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Risco que extrema direita traz à democracia não é retórico, é real, diz Lula

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva participou neste sábado (18), em Barcelona, na Espanha, do encerramento da Mobilização Progressista Global, encontro que reuniu lideranças políticas de diversos países em defesa da democracia, da justiça social e do fortalecimento da cooperação internacional.

Em seu pronunciamento, em que foi aplaudido diversas vezes, Lula alertou para o fato de que “a extrema direita grita, mente e ataca” e que não podemos “ter medo de contrapor argumentos”. E enfatizou: “o risco que a extrema-direita representa à democracia não é retórico, é real”.

No Brasil, recordou Lula, “ela planejou um golpe de Estado, orquestrou um trama que previa tanque na rua e assassinato do presidente eleito, do vice-presidente e do presidente da Justiça Eleitoral”.

Lula prosseguiu fazendo uma crítica contundente ao caráter hipócrita da extrema direita: “nosso papel é desmascarar essas forças, desmascarar aqueles que dizem estar do lado do povo, mas governam para os mais ricos; que dizem ser patriotas, mas opõem à soberania a venda e pedem sanções contra o seu próprio país; que proclamam defender a família, mas fecham os olhos para a violência contra as mulheres e para o abuso sexual de crianças. Que se declaram os donos da verdade, mas disparam mentiras e desinformação. Que se consideram homem de Deus, mas não têm amor ao próximo. Que falam em liberdade, mas perseguem quem é diferente”.

Democracia não morreu

Ao iniciar sua fala, Lula parabenizou o presidente espanhol Pedro Sánchez pela organização do evento, que visa mostrar ao mundo que “a democracia não morreu” e que “ninguém precisa ter vergonha de ser progressista ou de ser de esquerda; ninguém precisa ter medo, no mundo democrático, de ser o que é, de falar o que precisa falar, desde que se respeite as regras do jogo democrático estabelecidas pela própria sociedade”.

“O que nós estamos fazendo aqui”, disse, é o “começo de um movimento que tem que agir, todo santo dia, durante toda semana, todo mês e durante 365 dias por ano para que a gente restabeleça a coisa mais sagrada no mundo que é a democracia e o multilateralismo”.

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Ele salientou que para além dos marcos tradicionais que demarcaram os campos da esquerda e da direita ao longo da história, hoje o extremismo impõe novos desafios.

“O campo progressista conseguiu avançar na pauta dos direitos. A situação dos trabalhadores, das mulheres, das pessoas negras e de muitas minorias é melhor hoje do que foi no passado. Não é coincidência que reação das forças reacionárias tenha vindo de forma tão violenta com a misoginia, o racismo e o discurso de ódio”, argumentou.

Gerentes das mazelas do neoliberalismo

Por outro lado, Lula reconheceu que o progressismo não conseguiu superar o pensamento econômico dominante. “O projeto neoliberal prometeu prosperidade e entregou fome, desigualdade e insegurança. Provocou crise atrás de crise. Ainda assim, nós sucumbimos à ortodoxia. Temos sido os gerentes das mazelas do neoliberalismo”.

Afirmou, ainda, que “governos de esquerda ganham as eleições com discurso de esquerda e praticam austeridade. Abrem mão de políticas públicas em nome da governabilidade. Nós nos tornamos o sistema”. Por isso, salientou, “não surpreende agora que o outro lado se apresente como antissistema”.
Lula defendeu que o primeiro mandamento dos progressistas tem de ser a coerência. “Não podemos nos eleger com um programa e implementar outro. Não podemos trair a confiança do povo, mesmo que boa parte da população não se veja como progressista”, declarou.

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A consequência, avaliou, é que “a extrema direita soube capitalizar o mal-estar das promessas não cumpridas do neoliberalismo” e passou a lançar mentiras e discursos de ódio contra populações minorizadas ou vulneráveis.

Nesse cenário, defendeu ser preciso apontar o dedo para os verdadeiros culpados: “Um punhado de bilionários concentra a maior parte da riqueza mundial. Eles querem que as pessoas acreditem que qualquer um pode chegar lá. Alimentam a falácia da meritocracia, mas chutam a escada para que outros não tenham a mesma oportunidade de subir. Pagam menos impostos ou nada, exploram o trabalhador, destroem a natureza, manipulam algoritmos”. Lula enfatizou que “a desigualdade não é um fato, é uma escolha política. O que faz de nós progressistas é escolher a igualdade”.

Agenda

A Mobilização Progressista Global foi o segundo evento do qual o presidente Lula participou neste sábado para alertar sobre as tensões globais. Mais cedo, ele discursou na Reunião de Alto Nível do Fórum em Defesa da Democracia.

Na sexta-feira (17), Lula e o presidente Pedro Sanchez defenderam a regulação das redes sociais durante declaração à imprensa e participaram de cerimônia de assinatura de atos no Palácio Real de Pedralbes — entre eles, um memorando de entendimento no campo de minerais críticos, voltado à ampliação da cooperação bilateral em toda a cadeia produtiva de insumos estratégicos essenciais para a transição energética, a transformação industrial e a segurança econômica dos dois países.

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