
Desenvolvido com tecnologia própria e escalável, o biocombustível representa uma aposta concreta do Brasil na transição energética, combinando inovação industrial com sustentabilidade ambiental. A iniciativa será apresentada na COP30, em Belém, como exemplo de solução viável para descarbonizar o transporte em larga escala.
A inovação foi apresentada, no Palácio do Planalto, por executivos da Mercedes-Benz e da Be8 nesta quinta-feira (30) ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que reafirmou o compromisso do Brasil com uma transição energética justa e propôs colocar o combustível na pauta de exportação brasileira.
Tecnologia nacional com potencial global
Chamado de Be8 BeVant, o biocombustível de última geração é desenvolvido no Brasil a partir de óleos vegetais, gordura animal e óleo de cozinha usado. O produto passa por um processo exclusivo de bidestilação com inovações patenteadas, resultando em um combustível (metil éster bidestilado) que reduz em até 99% as emissões de gases de efeito estufa, quando comparado ao diesel fóssil, além de emitir menos materiais particulados, monóxido de carbono e fumaça preta.
Com baixo teor de elementos tóxicos (enxofre inferior a 2 ppm e monoglicerídeo abaixo de 0,25%), o BeVant já é testado em frotas públicas de cidades como Porto Alegre, São Paulo e Brasília. A planta de produção em Passo Fundo (RS) tem capacidade inicial de 150 milhões de litros por ano, com possibilidade de expansão e replicação em outras regiões, o que garante escalabilidade e viabilidade para exportação.
Inovação será apresentada na COP30
A tecnologia será apresentada na COP30, em Belém (PA), como parte da “Rota Sustentável COP30” — uma caravana que percorre 4 mil quilômetros utilizando exclusivamente o Be8 BeVant. A iniciativa é auditada pelo Instituto Mauá de Tecnologia, que coleta dados técnicos e ambientais para demonstrar a eficácia do combustível em diferentes condições operacionais. A proposta é mostrar ao mundo que o Brasil já possui soluções práticas e escaláveis para a mobilidade de baixo carbono.
Transição energética com equilíbrio e geração de empregos
Durante o encontro, Lula destacou que a aprovação da Lei do Combustível do Futuro, sancionada em 2024, é um marco para a transformação da matriz energética brasileira. A legislação impulsiona o uso de diesel verde, biometano e tecnologias de captura de carbono, além de consolidar o país como líder na produção de biocombustíveis — atualmente responsável por 25% da oferta global.
O setor emprega 2,4 milhões de pessoas e evita a emissão de 127 milhões de toneladas de CO₂ equivalente por ano. Cada real investido em biodiesel gera R$ 4,40 na economia, com impacto direto na agricultura familiar e na industrialização regional.
Indústria nacional e inovação tecnológica
O vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, ressaltou que a política industrial Nova Indústria Brasil (NIB) é voltada à inovação e sustentabilidade. O Programa Mover, por exemplo, “prevê R$ 19 bilhões em investimentos até 2028 para o desenvolvimento de motores B30 e ônibus elétricos”, afirmou Alckimin.
A Mercedes-Benz, por sua vez, anunciou projetos que devem gerar 1.470 empregos diretos no país, reforçando o papel da indústria automotiva na transição energética. A Petrobras também deve ampliar sua atuação para além do petróleo, tornando-se uma empresa de energia múltipla, com foco em fontes renováveis.
Oportunidade histórica
Com tecnologia nacional, capacidade de produção escalável e apoio institucional, o Brasil se posiciona para apresentar ao mundo, na COP30, uma solução concreta para a mobilidade sustentável. A transição energética brasileira busca equilibrar os pilares ambiental, social e econômico, promovendo inovação sem abrir mão da geração de empregos e da competitividade.
Durante o encontro, Lula afirmou aos empresários que “basta ter vontade política e coragem de fazer, que o Brasil vai ser o campeão da transição energética”.
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