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China se protege de tarifaço de Trump e lidera contraofensiva global

China se protege de tarifaço de Trump e lidera contraofensiva global

A decisão do presidente dos EUA, Donald Trump, de aumentar para 125% as tarifas de importação sobre produtos chineses é a mais recente escalada da guerra comercial entre as duas maiores economias do mundo. Mas, diferentemente de rodadas anteriores de embates tarifários, a China parece estar mais protegida e pronta para o confronto — econômica, politicamente e diplomaticamente.

Tanto, que o próprio Trump admite voltar atrás também com a China, após muitas bravatas agressivas contra o gigante asiático. “Nada está terminado. A China quer fazer acordo, mas não sabe como fazer. São orgulhosos, Xi (Jinping) é orgulhoso”, disse Trump. “Acordos podem ser feitos com todos. Será feito com China. Só quero acordos justos. Mas eles não estavam sendo justos”, afirmou. Trump tentou acalmar os mercados e os americanos com um tom mais ameno. “Vai funcionar, fiquem tranquilos”, disse.

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A nova rodada de tarifas se dá após uma série de provocações do norte-americano. Desde o início de abril, Trump iniciou um tarifaço global, atingindo 180 países. A China, em resposta, aumentou para 84% as tarifas sobre produtos americanos e anunciou sanções a empresas dos EUA, enquanto formalizava uma queixa na Organização Mundial do Comércio (OMC).

Mesmo com o impacto potencial sobre o comércio global, analistas chineses e autoridades de Pequim veem a nova ofensiva de Trump mais como um sinal de desespero político do que de força econômica.

Uma economia blindada por estímulos internos e alianças regionais

Pequim vem adotando medidas estruturais para mitigar os impactos da guerra comercial desde 2023. Entre elas estão:

  • Política de estímulo ao consumo interno, que inclui cortes de juros e incentivo à demanda doméstica;
  • Apoio estatal ao mercado financeiro, com compras de ações coordenadas por estatais;
  • Integração regional, via iniciativas como a Nova Rota da Seda e acordos comerciais com países do Sudeste Asiático, que também foram alvo das tarifas dos EUA.

Além disso, a China busca se apresentar como a defensora do multilateralismo em um momento de crescente unilateralismo americano. O presidente Xi Jinping tem reforçado o discurso de uma “comunidade de futuro compartilhado”, cativando países que sofrem com o isolacionismo dos EUA.

Guerra comercial expõe fragilidade e isolamento dos EUA

Enquanto Trump sobe o tom contra a China, o próprio governo americano se vê cada vez mais isolado na arena internacional. Tentativas de negociar com aliados como a União Europeia têm fracassado. Líderes como Ursula von der Leyen já ameaçam retaliar.

Segundo o The Economist, delegações internacionais saem frustradas de reuniões em Washington por falta de interlocutores com autoridade para tratar dos impactos do tarifaço. Mais de 70 países já procuraram os EUA pedindo exceções às tarifas — sem resposta.

Mesmo aliados tradicionais agora reavaliam suas relações comerciais com Washington, temendo a instabilidade gerada pelo protecionismo impulsivo de Trump.

China reforça papel de liderança global

Com retórica firme e medidas concretas, a China transforma a crise em oportunidade para se afirmar como alternativa à hegemonia americana. A resposta imediata de Pequim envolveu:

  • Inclusão de empresas dos EUA em lista de entidades “não confiáveis”;
  • Reforço da retórica diplomática contra o “bullying comercial”;
  • Publicação de um “white paper” explicando sua posição e reafirmando compromisso com o comércio justo.

A mídia estatal tem promovido uma imagem de resiliência e mobilização, contrastando com a instabilidade gerada pelas decisões unilaterais dos EUA. O editorial do People’s Daily acusou Trump de transformar o “America First” em “America Only”.

Multipolaridade econômica e nova ordem internacional

O contexto atual marca um ponto de inflexão histórico no comércio global. A ofensiva tarifária de Trump é considerada a medida mais disruptiva desde a Grande Depressão. Mas, ao contrário dos anos 1930, a China aparece hoje como potência econômica capaz de liderar uma reação coordenada.

A resposta chinesa não é apenas defensiva: ela aponta para um projeto de nova ordem econômica multipolar, onde os Estados não dependam da boa vontade dos EUA para prosperar. O “America First” de Trump pode estar acelerando exatamente o que pretende evitar: o declínio da liderança econômica americana.

Como afirma o white paper do governo chinês:

“A única saída racional é o retorno ao diálogo com base em igualdade, respeito mútuo e ganhos recíprocos.”

Diante disso, Pequim parece cada vez menos vulnerável e mais pronta para disputar protagonismo em um mundo que já não aceita imposições unilaterais.

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