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Conferência Antifascista em Porto Alegre aponta causas do fascismo

Porto Alegre, historicamente reconhecida como o berço do Fórum Social Mundial, reafirmou seu papel de vanguarda na resistência global ao sediar a 1ª Conferência Internacional Antifascista pela Soberania dos Povos. O evento reuniu delegações de cerca de 40 países, movimentos populares e partidos de esquerda para enfrentar um dos temas mais urgentes da atualidade.

A mesa da manhã de hoje (27), teve o tema “A ofensiva da extrema direita no mundo: causas, consequências e desafios”, e foi aberta por Rodrigo de Lélio, do comitê organizador, e mediada por Brenno Almeida, presidente da Fundação Perseu Abramo (FPA). Almeida destacou que o objetivo central do encontro é integrar o ideal antifascista ao cotidiano da população, fortalecendo a dignidade contra a barbárie neoliberal.

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O debate foi estruturado em torno de uma análise profunda sobre o papel do capital financeiro, a crise do capitalismo e a necessidade de uma alternativa socialista.

As Causas: o fascismo como resposta de classe

O destaque teórico da conferência foi a intervenção de Ricardo Abreu de Melo, o “Alemão”, diretor da Fundação Maurício Grabois (PCdoB). Em uma análise histórica detalhada, Alemão sustentou que o fascismo não é um acidente, mas uma resposta das frações mais agressivas do capital financeiro às crises do sistema. “O neofascismo que emerge após a crise de 2007/2008 repete a lógica dos anos 1930: diante de uma crise estrutural de acumulação, busca-se reorganizar a hegemonia através de um movimento de massas reacionário e irracionalista”, afirmou Alemão.

Ele apontou que o fenômeno se baseia no medo de setores médios proletarizados e tem como alvo central a eliminação da esquerda organizada. Alemão também enalteceu a convergência de pensamento entre os conferencistas. E destacou que dado o desafio a vitória eleitoral no Brasil não será suficiente para vencer o fascismo. “É preciso desde já iniciar um novo processo de acumulação de forças na luta ideológica e na organização popular, especialmente entre os jovens”, afirmou. 

Esta visão foi complementada pelo historiador belga Erick Toussaint (CADTM), que pontuou como 50 anos de ofensiva neoliberal criaram o terreno de insegurança social e desilusão que a extrema direita explora ao inventar inimigos imaginários, como a “ameaça imigrante” ou o “Estado inchado”.

Walter Pomar (FPA/PT) reforçou que a atual fase de “senilidade” do capitalismo, simbolizada por figuras como Donald Trump, empurra o sistema para mecanismos extraordinários de dominação, onde a democracia liberal deixa de ser funcional para os interesses imperialistas.  “Derrotar o fascismo hoje significa derrotar o imperialismo, com ênfase no imperialismo norte-americano, e apenas uma esquerda com conteúdo de classe e horizonte socialista pode ser consequente nessa luta”, afirma Pomar. 

Consequências: guerra e desmonte social

As consequências dessa ofensiva foram expostas sob uma ótica internacionalista. A deputada federal Sâmia Bonfim (PSOL/SP) caracterizou o fascismo como o “botão de emergência” do capital, apontando a guerra como a saída escolhida para retomar a acumulação. Exemplos como o massacre na Palestina e as tentativas de desestabilização na Venezuela e Cuba foram citados como expressões desse cenário.

A eurodeputada galega Ana Miranda (BNG) relatou o avanço da extrema direita no Parlamento Europeu, que se traduz no ataque aos direitos das mulheres, diversidades e identidades nacionais, além de um modelo extrativista que agride o meio ambiente. Do Cone Sul, a argentina Jorgelina Matusevicius detalhou como o governo Milei representa a desmontagem acelerada de direitos sob um programa ultraliberal que exige autoritarismo para ser implementado.

Desafios: unidade e soberania

O encerramento do painel focou nos caminhos para a contraofensiva. O consenso entre os palestrantes foi de que não há derrota duradoura do neofascismo sem enfrentar o imperialismo e o próprio capitalismo.

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Com o horizonte das eleições de 2026 no Brasil, a conferência enviou um recado nítido: a vitória eleitoral de Lula e de parlamentares de esquerda é fundamental, mas deve ser acompanhada por uma acumulação estratégica de forças e pela mobilização permanente nas ruas, reafirmando que “outro mundo é possível e necessário”. Entre os desafios necessários para vencer o fascimo estão:

  • Internacionalismo Prático: A criação de uma internacional antifascista que organize ações unitárias e solidariedade material.
  • Agenda Ambiental: O vereador Giovani Culau (PCdoB/RS) defendeu a centralidade da luta climática, já que os povos periféricos são os mais atingidos pelos desastres gerados pelo sistema.
  • Mobilização de Base: O sindicalista uruguaio Gabriel Portillo enfatizou a necessidade de renovar as lutas nos locais de trabalho e construir sujeitos coletivos.
  • Disputa Programática: A urgência de superar os limites de gestões progressistas anteriores, combatendo a austeridade e defendendo a redução da jornada de trabalho e a soberania nacional.

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