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Avanços e violência marcam a luta das mulheres no Brasil em 2025

O ano de 2025 marcou a retomada do Estado brasileiro como indutor de políticas públicas para enfrentar as desigualdades de gênero, após um ciclo prolongado de desmontes, negacionismo e ataque aos direitos das mulheres. Sob o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a pauta de gênero voltou a ocupar lugar estratégico no projeto de reconstrução nacional, articulando combate à violência, promoção da autonomia econômica, ampliação de direitos trabalhistas e fortalecimento da participação política feminina.

Para a presidenta da União Brasileira de Mulheres (UBM), Vanja Andrea, o período representa um avanço importante, ainda que atravessado por limites estruturais. “2025 foi um ano importante. Quando nós falamos sobre o governo federal e as iniciativas em relação às políticas para as mulheres, políticas importantes foram lançadas e estão aí em busca de serem implementadas, porque não basta estar no papel, tem que estar realmente na vida das mulheres”, avalia.

Esse movimento, no entanto, ocorre em campo de disputa permanente. Os avanços institucionais conquistados ao longo do ano convivem com a persistente violência, a desigualdade salarial, a precarização do trabalho e a sub-representação política das mulheres — expressões de um modelo patriarcal, racista e excludente que segue operando na sociedade brasileira e nos espaços de poder.

Combate à violência: o Estado de volta à linha de frente

Em 2025, o enfrentamento à violência contra as mulheres voltou a ser tratado como responsabilidade direta do Estado, rompendo com a lógica de omissão que marcou anos anteriores. A sanção da Lei nº 15.212/2025, que oficializou a denominação Lei Maria da Penha, teve forte valor simbólico ao reafirmar uma das principais conquistas da luta feminista brasileira.

Na mesma direção, a Lei nº 15.125/2025, que autoriza o uso de tornozeleira eletrônica para agressores, representou um avanço concreto na proteção das mulheres, ao deslocar o foco da vigilância da vítima para o agressor — reivindicação histórica dos movimentos feministas. Já a Lei nº 15.280/2025 ampliou a proteção às vítimas de crimes sexuais, reforçando mecanismos de controle sobre investigados e condenados.

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Essas iniciativas foram acompanhadas da reconstrução de políticas públicas desmontadas a partir de 2016, como o programa Mulher Viver sem Violência, a ampliação das Casas da Mulher Brasileira e o fortalecimento do Ligue 180.

Para Vanja, o avanço só foi possível porque houve articulação interministerial e pressão social. “Não foi apenas do ministério da Mulher, mas sob a coordenação do Ministério de forma transversal com os Ministérios do Desenvolvimento Social, do Trabalho, da Educação, da Saúde, para que essas políticas pudessem ser transformadas em realidade”, afirma.

A violência que persiste e convoca mobilização

Apesar do arcabouço legal e institucional, a violência contra as mulheres seguiu como uma das faces mais brutais da desigualdade social em 2025. Dados do DataSenado indicam que 3,7 milhões de brasileiras sofreram violência doméstica ou familiar ao longo do ano. O feminicídio manteve índices alarmantes, com mais de mil mulheres assassinadas em 2025, muitas delas com crueldade.

“Esse ano nós tivemos um alto índice de feminicídio. Mulheres assassinadas com requinte de crueldade”, denuncia Vanja. Para ela, a resposta precisa ser coletiva: “Não é só com o Ministério da Justiça. Isso tem que envolver vários ministérios, vários governos, várias secretarias, a sociedade civil como um todo, e todo mundo se responsabilizando”.

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Esse cenário impulsionou mobilizações nacionais como os atos Mulheres Vivas, que recolocaram a luta feminista no centro do debate público. “Nós nos queremos vivas, atuantes, participantes da vida efetiva do Brasil, da luta por direitos”, resume a dirigente.

Paralelamente, avançou a violência política e digital de gênero, especialmente contra mulheres que ousam ocupar espaços institucionais. Ataques misóginos, racistas e transfóbicos passaram a operar como instrumentos de silenciamento e intimidação, revelando que a democracia brasileira segue sendo hostil à presença feminina — sobretudo às mulheres negras, indígenas e trans.

Entre leis e realidade, o direito de viver segue em disputa

O balanço de 2025 deixa claro que o Brasil voltou a contar com um Estado presente no enfrentamento à violência contra as mulheres, mas também expõe a profundidade de um problema que não se resolve apenas com leis. A permanência dos altos índices de feminicídio, da violência doméstica e dos ataques digitais revela que a desigualdade de gênero está enraizada em estruturas sociais, culturais e políticas que exigem enfrentamento permanente.

Como apontam os movimentos feministas, entre eles a UBM, avançar na proteção legal é fundamental, mas insuficiente sem mobilização social, articulação interinstitucional e compromisso contínuo dos governos. O desafio que permanece é transformar esse enfrentamento em política duradoura, capaz de garantir que o direito básico de viver sem violência deixe de ser promessa e se torne realidade cotidiana.

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