
O presidente em exercício, Geraldo Alckmin (PSB), abriu nesta segunda-feira (13) a reunião preparatória da COP30, em Brasília, com um chamado à comunidade internacional para que apresente metas mais ousadas de combate à crise climática. O encontro, conhecido como Pré-COP, reúne ministros e negociadores de mais de 60 países a poucas semanas da conferência em Belém (PA).
Alckmin destacou que o Brasil busca liderar pelo exemplo, citando o programa Mover, que incentiva a mobilidade verde e a produção de veículos sustentáveis. “Queremos continuar liderando como exemplo. Criamos o programa Mover, mobilidade verde, estimulando as empresas para inovação e sustentabilidade. No carro sustentável, estabelecemos uma meta, exigindo 80% de reciclabilidade e, no máximo, 83 gramas de CO² por quilômetro rodado”, afirmou.
O presidente em exercício defendeu ainda que o país é prova de que a transição energética é viável e rentável, já que 80% da energia elétrica brasileira provém de fontes renováveis, contra 30% da média mundial. “Hajamos de tal maneira a incluir em todas as decisões presentes: políticas, econômicas, industriais, ambientais, a preservação e o aperfeiçoamento das condições de vida no planeta, a proteção da biodiversidade e a justiça intergeracional”, disse. “Garantir que o progresso, seja ele científico, econômico ou tecnológico, nunca aconteça às custas do clima, da natureza ou da dignidade humana. É com esse olhar que o brasil chega à COP”, concluiu Alckmin.
“COP da implementação”
A ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, defendeu que a conferência em Belém seja marcada pela execução de acordos já firmados, como o Acordo de Paris. Para ela, é preciso resgatar a confiança no multilateralismo climático.
“Que o Balanço Ético Global e os demais círculos de mobilização da COP30 possam contribuir para que ela ajude a viabilizar um novo marco referencial […] A COP30 será um lastro para novos caminhos e novas maneiras de caminhar”, afirmou Marina.
Economia verde em foco
O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, reforçou a pauta financeira, destacando três iniciativas: o Fundo Florestas Tropicais para Sempre, a integração dos mercados de carbono e a chamada “supertaxonomia”. “Essas iniciativas traduzem de forma prática o que o círculo tem defendido, quais sejam, cooperação, inovação e a escala para transformar ambição em resultados concretos”, disse.
Desafios diplomáticos
O presidente da COP30, embaixador André Corrêa do Lago, lembrou que apenas metade dos países apresentou suas novas metas climáticas (NDCs) a um mês da conferência. “Estamos frustrados, sim, o que dificulta o cálculo do relatório síntese. Mas nos últimos números, temos 62 NDCs formalmente apresentadas e a ONU tem expectativa de 125 até a COP30. É muito importante que alguns dos países-chaves, com parcela significativa das emissões, apresentem suas NDCs”, declarou.
A Pré-COP, que acontece entre 13 e 14 de outubro em Brasília, serve como ensaio diplomático para a cúpula de Belém. Mais de 500 representantes participam do encontro, que discute o financiamento climático e a revisão de metas globais. Para o governo, o evento é estratégico para consolidar o Brasil como liderança confiável e mediador em um cenário internacional marcado pela fragmentação e pela disputa em torno da transição verde.
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com agências
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