
Os líderes dos partidos do chamado Centrão já tratam a situação jurídica de Jair Bolsonaro (PL) como irreversível. É dado como certo que o ex-presidente será condenado na ação penal do Supremo Tribunal Federal (STF) pela tentativa de golpe de Estado.
Na leitura deles, o ‘tarifaço’ de 50% imposto pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, aos produtos brasileiros, cuja articulação o deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP), o filho 03 de Bolsonaro, se gaba de ter promovido, aprofundou ainda mais essa situação.
A decisão do ministro do STF, Alexandre de Moraes, na última sexta-feira (18), quando determinou cautelares contra Bolsonaro como o uso de tornozeleira eletrônica e a proibição de acessar as redes sociais, foi considerada a pá de cal.
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O ex-presidente, por exemplo, cancelou uma coletiva que daria nesta segunda-feira (21) depois de reunião com alguns parlamentares do PL na Câmara. O motivo: Moraes também proibiu o ex-presidente de conceder entrevistas que possam ser “transmitidas por terceiros na rede social.”
De acordo com a apuração de O Globo, partidos como União Brasil, PP, além da ala do MDB próxima à direita, avaliam que posturas como a do deputado Eduardo Bolsonaro, que tem feito defesa das tarifas anunciadas por Trump, só atrapalham os planos eleitorais da direita.
Dessa forma, aumentou o movimento para que o ex-presidente “desista publicamente de se apresentar como candidato à Presidência em 2026, ainda que inelegível, e declare apoio a um nome como o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos).”
“Há um sentimento majoritário, entre dirigentes partidários que discutem com Bolsonaro uma candidatura de oposição a Lula, de que o ex-presidente errou ao insistir em se colocar como candidato. Segundo essa interpretação, ele deveria abrir mão da pretensão e se apresentar como fiador de um grupo unificado à direita”, diz a apuração.
“Com o enfraquecimento de sua posição política em decorrência da série de investigações, no entanto, representantes do Centrão se veem com mais capacidade de ditar os rumos do debate, o que pode beneficiar o governador de São Paulo”, completa.
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