Não há razões para chorar derrota antes da hora na Colômbia. Isso é o que demonstra a matemática.
Nas eleições de 2022, Gustavo Petro amealhou 8.542.020 votos no primeiro turno, equivalente a 40,3% da apuração. A direita, dividida em duas candidaturas equilibradas, chegou a 11.035.057, um total de 52,1%: Rodolfo Hernandez foi ao segundo turno com 28,2%, Fico Gutiérrez acabou excluído da rodada decisiva com 23,9%.
Entre os demais postulantes com alguma relevância, na centro-esquerda Sérgio Fajardo alcançou 885.291 votos (4,2%) e, na direita, John Milton Rodriguez pontuou com 271.386 (1,3%).
Trocando em miúdos: o campo progressista obteve 9.427.311 votos (44,5%), o conservador chegou a 11.306.443 (53,4%).
Mas Petro ganhou no segundo turno com 11.291.986 votos, contra 10.580.412 de Hernandez – 50,4% contra 47,3%, mais 2,3% de brancos e nulos.
Como foi possível essa virada?
A principal razão talvez tenha sido o aumento do número de votantes: 55% dos 39.002.239 eleitores foram às urnas na primeira volta, contra 58,2% na segunda.
Mas também é notável como quase 500 mil eleitores que apoiaram algum candidato de direita, no primeiro turno, giraram à esquerda no segundo.
Naquela oportunidade, a campanha de Petro conseguiu ampliar fortemente, entre as duas rodadas, a mobilização dos eleitores descontentes com governos conservadores. Apostou-se na identificação de Hernandez com as políticas neoliberais, autoritárias e de submissão aos Estados Unidos, além das suspeitas de corrupção.
Deu certo. Mais gente foi às urnas e um décimo dos eleitores de Gutierrez abandonaram o barco da direita.
Os números atuais, em primeiro turno, são semelhantes e até mais favoráveis à coalizão progressista.
Ivan Cepeda, do Pacto Histórico, conquistou 9.688.361 votos (40,9%). Juntando-se com as preferências por Sergio Fajardo (4,3%), Claudia López (1%) e Raul Botero (0,9%), chega-se a 11.129.091 votos, ou 47,1% do eleitorado.
Abelardo de la Espriella bateu em 10.361.499 votos (43,7%). Somando os sufrágios em Paloma Valencia, a direita vai a 12.001.184 votos (50,7%).
A diferença favorável aos conservadores, no primeiro turno de 2022, era ao redor de 1,9 milhão de votos. Agora é de aproximadamente 870 mil.

X / @IvanCepedaCast
As más notícias para a esquerda são duas.
A primeira: Cepeda chegou atrás na primeira volta, ao contrário de Petro em 2022, o que lhe tira tração.
A segunda: o eleitorado de Paloma Valencia foi bem menor do que o de Gutierrez em 2022 e é mais fechado ao discurso de esquerda.
A vitória dependeria, nessas circunstâncias, de convencer mais gente a votar no dia 21 de junho, conquistando um saldo positivo de 870 mil votos entre os 42,12% do eleitorado (17.446.935 cidadãos) que se abstiveram em 31 de maio.
Esse já parece ser o caminho de Petro e Cepeda: denunciando possíveis fraudes, optam por aprofundar a polarização contra a direita e criar um clima de pátria em perigo.
Recusam, ao menos por ora, os encantos de um discurso mais moderado, eventualmente atrativo para eleitores centristas, mas ineficaz para colocar suas fileiras em movimento por todo o país, como atual presidente conseguiu fazer há quatro anos.
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