
A escalada dos Estados Unidos para assumir o controle do petróleo venezuelano e impor uma transição política sob tutela de Washington provocou reações imediatas de China, Rússia e da Organização das Nações Unidas.
Os governos de Pequim e Moscou também denunciaram nesta quarta-feira (7) a apreensão de um petroleiro que navegava sob bandeira russa em águas internacionais como violação do direito internacional.
O secretário-geral da ONU, Antonio Guterres, se encontrou com a diplomacia venezuelana emNova York, na ONU, e reafirmou a soberania permanente da Venezuela sobre seus recursos naturais.
A operação é vista como início da primeira fase de um plano anunciado pela Casa Branca para controlar o petróleo venezuelano. Em entrevista coletiva no Capitólio, o secretário de Estado Marco Rubio afirmou que a produção do país está, na prática, bloqueada pelas sanções impostas por Washington.
“Eles não conseguem movimentar o petróleo a menos que permitamos, porque há sanções e estamos fazendo com que essas sanções sejam cumpridas. Isso é uma enorme alavancagem, e estamos usando essa alavancagem de forma positiva”, disse Rubio.
A Rússia denunciou as violações dos Estados Unidos e classificou a ação como expressão de “pretensões neocolonialistas”, após a apreensão do petroleiro Mariner, que navegava sob bandeira russa em águas internacionais do Atlântico Norte.
A porta-voz da chancelaria russa, Maria Zakharova, afirmou que a operação no Atlântico Norte foi “ilegal e violenta” e declarou que “a abordagem de um navio pacífico em alto-mar não pode ser interpretada de outra forma que não como uma grave violação dos princípios e normas fundamentais do direito marítimo internacional, bem como da liberdade de navegação”.
“As insinuações de que a interceptação do Mariner faz parte de uma estratégia mais ampla para estabelecer controle ilimitado sobre os recursos naturais da Venezuela são extremamente cínicas. Rejeitamos rotundamente tais pretensões neocolonialistas”, declarou Zakharova
A China reagiu ao plano anunciado por Washington para assumir o controle do petróleo venezuelano, afirmando que a iniciativa viola princípios fundamentais do direito internacional e a soberania dos Estados.
“A Venezuela é um Estado soberano e possui soberania permanente plena sobre todos os seus recursos naturais e atividades econômicas”, declarou nesta quarta-feira a porta-voz do ministério das Relações Exteriores, Mao Ning.
Ao comentar o ato de pilhagem dos norte-americanos no Atlântico Norte, Mao Ning afirmou que sanções unilaterais impostas fora do marco do Conselho de Segurança da ONU não podem servir de fundamento para ações coercitivas em alto-mar.
O secretário-geral da Organização das Nações Unidas, António Guterres, também reagiu às últimas ações do governo Trump e declarou que o petróleo do país pertence ao povo venezuelano.
Em encontro com o embaixador da missão venezuelana na ONU, Samuel Moncada, o secretário-geral António Guterres reiterou que a incursão militar dos Estados Unidos representa uma “violação flagrante da Carta da ONU e das normas do direito internacional”.
O post China, Rússia e ONU reagem a ofensiva dos EUA na Venezuela e em alto-mar apareceu primeiro em Vermelho.