
São Paulo, Salvador, Rio, Curitiba, Fortaleza e outras capitais terão atos neste domingo (30) pelo fim da escala 6×1. Convocada pelas centrais sindicais, movimentos sociais e organizações populares, a mobilização nacional pretende levar às ruas a pressão pela redução da jornada para 40 horas semanais, com dois dias de descanso e sem redução salarial.
A manifestação ocorre às vésperas de uma semana decisiva no Congresso Nacional. A partir de segunda-feira (31), deputados e senadores entram em período de esforço concentrado, e as entidades querem transformar a mobilização social em pressão direta sobre o Senado para acelerar a tramitação da proposta.
A campanha reúne CTB, CUT, Força Sindical, CSB, Intersindical, NCST, UGT e Pública Central do Servidor, além do Fórum das Centrais Sindicais, das Frentes Brasil Popular e Povo Sem Medo e do Movimento Vida Além do Trabalho (VAT).
Em São Paulo, principal ato nacional, a concentração ocorre no Masp, na Avenida Paulista, às 10h.
Onde haverá mobilizações neste domingo
A mobilização terá atos em diferentes capitais e cidades. Os principais locais divulgados pelas entidades são:
- São Paulo (SP): 10h, no MASP, Avenida Paulista;
- Salvador (BA): 9h, no Morro do Cristo, com caminhada até o Farol da Barra. O ato terá participação de Margareth Menezes e outros artistas;
- Curitiba (PR): 10h, no Largo da Ordem;
- Fortaleza (CE): 15h, na Estátua de Iracema, Praia de Iracema;
- Natal (RN): 9h, na Calçada do Ferreira Costa, com percurso até o Ponto 7, na Cigarreira do Gil;
- Aracaju (SE): 15h, na Parada LGBT;
- Rio de Janeiro (RJ): 10h, no Posto 5, em Copacabana;
- Porto Alegre (RS): 10h, no Parque da Redenção;
- São Luís (MA): 9h, no Largo do Carmo, Centro;
- Belém (PA): 9h, na Praça da República;
- Goiânia (GO): 9h, concentração na sede da ADUFG-Sindicato, na 9ª Avenida, nº 193, com caminhada até a Praça Boaventura.
Há ainda mobilizações programadas para outras datas. Em Brasília, trabalhadores se concentrarão nos dias 1º, 2 e 3 de setembro, a partir das 14h, em frente ao Anexo II do Senado, pela Via N2, para pressionar diretamente os parlamentares.
Em Vitória (ES), está prevista concentração em 31 de agosto, às 16h30, na Praça 8.
No Recife (PE), houve atividade em 28 de agosto, às 18h, na Rua da Guia, em frente ao Teatro Mamulengo, dentro da programação pelo aniversário da CUT-PE.
Uma reivindicação que ultrapassa a jornada
A redução da jornada, defendem as entidades, procura enfrentar uma característica estrutural do mercado de trabalho brasileiro: jornadas extensas e pouco tempo livre, especialmente entre trabalhadores de setores como comércio e serviços, nos quais a escala 6×1 é amplamente utilizada.
O presidente da CTB, Adilson Araújo, tem relacionado a redução da jornada à valorização do trabalho e à melhoria das condições de vida. “O fim da escala 6×1 representa mais do que uma alteração na jornada. Significa garantir aos trabalhadores mais tempo para descansar, conviver com a família, estudar, cuidar da vida pessoal e participar da sociedade”, afirma.
Na mesma linha, o presidente da Força Sindical, Miguel Torres, afirma que a mobilização será importante para demonstrar ao Senado a dimensão da pressão popular. “Vamos ocupar as ruas para mostrar ao Senado que os trabalhadores querem o fim da escala 6×1 e a redução da jornada sem redução salarial”, afirmou Torres.
Para o secretário de Mobilização da CUT-SP, Osvaldo Bezerra, o Pipoka, a força das ruas será decisiva neste momento. “Não estamos pedindo privilégio: estamos cobrando o direito para que os trabalhadores possam viver com dignidade, tendo mais tempo com a família e descansar. É hora de pressão total para que o Senado vote e aprove essa conquista”, afirma o dirigente.
PEC chega ao Senado sob pressão
A PEC 221/2019, incorporada ao texto aprovado pela Câmara juntamente com a PEC 8/2025, foi aprovada pelos deputados em 27 de maio e chegou ao Senado em agosto.
O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), encaminhou a proposta à Comissão de Constituição e Justiça (CCJ). O senador Omar Aziz (PSD-AM), relator, indicou a intenção de apresentar seu parecer e levar o texto à votação na comissão em 2 de setembro, se não houver pedido de vistas.
Depois da CCJ, a proposta precisará passar pelo plenário do Senado. Para uma PEC ser aprovada, são necessários três quintos dos senadores — 49 votos — em dois turnos de votação.
É justamente nesse intervalo entre a chegada do texto ao Senado e sua votação que as entidades sindicais pretendem ampliar a pressão.
O que está em jogo
O texto aprovado pela Câmara estabelece jornada de oito horas diárias e 40 horas semanais, distribuídas em cinco dias de trabalho e dois dias de descanso, sem redução salarial.
O texto prevê redução progressiva da jornada até chegar às 40 horas semanais, mantendo dois dias de descanso por semana, preferencialmente aos domingos. Também são previstas regras de transição e possibilidades de compensação de horários por meio de acordos e convenções coletivas.
A rua como parte da disputa no Senado
O desafio agora é converter a pressão das ruas em votos no Senado.
A correlação de forças na Casa será determinante. Como se trata de uma mudança constitucional, a aprovação exige maioria qualificada e duas votações. Por isso, além da presença nas manifestações, as entidades defendem a pressão direta sobre os senadores nos próximos dias.
Para mandar uma mensagem aos senadores, CLIQUE AQUI
O post Atos pelo fim da escala 6×1 ocupam as ruas neste domingo apareceu primeiro em Vermelho.