
O Brasil desafiou Donald Trump — e venceu. É essa a conclusão do jornal norte-americano The New York Times em artigo publicado nesta segunda-feira (24). Segundo a publicação, a ofensiva do presidente dos Estados Unidos para impedir a prisão de Jair Bolsonaro fracassou e expôs os limites de sua capacidade de interferir nos assuntos internos de outros países.
O repórter Jack Nicas descreve que Trump lançou, em julho, uma ofensiva em várias frentes para tentar impedir o avanço do processo contra Jair Bolsonaro. A pressão começou com uma carta agressiva enviada a Lula e avançou para medidas concretas, como as tarifas de 50% sobre produtos brasileiros e sanções contra o ministro Alexandre de Moraes, numa tentativa declarada de proteger o aliado político.
O NYT classifica essa intervenção como “uma tentativa extraordinária” de influenciar o caso legal mais importante do Brasil em décadas, utilizando instrumentos econômicos e diplomáticos extremos para tentar impedir o avanço do processo.
As instituições brasileiras, porém, “basicamente o ignoraram”, afirma o texto. Bolsonaro foi condenado a 27 anos de prisão e, no último sábado (22), foi detido após violar as condições do monitoramento eletrônico.
Ao ser questionado sobre a prisão, Trump reagiu apenas com um lacônico “Que pena”, sinalizando distanciamento do aliado que havia mobilizado a máquina do Estado norte-americano para defender.
Para o NYT, o gesto equivale a uma admissão de derrota, já que “Trump praticamente reconheceu o fracasso”, escreve Nicas.
O jornal destaca que a ofensiva acabou tendo efeito contrário ao pretendido. As tarifas impostas pelo governo dos EUA pressionaram preços internos para carne, café e outros produtos justamente em um momento de desgaste econômico doméstico.
No Brasil, a postura firme de Lula, que criticou publicamente a interferência externa e reforçou que o Judiciário atuava com independência, fortaleceu politicamente o governo.
Analistas citados pelo jornal afirmam que a pressão norte-americana pode ter contribuído para uma resposta ainda mais dura do Supremo Tribunal Federal. Eduardo Bolsonaro, que negociou diretamente com autoridades dos EUA em defesa do pai, agora enfrenta ele próprio um processo criminal.
O NYT também descreve o movimento de recuo de Trump após o fracasso da ofensiva. O republicano, que antes classificava a investigação contra Bolsonaro como perseguição, aproximou-se de Lula em encontros diplomáticos recentes e passou a elogiar abertamente o presidente brasileiro.
Trump disse que Lula é “um cara muito vigorante” e demonstrou satisfação ao encontrá-lo em reuniões multilaterais.
A mudança se refletiu em decisões concretas: na última quinta-feira, Trump assinou uma ordem executiva retirando as tarifas mais importantes aplicadas ao Brasil, inclusive sobre carne e café, justificando a medida como parte de negociações em andamento com o governo Lula.
Para o New York Times, essa guinada representa uma admissão clara da derrota diplomática. O jornal escreve que “nenhum envolvido perdeu mais” do que Bolsonaro, que não apenas foi condenado como perdeu a proteção de seu principal apoiador internacional e viu sua situação política e jurídica se deteriorar rapidamente.
Trump, por sua vez, demonstrou que sua capacidade de dobrar governos estrangeiros é limitada — especialmente quando se trata de países com instituições sólidas e governo com legitimidade interna.
A intervenção, considerada uma das mais agressivas realizadas por Washington em anos, “foi basicamente em vão”, conclui o texto. Em resposta às declarações recentes de Trump sobre o caso, Lula foi direto: “Trump precisa entender que somos um país soberano”.
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