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Belém busca tirar o Acordo de Paris do papel

O primeiro dia da 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP30) legou um marco importante: a entrega de 111 relatórios de metas climáticas nacionais, conhecidos como Contribuições Nacionalmente Determinadas (NDCs). A informação foi confirmada nesta segunda-feira (10) pela diretora executiva da conferência, Ana Toni.

Esses planos, previstos pelo Acordo de Paris, precisam ser atualizados a cada cinco anos pelos 195 países signatários. No entanto, até fevereiro — prazo oficial para submissão — o número de entregas era considerado muito baixo. Antes mesmo da abertura da COP30, apenas 79 países haviam protocolado suas metas. O avanço registrado no primeiro dia foi celebrado pela organização. “Agora já contamos com 111 relatórios de NDCs publicados”, destacou Ana. Ela acrescentou que o credenciamento de 194 países para a conferência reforça o compromisso coletivo e fortalece o multilateralismo.

Consenso inédito

Logo nas primeiras horas, quase todas as 200 delegações aprovaram em tempo recorde a agenda oficial, sinalizando um consenso inédito e uma disposição real para transformar compromissos em resultados concretos. O presidente da conferência, o diplomata brasileiro André Corrêa do Lago, deixou o tom claro: sem avanços significativos, o mundo pode perder a chance de limitar o aquecimento global a níveis seguros. No discurso inaugural, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva definiu a COP30 como a “COP da Verdade” e cobrou compromissos reais de financiamento climático dos países desenvolvidos, defendendo justiça climática e ação concreta sobre promessas.

Florestas para sempre

Nessa linha também foram anunciadas propostas de fundos ambientais. Entre eles, o destaque foi o lançamento do Fundo Florestas Tropicais para Sempre (TFFF). A  iniciativa brasileira já com US$ 5,5 bilhões em compromissos iniciais de Noruega, Indonésia, França e do próprio Brasil. O fundo busca remunerar países tropicais pela manutenção de suas florestas, criando um elo direto entre preservação ambiental e financiamento internacional.

Além do TFFF, foi anunciada a operacionalização do Fundo de Perdas e Danos, criado na COP28, que começa com US$ 250 milhões para apoiar nações afetadas por eventos climáticos extremos — uma resposta concreta à urgência apontada nos relatórios do Acordo de Paris. Bancos multilaterais também dobraram o investimento em adaptação climática para países em desenvolvimento, saltando de US$ 13 bilhões para mais de US$ 26 bilhões.

Defesa ambiental em aliança com ações para combater a fome 

A Declaração de Belém, apresentada no mesmo dia, propõe ações concretas para combater a fome e a pobreza, com ênfase em políticas sociais integradas e apoio à agricultura familiar. O documento reflete a preocupação de que não há justiça climática sem olhar social — tese explicitamente defendida no Acordo de Paris.

Nos bastidores e painéis, ministros e especialistas concordaram que o desafio vai além de medidas isoladas. Temas estratégicos como economia circular, gestão de recursos hídricos e inovação tecnológica dominaram debates, sinalizando a necessidade de políticas integradas para enfrentar a crise climática com a urgência requerida.

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