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EUA bombardeiam Irã em meio a negociações para encerrar guerra

Os Estados Unidos realizaram novos ataques militares contra o Irã na noite de segunda-feira (25), atingindo alvos na província de Hormozgan, no sul do país, em meio às negociações de cessar-fogo conduzidas no Catar. 

A ofensiva levou Teerã a acusar Washington de violar os termos da trégua em vigor desde abril e ampliou as dúvidas sobre a viabilidade de um acordo para encerrar a guerra iniciada em fevereiro.

Segundo o Comando Central dos EUA (Centcom), os bombardeios tiveram como alvo embarcações iranianas suspeitas de instalar minas no Estreito de Ormuz e locais de lançamento de mísseis em Bandar Abbas. 

Washington classificou a operação como uma ação “defensiva” para proteger tropas e ativos norte-americanos na região.

O ministério das Relações Exteriores do Irã reagiu afirmando que os ataques representam uma “grave violação” do cessar-fogo e responsabilizou os Estados Unidos por “todas as consequências” das ações militares. 

A Guarda Revolucionária declarou que se reserva o direito “legítimo e definitivo” de retaliar quaisquer novas violações do território iraniano.

A mídia estatal iraniana informou que explosões foram ouvidas em Bandar Abbas durante a madrugada desta terça-feira (26). 

Segundo a televisão iraniana, os ataques norte-americanos atingiram duas lanchas rápidas da Guarda Revolucionária no Golfo Pérsico, deixando quatro militares mortos. 

Em resposta, as defesas aéreas iranianas afirmaram ter abatido um drone MQ-9 Reaper e repelido outras aeronaves norte-americanas que atuavam sobre o Estreito de Ormuz.

Negociações seguem travadas

Os ataques ocorreram enquanto autoridades iranianas participavam, em Doha, de novas conversas mediadas pelo Catar para tentar construir um memorando de entendimento que possa interromper a guerra e reabrir plenamente o Estreito de Ormuz. 

O principal negociador iraniano, Mohammad Baqr Qalibaf, o chanceler iraniano e representantes do Banco Central do país estiveram reunidos com o primeiro-ministro catariano.

Apesar dos sinais de avanço, os dois lados seguem evitando anunciar um acordo iminente. 

O secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, afirmou nesta terça-feira que as negociações ainda podem “levar alguns dias”, enquanto o porta-voz da diplomacia iraniana declarou que houve progresso em “grande parte dos temas discutidos”, mas negou que exista entendimento fechado.

Entre os principais impasses estão o programa nuclear iraniano, o descongelamento de ativos financeiros bloqueados no exterior e o levantamento das sanções econômicas impostas por Washington. 

Segundo fontes iranianas citadas pela Reuters, Teerã busca a liberação de cerca de US$24 bilhões congelados no exterior como parte do acordo preliminar.

Guerra pressiona economia global

O conflito entre EUA, Israel e Irã já dura mais de 80 dias e provocou forte impacto no mercado internacional de energia. 

O bloqueio parcial do Estreito de Ormuz — por onde normalmente passa cerca de 20% do petróleo mundial — reduziu drasticamente o fluxo de navios na região. 

Segundo a Reuters, apenas algumas dezenas de embarcações têm cruzado diariamente a hidrovia, contra até 140 antes da guerra.

Após os novos ataques norte-americanos, o barril do petróleo Brent voltou a subir e se aproximou de US$ 99. 

O aumento pressiona os preços de combustíveis, fertilizantes e alimentos em diferentes partes do mundo, ampliando o impacto econômico internacional do conflito.

Em publicação na rede Truth Social, Donald Trump afirmou que as negociações com o Irã estavam indo “bem”, mas voltou a ameaçar Teerã caso não haja acordo. “Só haverá um grande acordo para todos ou nenhum acordo”, escreveu o presidente norte-americano.

No Irã, o líder supremo aiatolá Mojtaba Khamenei afirmou que “o relógio não pode ser voltado para trás” e declarou que os países da região “não servirão mais como escudo para bases americanas”.cccccccccccc

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