A empresa Allianz, principal patrocinadora do Palmeiras (2013-2026), tornou-se a maior financiadora estrangeira de Israel, detendo mais títulos do governo israelense — que são emitidos pelos governos para arrecadar dinheiro para gastos públicos ou para pagar dívidas — do que os EUA, o Reino Unido, a França e todos os outros países juntos.
A gigante alemã de seguros e serviços financeiros, juntamente com sua subsidiária de gestão de títulos, a PIMCO, com sede na Califórnia, é a maior gestora ativa de papéis do mundo.
Dados compartilhados com o Middle East Eye (MEE) pela Profundo, uma empresa de pesquisa de sustentabilidade com sede em Amsterdã, mostram que, até setembro de 2025, o grupo Allianz havia acumulado aproximadamente R$ 13,7 bilhões (US 2,67 bilhões) em títulos do governo israelense em suas diversas subsidiárias de fundos.
Isso representava 51,8% de todos os ativos não israelenses registrados no conjunto de dados naquele momento. Ou seja, durante o auge da campanha militar e genocida de Tel Aviv em Gaza, a Allianz-PIMCO detinha mais títulos de guerra israelenses do que o resto do mundo junto.
“Diante do genocídio em curso em Gaza, os investimentos contínuos da PIMCO em dívida soberana israelense demonstram um claro desrespeito às responsabilidades em matéria de direitos humanos e às obrigações legais internacionais”, afirma ao MEE, Max Hammer, ativista do BankTrack, organização que monitora o impacto dos bancos comerciais sobre os direitos humanos.
A compra de títulos de um governo sob investigação ativa de genocídio acarreta riscos legais e de reputação que vão muito além do investimento comum em dívida soberana, mas os investidores têm sido bem compensados por assumir esse risco.

Foto: Reprodução / Allianz site
Os títulos do governo israelense emitidos durante a guerra apresentaram uma taxa de juros média de aproximadamente 5,56%, em comparação com 1,4% para as emissões anteriores à guerra. Dessa forma, as vendas colaboram no financiamento das guerras em Gaza, Líbano e no Irã.
“Essas ações também colocam a PIMCO em desacordo com muitos de seus pares, que, compreensivelmente, decidiram reduzir suas emissões de títulos israelenses”, diz Hammer , acrescentando que as “organizações de direitos humanos, especialistas jurídicos internacionais e funcionários da ONU – incluindo Francesca Albanese – deixaram claro que financiar Israel significa inevitavelmente contribuir para graves violações dos direitos humanos e crimes de guerra”.
O relatório da Profundo rastreia investidores institucionais internacionais em títulos do governo israelense em quatro momentos distintos entre o final de 2024 e o início de 2026. De acordo com os dados, o total de ativos não israelenses aumentou de R$ 5,97 bilhões (US 1,16 bilhão) em novembro de 2024 para pelo menos R$ 25,36 bilhões (US 4,91 bilhões) em março de 2026.
Isso demonstra um crescimento de quatro vezes em pouco mais de um ano, à medida que as guerras de Israel em Gaza e no Líbano continuavam e os ataques à Cisjordânia ocupada se intensificaram.
Esse impulsionamento foi provido pela Alemanha e os Estados Unidos, que, juntos, detinham 90,7% de todas as participações não israelenses no início de 2026 – R$ 22,94 bilhões (US 4,45 bilhões) do total de R$ 25,28 bilhões (US 4,91 bilhões). Em contrapartida, todos os outros países, em conjunto, representavam menos de 10%.
Em novembro de 2024, o grupo Allianz – abrangendo suas principais operações na Alemanha, a plataforma de fundos da PIMCO nos EUA, a PIMCO Europe e a Allianz Global Investors – detinha apenas R$ 164,8 milhões (US 32 milhões) em títulos israelenses. Menos de um ano depois, em setembro de 2025, esse valor havia crescido para R$ 13,42 bilhões (US 2,6 bilhões).
A dimensão do aumento – e sua concentração em um único grupo empresarial – não tem paralelo algum no conjunto de dados da Profundo.
Ward Warmerdam, pesquisador sênior da Profundo, disse ao MEE: “A Allianz, por meio da PIMCO, é de longe a maior investidora não israelense em títulos soberanos israelenses e tem sido assim desde os ataques de 7 de outubro. Ela não se desfez desses títulos, mesmo após as alegações de genocídio terem sido apresentadas ao Tribunal Internacional de Justiça”.
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