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China e Rússia vetam no Conselho de Segurança intervenção militar no Estreito de Ormuz

A China e a Rússia vetaram nesta terça-feira (07/04) uma resolução no Conselho de Segurança das Nações Unidas (ONU) apresentada por Bahrein que autoriza o uso de escoltas armadas para a reabertura do Estreito de Ormuz, bloqueada parcialmente pelo Irã em represália à guerra iniciada pelos Estados Unidos e Israel contra a nação persa.

Pequim reafirmou a sua posição de respeito à integridade territorial da República Islâmica e pediu a retomada dos canais diplomáticos para garantir a paz diante das agressões vindas do exterior, uma vez que entende que a estabilidade regional não poderá ser alcançada pela imposição de força ou cerco contra nações soberanas.

A China também enfatizou a necessidade de reduzir a intensidade do conflito no Oriente Médio, atribuindo a causa profunda da crise na rota marítima à operação militar ilegal realizada contra o Irã desde 28 de fevereiro.

“O projeto de resolução não conseguiu captar as causas profundas e o quadro completo do conflito de forma abrangente e equilibrada”, disse o embaixador chinês Fu Cong. “Esta guerra nunca deveria ter acontecido”, acrescentou, ao culpar os Estados Unidos e Israel como instigadores.

Por sua vez, o embaixador da Rússia, Vassily Nebenzia, afirmou que o projeto apresentada nesta terça-feira constitui uma “abordagem fundamentalmente errônea e perigosa para a situação na região”.

“A resolução apresentou as ações iranianas como a única fonte de tensões regionais. Os ataques ilegais dos Estados Unidos e de Israel ‘não foram mencionados em momento algum’”, destacou, lembrando aos membros do Conselho o que a “interpretação vaga e abrangente” da resolução apresentada em 2011 causou na Líbia.

Acrescentou ainda que Moscou e Pequim deverão apresentar, em breve, uma resolução alternativa. “Nosso projeto será conciso, equitativo e equilibrado”, informou.

O Conselho da ONU, composto por 15 membros, contou com 11 votos a favor do projeto, enquanto dois votos contra – da China e da Rússia –, e duas abstenções – do Paquistão e da Colômbia.

A proposta do Bahrein incentivava os países “interessados ​​na utilização do Estreito de Ormuz a coordenarem esforços, de natureza defensiva e compatíveis com as circunstâncias, para contribuir na segurança da navegação”. O documento também falava na inclusão de escolta de embarcações mercantes e comerciais e a dissuasão de tentativas de fechar, obstruir ou interferir na navegação internacional pela via. Além disso, o projeto exigia que Teerã interrompesse imediatamente os ataques a embarcações.

China e Rússia vetam resolução do Conselho de Segurança da ONU apresentada por Bahrein sobre Estreito de Ormuz
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Inicialmente, o texto autorizava as nações a usarem “todos os meios necessários” para a passagem pela rota marítima, ou seja, uma formulação da ONU que incluiria ação militar. Após Rússia, China e França, nações que têm poder de veto, manifestarem oposição ao uso da força, o projeto foi alterado, descartando as referências a ações ofensivas.

A votação ocorreu pouco depois que o presidente norte-americano Donald Trump emitiu uma ameaça sem precedentes de que “uma civilização inteira morrerá esta noite” caso o governo iraniano mantenha o Estreito de Ormuz bloqueado para as nações inimigas e não feche um acordo até o prazo das 21h, pelo horário de Brasília. 

“Deixar de adotar esta resolução envia o sinal errado ao mundo, às pessoas do mundo”, disse o ministro das Relações Exteriores do Bahrein, Abdullatif bin Rashid Al Zayani, após a votação. “Esse é o sinal de que a ameaça às vias navegáveis internacionais pode passar sem qualquer ação decisiva da organização internacional responsável pela manutenção da paz e da segurança internacionais”, acrescentou.

(*) Com Telesur

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