Pelo menos 60 palestinos detidos pelas forças israelenses retornaram à Faixa de Gaza nesta segunda-feira (27/07). Eles foram transportados de volta para casa, pelo Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICV) e atendidos no Complexo Médico Nasser, em Khan Younis.
Segundo reportagem da Al Jazeera, eles chegaram debilitados e feridos, muitos sem conseguir andar. O número de palestinos soltos é o maior desde a primeira fase do cessar-fogo, que entrou em vigor em outubro. Eles fazem parte de um contingente de 1.300 pessoas que se encontram presas sob a classificação de “combatentes ilegais”, segundo a organização israelense de direitos humanos HaMoked.
Vários relataram à Anadolu, terem sofrido espancamentos, ferimentos e condições degradantes durante a detenção. Abdullah Kilani afirmou ter sido capturado em dezembro de 2024, na rua Salah al-Din, no centro de Gaza, e permanecido detido por mais de 18 meses. Segundo ele, durante esse período, ele e outro prisioneiro foram baleados. “As condições eram extremamente duras. Ainda não acredito que estou livre”, afirmou.
Já Abu Ibrahim, contou à agência, que os detidos eram obrigados a permanecer sentados sobre superfícies de concreto ou ferro. Ele disse ter sido ferido após ser espancado por guardas com coronhas de rifles. “Não havia distinção entre jovens e idosos”, declarou. Outro liberto, Mohammed Jabr al-Majdalawi, advertiu que “os prisioneiros que permanecem encarcerados ainda correm perigo”, instando os organismos internacionais a agirem.
A reportagem destaca que organizações palestinas e israelenses de direitos humanos vêm documentando diversas denúncias de torturas, negligência médica, privação de alimentos e mortes sob custódia israelense. Ao todo, cerca de 9.600 palestinos de Gaza estão detidos.
Ataques continuam na região
Nas últimas 24 horas, pelo menos três palestinos foram mortos e 14 ficaram feridos em ataques israelenses contra Gaza, afirmou o Ministério da Saúde, em Gaza. Também foram registrados, nesta terça-feira (28/07), dois palestinos feridos, após uma ação israelenses no leste de Deir el-Balah, no centro da Faixa.

Agência Wafa
Os ataques ocorrem em meio a relatos de moradores do avanço, nos últimos dez dias, das forças israelenses para além dos marcadores da chamada “Linha Amarela” em diferentes pontos do território palestino. Além de Deir el-Balah, incursões foram registradas em Khan Younis e Rafah, no sul; e nos bairros de Zeitoun, Tuffah e Shujayea, na Cidade de Gaza, nos últimos dias.
Quase toda a população palestina, de aproximadamente 2,3 milhões de habitantes, vive concentrada em uma estreita faixa costeira, em prédios danificados ou abrigos improvisados. Desde o cessar-fogo, em outubro de 2025, ao menos 1.207 pessoas foram mortas e 3.914 feridas.
Plataforma disponibiliza registros
Em meio à continuidade dos ataques, um amplo arquivo digital reúne milhares de vídeos, fotografias e outros registros documentais sobre a destruição na Faixa de Gaza e na Cisjordânia.
O Archive Genocide foi criado com o objetivo de preservar evidências relacionadas a alegados crimes de guerra e outras violações do direito internacional, evitando que registros produzidos ao longo do conflito sejam perdidos ou deixem de estar disponíveis publicamente.
A plataforma organiza o material de forma pesquisável e permite consultar os registros por diferentes categorias. Os incidentes também podem ser localizados em um mapa, facilitando a identificação geográfica dos acontecimentos documentados.
Os arquivos disponíveis podem ser baixados e continuam sendo atualizados à medida que novos registros são incorporados. Ele pode ser consultado no site principal do Archive Genocide, e conta com dois endereços alternativos de acesso: archivegenocide.is e archivegenocide.org.
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