
O ‘antitrumpismo’ está crescendo conforme as políticas neocolonialistas, negacionistas e anti-imigratórias avançam nos Estados Unidos. O estopim aconteceu após a morte de uma mulher em Minneapolis durante uma operação do ICE, a polícia de imigração. Diversas manifestações tomaram conta do país no final de janeiro e início de fevereiro. A insatisfação e a resistência à agenda adotada pelo presidente Donald Trump, inclusive, chegaram ao esporte.
Atletas olímpicos dos EUA, participantes dos Jogos de Inverno de Milão-Cortina, na Itália, têm deixado de lado a neutralidade política recomendada pelo Comitê Olímpico Internacional (COI).
Até o momento, a crítica que mais irritou Trump foi a do esquiador Hunter Hess. Ele, que compete no halfpipe do esqui estilo livre a partir de 19 de fevereiro, disse em uma coletiva que era difícil entender o que estava acontecendo nos EUA, em referência à repressão do ICE. Para ele, representar o país trazia sentimentos contraditórios: “Só porque estou vestindo a bandeira não significa que represento tudo o que está acontecendo nos EUA”.

A fala foi amplamente atacada por membros do partido Republicano e apoiadores de Trump, o que fez Hess ir às redes sociais dizer que está empolgado para representar os EUA, que ama o país, porém que “sempre há o que melhorar”.
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A postura firme de Hess causou ira no presidente norte-americano. Ele utilizou, no domingo (8), a plataforma Truth Social para chamar o esquiador de “autêntico perdedor” e apontar que não deveria representar o país: “uma pena que esteja na equipe”, afirmou Trump.
A intempestiva reação do presidente foi rebatida por atletas da delegação dos EUA nos Jogos de Inverno, na segunda-feira (9). A snowboarder Bea Kim destacou que sua família é de imigrantes e que a diversidade é importante, sendo uma das marcas do país, do qual tem orgulho de representar.
Na mesma linha, Maddie Mastro, outra snowboarder, colocou que estar nos Jogos pelos EUA é motivo de orgulho, mas também de tristeza com o que vem acontecendo: “Nos unimos em tempos de injustiça.”
Já Chloe Kim, bicampeã olímpica no snowboard, filha de sul-coreanos, reafirmou a gratidão às oportunidades que os EUA deram à família, inclusive por representar a bandeira. No entanto, ponderou que é preciso ter a garantia do direito de livre expressão: “Acho que temos o direito de expressar nossas opiniões sobre o que está acontecendo. E acho que precisamos agir com amor e compaixão. Gostaria de ver mais disso”, salientou Chloe Kim.
‘Fuck ICE’
Além da delegação de snowboard, outras críticas, citando direta ou indiretamente, o governo dos EUA, já haviam sido feitas. Mikaela Shiffrin, bicampeã olímpica e uma das maiores representantes do esqui alpino de todos os tempos, afirmou que representar o país no atual momento é motivo de reflexões. Em coletiva, ela ainda citou Nelson Mandela para ressaltar a importância da paz e da diversidade e finalizou dizendo que representa os seus próprios valores, que abrangem inclusão e bondade.
Já Gus Kenworthy, esquiador medalha de prata em Sochi 2014, foi ainda mais polêmico contra a política anti-imigração. Nascido na Inglaterra, ele representou os EUA em duas Olimpíadas, mas agora compete pelo Reino Unido.
O atleta de halfpipe do esqui estilo livre publicou uma foto com a frase “Fuck ICE” escrita na neve. No texto que acompanha a foto, ele divulga uma carta para que as pessoas enviem ao senador do seu condado nos EUA: “Pessoas inocentes foram assassinadas e já chega. Não podemos ficar de braços cruzados enquanto o ICE continua a operar com poder irrestrito em nossas comunidades.”
Ao jornal britânico The Telegraph, Kenworthy comentou que recebeu inúmeros xingamentos e ameaças de morte.
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