
O ano de 2025 marcou o retorno do Brasil ao centro da agenda climática global ao sediar a COP30, em Belém, mas também escancarou as contradições internas de um país que avança no combate ao desmatamento e na diplomacia ambiental enquanto convive com retrocessos relevantes no Congresso Nacional. A expressiva redução da devastação florestal, o reposicionamento internacional do governo Lula e os acordos firmados na capital paraense contrastaram com a aprovação de medidas que fragilizam o licenciamento ambiental, ampliam o uso de agrotóxicos e atacam direitos territoriais indígenas.
O resultado é um retrato ambíguo: o Brasil voltou a ser referência climática global, mas segue sob disputa intensa entre projetos antagônicos de desenvolvimento.
Desmatamento em queda: política pública, fiscalização e pressão econômica
Entre 2023 e 2025, o governo federal promoveu uma inflexão clara na política ambiental brasileira. A retomada do Plano de Prevenção e Controle do Desmatamento na Amazônia Legal (PPCDAm), em sua quinta fase, recolocou o Estado no centro da estratégia de enfrentamento ao desmatamento, com a meta explícita de zerar a devastação até 2030.
Segundo Inamara Melo, diretora de Políticas para Adaptação e Resiliência à Mudança do Clima do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA), “além da realização da COP30 no Brasil, que ampliou o protagonismo do país no contexto internacional, a política climática no âmbito interno comemora várias conquistas”. Ao Portal Vermelho, ela destaca que o PPCDAm passou a articular de forma integrada ações de monitoramento, fiscalização, ordenamento fundiário e instrumentos econômicos.
O plano orientou a atuação coordenada de ministérios, Ibama, ICMBio, Funai, forças de segurança e bancos públicos, combinando operações de campo, embargo de áreas, multas e restrições de crédito para desmatadores. Como resultado, o desmatamento na Amazônia caiu mais de 50% em relação a 2022 e atingiu, no período de 12 meses até julho de 2025, o menor patamar em 11 anos. A redução também foi registrada em outros biomas, como o Cerrado.
Nos últimos três anos, reduzimos o desmatamento na Amazônia pela metade. Em 2025, a queda foi de 11,08%. Estes números são fruto do compromisso do nosso governo em zerar o desmatamento em todo o país até 2030 e das ações implementadas desde o início de nossa gestão.
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— Lula (@LulaOficial) October 30, 2025
Plano Clima e reconstrução da política climática
Outro marco estruturante de 2025 foi a aprovação do Plano Clima, a estratégia de longo prazo do governo federal para o enfrentamento das mudanças climáticas. “O ano de 2025 foi marcado pela aprovação do Plano Clima, o principal instrumento da política climática brasileira, alinhado ao Acordo de Paris e com o objetivo de reduzir as emissões de gases de efeito estufa e fortalecer a capacidade de adaptação do país até 2035”, explicou Inamara.
Elaborado no âmbito do Comitê Interministerial sobre Mudança do Clima (CIM), com a participação de 25 ministérios e amplo diálogo com a sociedade, o Plano Clima está estruturado em dois eixos centrais: adaptação e mitigação. O eixo da adaptação reúne a Estratégia Nacional de Adaptação e 16 planos setoriais e temáticos, com mais de 300 metas e 800 ações voltadas a áreas como cidades, agricultura, energia, recursos hídricos, saúde, cultura, igualdade racial e povos indígenas.
Já o eixo da mitigação estabelece compromissos como a redução entre 59% e 67% das emissões até 2035, o fim do desmatamento ilegal até 2030, a eliminação do desmatamento em geral até 2035 e a neutralidade de emissões até 2050.
Governança climática e federalismo ambiental
Inamara Melo também destaca o fortalecimento da governança climática multissetorial e multinível. Em 2025, o CIM ganhou novas instâncias, como as Câmaras Consultivas de Assessoramento Científico, Participação Social e Articulação Federativa, além da criação de subcomitês temáticos de Adaptação, Mitigação e Monitoramento e Avaliação.
“Essas estruturas fortalecem a governança climática ao promover maior organização temática, ampliar a capacidade de análise técnica e assegurar coordenação intersetorial mais eficiente”, afirmou. Para 2026, a expectativa é integrar essas instâncias de forma mais direta ao monitoramento do Plano Clima, ampliando a participação social e federativa.
Nesse contexto, o programa Adapta Cidades, no âmbito do Programa Cidades Verdes Resilientes, tornou-se um dos principais instrumentos de apoio a estados e municípios, com adesão de todos os estados brasileiros e 581 municípios.
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