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Atirador que mirou Trump em jantar vai à tribunal federal, nesta segunda

Cole Thomas Allen, o homem de 31 anos suspeito de atirar perto do Jantar dos Correspondentes da Casa Branca com Donald Trump na noite de sábado, será apresentado hoje (27) a um tribunal federal em Washington. Allen responderá por uso de arma de fogo durante um crime violento e por agredir um agente federal.

Segundo o chefe interino da polícia de Washington, Jeffery Carroll, Allen estava “armado com uma espingarda, uma pistola e várias facas” e não foi atingido por disparos, mas foi levado ao hospital para avaliação.

Alvo era Trump e autoridades, diz procurador-geral

O procurador-geral interino dos Estados Unidos, Todd Blanche, afirmou ontem que as autoridades policiais acreditam que o atirador tinha como alvo o presidente Donald Trump e funcionários do governo americano. “Acreditamos, com base apenas em um entendimento muito preliminar do que aconteceu, que ele estava visando membros do governo”, disse Blanche à CBS.

Jeanine Pirro, procuradora dos EUA para o Distrito de Columbia, afirmou que Allen enfrentará duas acusações sobre uso de arma de fogo e uma acusação de agressão contra um agente federal com uso de arma perigosa. Outras acusações também são esperadas. Blanche acrescentou que o suspeito não estava “cooperando ativamente” com as autoridades.

O incidente é tratado como o terceiro atentado à vida de Trump em dois anos. O presidente foi rapidamente retirado do local por agentes do Serviço Secreto no sábado. Em suas redes sociais, Trump publicou imagens de câmeras de segurança mostrando o atirador tentando passar correndo por um posto de segurança um andar acima do salão onde o jantar de gala estava sendo realizado.

Irmão alertou polícia antes do ataque

Segundo fontes ouvidas pela CBS News, o irmão de Cole Thomas Allen ligou para a polícia ainda na noite de sábado para alertá-la sobre a intenção do ataque. O alerta ocorreu depois que a família recebeu um e-mail escrito por ele, que dava a entender que cometeria um ato violento. O FBI está investigando a cronologia de quando a família notificou a polícia e quando as autoridades foram comunicadas.

Uma nota que, segundo as autoridades, foi escrita pelo homem parece expressar profunda raiva contra o governo e o presidente. Figuras da administração eram os alvos, “priorizados do mais alto escalão ao mais baixo”, de acordo com uma cópia do documento de cerca de mil palavras compartilhada por dois agentes que não estavam autorizados a divulgar a informação.

Trump afirmou no domingo que o detido havia escrito um “manifesto” com conteúdo anticristão. O suspeito também teria demonstrado surpresa por ter conseguido se hospedar no hotel que receberia o evento com uma espingarda, uma pistola e uma faca, segundo o documento.

Perfil do suspeito: engenheiro e desenvolvedor de jogos

Cole Thomas Allen é professor e desenvolvedor de jogos, segundo fontes policiais. Ele mora em Torrance, cidade litorânea da Califórnia, e teria tentado entrar no salão onde estava ocorrendo o jantar e atacado o posto de segurança. O homem chegou a disparar contra um agente, e o tiro atingiu o colete à prova de balas. O policial não ficou gravemente ferido.

Allen é descrito como filho de um líder de igreja evangélica e frequentava uma comunidade cristã na faculdade. Ele é o mais velho de quatro irmãos e nasceu em um condado de Los Angeles. Até a noite do último sábado, seu pai constava nas redes sociais como líder da Grace Torrance, uma igreja protestante de tradição reformada em Torrance, na Califórnia.

Em 2013, Allen ingressou no Instituto de Tecnologia da Califórnia (Caltech), uma universidade de elite em Pasadena. Lá, estudou engenharia mecânica e se formou com média 3.0. No verão de 2014, fez estágio no Laboratório de Propulsão a Jato da Nasa. Após se formar em 2017, trabalhou como engenheiro mecânico, desenvolvedor independente de videogames e tutor preparatório para a faculdade. Em 2022, ingressou na Universidade Estadual da Califórnia, em Dominguez Hills, para fazer mestrado em ciência da computação, concluindo o curso em 2025.

“Aluno muito bom” e defensor do cristianismo

Bin Tang, professor de ciência da computação na universidade, deu aulas a Allen em várias disciplinas. “Fiquei muito chocado ao ver a notícia”, escreveu o professor em um e-mail. “Ele era um aluno muito bom, sempre sentado na primeira fila, prestando atenção e frequentemente me enviando perguntas sobre as atividades.”

Allen fazia parte de uma fraternidade cristã no campus do Caltech. Uma integrante do grupo, Elizabeth Terlinden, lembrou que, embora fosse geralmente quieto e estudioso, não tinha receio de defender sua interpretação da fé. “Ele era definitivamente um forte defensor do cristianismo evangélico na época em que o conheci”, disse ao New York Times.

Pessoas próximas a Allen, ouvidas pelo Los Angeles Times, o descreveram como “quieto”, “altamente inteligente” e “bastante envolvido” nas atividades de uma igreja local.

Armas compradas legalmente e viagem planejada

Registros compartilhados por agentes indicam que Allen comprou uma pistola em outubro de 2023 e uma espingarda em agosto de 2025. Segundo o bilhete obtido pelas autoridades, nos últimos dias ele disse a colegas e alunos que uma emergência pessoal o afastaria das aulas e contou aos pais que tinha “uma entrevista”.

Em seguida, pegou um trem de Los Angeles para Washington, passando por Chicago, e se hospedou no Washington Hilton um ou dois dias antes do jantar da Associação de Correspondentes da Casa Branca. Autoridades federais em Los Angeles disseram que um mandado de busca foi cumprido na noite de sábado na residência do suspeito.

Trump critica segurança e reforça projeto de salão

Em uma coletiva de imprensa improvisada na Casa Branca, no final da noite de sábado, Trump disse que inicialmente pensou que o barulho fosse de uma bandeja caindo, antes de perceber que eram tiros. Trump acrescentou que o hotel não era “uma instalação particularmente segura”, enquanto aumentavam as dúvidas sobre os protocolos de segurança do presidente.

O Washington Hilton, hotel onde o evento era realizado, é o local onde o presidente Ronald Reagan sofreu um atentado em 1981. Trump afirmou no domingo que a tentativa de atentado reforça os motivos de segurança que ele citou para o planejamento de um novo e enorme salão de baile ao lado da Casa Branca, um projeto que enfrenta contestações judiciais.

O incidente ocorreu menos de 48 horas antes do início da visita de Estado de quatro dias do Rei Charles III e da Rainha Camilla a Washington. Trump, a primeira-dama Melania Trump, o vice-presidente JD Vance, vários membros do gabinete e parlamentares proeminentes estavam entre os convidados do jantar de gala, juntamente com centenas de outros participantes.

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