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Alemanha e Itália dizem não ao “Conselho da Paz” de Trump para Gaza

A tentativa de Donald Trump de estabelecer o chamado “Conselho da Paz” sofreu um revés significativo com a recusa de Alemanha e Itália. O governo de Friedrich Merz fundamentou a rejeição em pareceres jurídicos que caracterizam o organismo como um “contraprojeto” à ONU. Para Berlim, a transferência de competências a um órgão sob domínio exclusivo de Washington, desprovido de salvaguardas multilaterais, afronta o ordenamento constitucional alemão. A chancelaria reiterou que não aceitará o desequilíbrio em relação ao sistema estabelecido pela Carta das Nações Unidas.

Na mesma linha, a primeira-ministra italiana Giorgia Meloni — que compartilha afinidades ideológicas com Trump — barrou a adesão imediata da Itália. Meloni citou “riscos legais” e incompatibilidades com a Constituição do país, evidenciando que o grau de influência concentrado nos EUA e a falta de alinhamento com a União Europeia são obstáculos intransponíveis para um Estado soberano.

Um fórum de adesões isoladas e rupturas diplomáticas

O conselho que evidencia uma tentativa de governança unilateral dos Estados Unidos tem recebido o apoio de países com forte alinhamento conjuntural com Washington, como Argentina, Arábia Saudita, Catar, Egito, Hungria, Indonésia, Israel, Jordânia, Marrocos, Paquistão, Paraguai, Turquia, Emirados Árabes Unidos e Uzbequistão. A ausência de nações como França, Reino Unido e China reforça o isolamento da proposta. O caráter autoritário da gestão do conselho ficou nítido no episódio com o Canadá, em que após Ottawa demonstrar interesse, Trump revogou o convite unilateralmente via redes sociais, rompendo a liturgia diplomática e expondo os canadenses a um constrangimento público. O que reforça as críticas sobre a falta de seriedade multilateral do fórum.

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Brasil e Sul Global articulam resistência em defesa da ONU

Diante da pressão de Washington, o Brasil tem liderado uma articulação estratégica com outras nações do Sul Global. Segundo fontes do Itamaraty, o governo brasileiro mantém tratativas com parceiros do grupo para evitar qualquer adesão de “bate-pronto”. A orientação é de cautela e resistência coletiva, sob o entendimento de que validar um fórum paralelo e desigual esvaziaria o poder de negociação desses países nas instâncias das Nações Unidas. Para a diplomacia brasileira, fortalecer mecanismos que nascem em confronto direto com a ONU comprometeria a histórica bandeira do multilateralismo e a luta por uma governança global mais democrática e menos centrada nos interesses da Casa Branca. Na última sexta-feira (23), durante encontro do MST, o presidente Lula alertou que [Trump] “quer criar sozinho uma nova ONU, como se ele fosse a própria ONU”.

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