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Empresários bancam anúncios de até R$ 340,5 mil contra o fim da escala 6×1

A pressão empresarial contra o fim da escala 6×1 saiu dos gabinetes e passou a ocupar de forma paga as redes sociais. Segundo informações obtidas pelo jornalista Raphael Di Cunto e publicadas na coluna Painel, da Folha de S.Paulo, a Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel) gastou entre R$ 28,1 mil e R$ 33,2 mil para impulsionar 19 publicações em defesa do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), por não acelerar a tramitação da PEC 221/2019.

Os anúncios foram exibidos entre 2,6 milhões e 3,2 milhões de vezes no Instagram e no Facebook. Parte da campanha foi direcionada exclusivamente ao Amapá, estado de Alcolumbre. A entidade gastou pelo menos R$ 9,2 mil para obter entre 880 mil e 1 milhão de impressões no estado, número superior à população amapaense. Uma das peças trazia uma fotografia do senador acompanhada da frase “o trabalhador está com você”.

Desde fevereiro, a Abrasel investiu entre R$ 261,6 mil e R$ 340,5 mil em 299 publicações contra a proposta. Os conteúdos somaram entre 34,6 milhões e 35,9 milhões de impressões. A entidade também contratou cerca de 300 anúncios no Google, mas a plataforma não informa os valores desembolsados nem o alcance obtido.

Pressão pelo adiamento

A ofensiva digital acompanha a movimentação de representantes da indústria, do comércio, dos transportes, da agropecuária, da saúde e da educação no Congresso. Em maio, dirigentes empresariais procuraram Alcolumbre para defender que a discussão fosse adiada para depois das eleições. O presidente da Fiesp, Paulo Skaf, afirmou que o tema deveria ser tratado por meio de negociação coletiva, e não por uma mudança constitucional.

O presidente da Abrasel, Paulo Solmucci, declarou ao Painel que os anúncios foram uma resposta à campanha institucional do governo e ao que chamou de ataques digitais da esquerda. Segundo ele, o objetivo era proteger senadores que resistiam à votação e defender um debate mais longo sobre os impactos da redução da jornada.

A associação também impulsionou conteúdos favoráveis à PEC 12/2026, apresentada por Rogério Marinho (PL-RN) como alternativa ao texto aprovado pela Câmara. A proposta cria um regime flexível no qual o empregado poderia receber apenas pelas horas efetivamente trabalhadas. Ao contrário da PEC 221, o texto não garante a manutenção da remuneração mensal com a redução da jornada.

A PEC que acaba com a escala 6×1 foi aprovada na Câmara com 461 votos favoráveis e 19 contrários no segundo turno. O texto reduz a jornada para 40 horas semanais, distribuídas em cinco dias de trabalho, garante dois dias de descanso e impede a redução dos salários.