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Luciana exalta Inpe, soberania tecnológica e dados contra negacionismo

Em cerimônia marcada pelo simbolismo político e científico, o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) celebrou seus 65 anos em São José dos Campos (SP), com a presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, da primeira-dama Janja, do vice-presidente Geraldo Alckmin e do ministro do Meio Ambiente, João Paulo Capobianco. O evento, no entanto, transcendou o caráter festivo: serviu como palco para a ministra da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), Luciana Santos, reafirmar a ciência como pilar de soberania nacional e como principal antídoto contra o negacionismo ambiental no Brasil.

Ao apresentar os dados do sistema DETER referentes a julho de 2026, a ministra destacou a trajetória de redução do desmatamento e o retorno da transparência estatal, contrastando o atual governo com os anos recentes de obscurantismo e ataques à instituição

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Ciência como antídoto ao obscurantismo

A fala de Luciana Santos foi enfática ao defender a evidência científica como base inegociável para políticas públicas. “Aqui a gente não esconde números. Pode ser por bom ou por mal, a gente está aqui para enfrentar a situação como ela é”, afirmou a ministra.

Luciana revela uma estratégia clara do governo: utilizar a precisão do monitoramento por satélites não apenas para fiscalizar, mas para blindar o Brasil de críticas internacionais infundadas. A integração entre a inteligência do INPE e a ação de controle do Ibama foi citada como exemplo prático de um “pacto federativo” que envolve União, estados e municípios na proteção dos biomas.

07.08.2026 – Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, durante Visita ao Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais – INPE, em São José dos Campos – SP. Foto: Ricardo Stuckert

Constelação de satélites e “nuvem soberana”

Um dos pontos altos da análise tecnológica apresentada pela ministra foi o conceito de “constelação de satélites” que garante a autonomia do país no monitoramento de seu próprio território. A frota inclui o Amazônia-1, totalmente nacional, e os satélites CBERS-4 e 4A, frutos de uma parceria histórica de quase quatro décadas com a China.

Mais do que a captação de imagens, Luciana Santos destacou o processamento dessas informações. Ela apresentou o Brasil Data Cube, uma infraestrutura computacional descrita como uma “nuvem soberana”. “Desenvolvida aqui pela inteligência brasileira, baseada em tecnologias abertas e nacionais, garantindo transparência e autonomia”, explicou. A ministra fez questão de frisar que tanto a nuvem quanto os algoritmos de inteligência artificial aplicados no monitoramento são frutos de engenharia nacional, consolidando a soberania tecnológica como requisito para a soberania territorial.

Supercomputador Jaci e renovação de quadros

O evento também serviu para anunciar saltos de infraestrutura e de capital humano. Com aportes da FINEP (Financiadora de Estudos e Projetos) e do FNDCT (Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico), o INPE modernizou laboratórios e ampliou sua capacidade de supercomputação. A ministra apresentou o supercomputador “Jaci”, que supera em potência o antigo “Tupã”, brincando que “a mulher veio para superar” e aposentar o equipamento anterior.

No âmbito dos recursos humanos, a cerimônia celebrou o fim de um longo período de sucateamento. Após 12 anos sem recomposição de seus quadros, o instituto recebeu 150 novos servidores aprovados em concurso público. Para a gestão do MCTI, a renovação de talentos é a única garantia de que a excelência do INPE — responsável por produtos estratégicos como o Prodes e o DETER — perdurará pelas próximas décadas.

Ao encerrar seu discurso, Luciana Santos sintetizou o projeto de país em curso: “É a ciência e o meio ambiente de mãos dadas”. A mensagem deixada nos 65 anos do INPE é a de que a proteção da Amazônia e dos demais biomas brasileiros deixou de ser apenas uma pauta ecológica para se consolidar como uma questão de segurança nacional, inteligência de dados e desenvolvimento tecnológico autônomo.

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