.

Ao lançar a central, Dani busca transformar a denúncia política em instrumento de proteção para quem está na linha de frente dessa desigualdade.

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