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Comerciários travam a Av. Brasil em protesto pelo fim da escala 6×1

Na manhã desta segunda-feira (13), a Avenida Brasil acordou travada — não pelo caos do trânsito de sempre, mas por um grito organizado. Cerca de 100 comerciários ocuparam as pistas de uma das vias mais movimentadas do Rio de Janeiro em protesto contra a escala 6×1, numa ação conduzida pelo Sindicato dos Comerciários do Rio de Janeiro — que representa também trabalhadores de Miguel Pereira e Paty do Alferes — em conjunto com a Central dos Trabalhadores e das Trabalhadoras do Brasil (CTB). A manifestação foi pacífica. O recado, contundente.

“A escala 6×1 escraviza o trabalhador e traz sérios riscos à saúde. Além de prejudicar o convívio com a família, as horas de lazer e interrompe até mesmo a possibilidade do comerciário se dedicar aos estudos e à qualificação profissional”, enfatizou Marcio Ayer, presidente do Sindicato dos Comerciários do Rio de Janeiro.

Trabalhar seis dias seguidos para folgar apenas um: essa é a realidade de milhões de comerciários, balconistas, caixas e repositores que sustentam o varejo do país. A escala 6×1 não é apenas um número — é uma engrenagem de esgotamento. Ela retira do trabalhador o tempo de estar com os filhos, de estudar, de descansar, de simplesmente existir fora do trabalho. O ato desta segunda foi a denúncia pública de um estado permanente de precariedade.

Enquanto patrões e parte da mídia tentam vender a ideia de que reduzir a jornada destruiria a economia, os dados contradizem a narrativa. Estudo do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA) aponta que o impacto da redução de 44 para 40 horas semanais seria inferior a 1% do custo operacional das empresas. Menos de 1%. O argumento da inviabilidade econômica cai por terra diante dos números — e fica apenas o que sempre esteve por trás dele: a resistência de quem lucra com o tempo roubado de quem trabalha.

Em publicação nas redes sociais, a CTB do Rio explica que a ocupação das ruas não é “para gerar caos, mas para denunciar o caos que já está instalado na saúde e na vida das famílias brasileiras. A escala 6×1 é uma barreira entre o trabalhador e o seu direito de viver com dignidade, de estar com os filhos, de estudar e de simplesmente descansar”.

Durante o protesto, parte dos motoristas que passou pelo local demonstrou apoio à mobilização. A ação durou tempo suficiente para ser vista e sentida — e, segundo os próprios organizadores, foi intencionalmente realizada no horário de pico: “É justamente nesse horário que a realidade aparece com mais força: ônibus lotado e cansaço acumulado. O dia nem começou e a gente já está no modo sobrevivência”, afirmou o sindicato em suas redes sociais. O incômodo de alguns minutos no trânsito foi deliberado — porque o problema que os trabalhadores denunciam é diário, sem pausa, sem folga.

A proposta em discussão no Congresso Nacional é clara: regulamentar a escala 5×2, garantindo duas folgas consecutivas por semana, e reduzir a jornada máxima de 44 para 40 horas semanais. O debate avança — mas a pressão precisa crescer. E é por isso que a luta não para na Avenida Brasil.

Próxima parada: Brasília

Na quarta-feira, 15 de abril, diversas entidades sindicais promovem a Marcha da Classe Trabalhadora na capital federal, com concentração às 8h no Teatro Nacional e caminhada até a Esplanada dos Ministérios. A delegação da CTB do Rio parte para a Conclat já nesta terça (14), onde entregará ao presidente Lula um documento com as principais reivindicações da classe trabalhadora. A luta começou na Avenida Brasil — e vai ecoar no coração do poder.

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com agências

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