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Exército de Lula vira trincheira internacional contra a extrema direita

A extrema direita apostou que o Brasil seria mais uma peça de sua engrenagem internacional. A vitória de Lula frustrou esse plano e colocou o país na contramão da ofensiva conservadora que avança sobre diferentes partes do mundo. Agora, enquanto a direita compartilha métodos, discursos e estratégias para ampliar seu poder, a esquerda começa a olhar para a experiência brasileira em busca de caminhos para enfrentá-la. O Exército de Lula, que mobilizou milhões de pessoas nas redes durante a campanha, já inspira grupos na França, Espenha e Argentina.

O movimento já produz desdobramentos concretos. O deputado federal André Janones, um dos principais articuladores da estratégia digital na campanha de Lula, confirmou que viajará a Madri no domingo, 1º de novembro, para ajudar o primeiro-ministro espanhol Pedro Sánchez na disputa eleitoral de 29 de novembro. Na França, militantes inspirados no modelo brasileiro organizaram o grupo Les Soldats Insoumis. Na Argentina, apoiadores do peronismo também criaram seu próprio exército digital.

Não se trata apenas de importar uma técnica de comunicação. O que essas experiências procuram reproduzir é uma forma de mobilização capaz de transformar a presença nas redes em força política organizada e disputar com a extrema direita um espaço que, durante anos, ela ocupou com ampla vantagem.

O Exército de Lula chegou a cerca de 10,8 milhões de seguidores no WhatsApp e transformou apoiadores em agentes ativos da campanha, com vídeos, hashtags e conteúdos que circulavam muito além dos canais oficiais. A comunicação deixou de depender apenas das páginas de campanha: cada militante podia ampliar o alcance das mensagens e trazer mais gente para a disputa.

Da França à Argentina, a experiência brasileira ganha adeptos

Na França, a experiência brasileira já inspira militantes da França Insubmissa, partido de Jean-Luc Mélenchon. O grupo não oficial Les Soldats Insoumis reunia mais de 15 mil integrantes no WhatsApp em 27 de outubro, segundo a RFI. A repercussão levou o próprio partido a criar um canal oficial para a campanha presidencial. A eleição francesa está prevista para abril de 2027.

Na Argentina, o Exército do Peronismo, ligado a apoiadores do kirchnerismo, também adotou o modelo. O canal de WhatsApp divulgado pela iniciativa reunia mais de 32 mil participantes, segundo a mesma reportagem.

A inspiração brasileira, porém, não significa que a estratégia possa ser transplantada sem adaptações. Silvia Capanema, integrante da França Insubmissa e professora da Universidade Sorbonne Paris Nord, destacou à RFI que as condições políticas dos dois países são diferentes. Se no Brasil a esquerda enfrentava dificuldades para ampliar sua presença nas redes, na França, segundo ela, o desafio é maior nos meios de comunicação tradicionais.

Pedro Sánchez olha para o Brasil

O interesse espanhol dá dimensão política a esse movimento. Pedro Sánchez manifestou publicamente sua inspiração na vitória de Lula e escreveu, após o resultado brasileiro: “O que aconteceu no Brasil acontecerá na Espanha. A retomada do progressismo global acaba de começar”.

A aproximação com Janones transforma essa identificação em uma iniciativa concreta. O deputado deve colaborar com a campanha do Partido Socialista Operário Espanhol (PSOE) antes da votação de 29 de novembro. A disputa ocorre em um cenário de pressão da direita e da extrema direita sobre o governo espanhol, que tenta preservar espaço para uma agenda progressista.

A imprensa internacional também reconheceu o peso da eleição brasileira. Veículos como The New York Times, Le Monde e Die Zeit trataram a vitória de Lula como um revés para a expansão da extrema direita e um obstáculo à guinada conservadora na América Latina. O resultado contrariou a expectativa de que o bolsonarismo pudesse consolidar no Brasil um projeto alinhado à ofensiva internacional da direita, em sintonia com Donald Trump.

Brasil se firma como muralha contra a extrema direita internacional

A extrema direita aprendeu a atuar além das fronteiras, compartilha estratégias e alimenta uma ofensiva internacional. A vitória de Lula mostrou que esse avanço pode ser barrado. Mesmo sob a pressão do bolsonarismo, da desinformação e dos grandes interesses econômicos, a esquerda venceu. Agora, sua experiência inspira outros países.

O Exército de Lula é parte dessa história. Não existe fórmula pronta, mas uma lição política: a extrema direita não tem o monopólio das redes, nem o destino das urnas está escrito de antemão.

O Brasil, que poderia ter se convertido em mais uma plataforma de expansão desse projeto, tornou-se uma muralha contra a extrema direita. A vitória de Lula alimenta a esperança de que a esquerda possa se reorganizar e impor novas derrotas às forças conservadoras.

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