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Famílias celebram conquista da terra no pré-assentamento João Gomes, em Linhares (ES)

Foto: Lucas Stefanelli

Por Mariana Motta
Da Página do MST

Cerca de 150 pessoas participaram do Ato Político em Defesa da Reforma Agrária e Contra as Violências dos povos no pré-assentamento João Gomes em Linhares (ES), no sábado (06 de junho).

A atividade foi importante para selar a conquista das famílias que, após 11 anos de lutas e resistência na lona preta e tendo enfrentado 3 despejos com saídas da área, finalmente dão um novo passo.

Depois da comprovação de que a área é apta para fins de Reforma Agrária, foi realizado o processo de georreferenciamento junto ao INCRA, com atenção às áreas coletivas e áreas de APP, foi realizado o sorteio dos lotes para que as famílias possam ocupar de fato a área de produção em definitivo, construir suas moradias e lavouras.

Foto: Lucas Stefanelli

Depois do ato político as famílias realizaram plantio de arvores frutíferas e nativas como símbolo do compromisso do Movimento do MST com a natureza e uma ação da Jornada em Defesa da Natureza e seus Povos na semana do Meio Ambiente.

Sandra Vicente tem 52 anos e mora no pré-assentamento João Gomes fala com alegria do seu sentimento de pertencimento ao território “o povo me acolheu de uma forma muito boa, eu não tenho vontade de sair e cheguei anos atrás no acampamento e eu não pretendo sair daqui pra ir pra cidade novamente porque aqui a minha vida vida melhorou muito.”

A pré-assentada Vanusa Rodrigues tem 51 anos e relata com entusiasmo que sempre viveu no campo, sua família era meeiros de proprietários de terra então desde a infância viveu a angústia de trabalhar e ter pouco do fruto do seu trabalho na agricultura. “Eu vi no MST o amparo de ter uma vida saudável, com qualidade de vida pra família pra mim, meus netos, pros filhos dos meus netos…” Agora com a organização dos lotes definitivos Vanusa faz planos “eu vou ter uma oportunidade implementar o sistema de agroflorestal, poder dar uma vida digna pra família e cultivar ainda mais meu próprio alimento.”.

Acampamento produtivo João Gomes: Produzindo alimentos ainda no processo de luta pela terra

Foto: Lucas Stefanelli

Mesmo no processo de luta pela terra, sem a conquista efetivada as famílias já produzem em seus quintais produtivos para a sua subsistência e com produção excedente para comercialização e doações, somando assim mais de 30 hectares de terras produtivas com uma diversidade de produção e criação de pequenos animais, muitas vezes invejável por outros moradores circunvizinhos.

Essas produções são: feijão, milho, abóbora, mandioca, aipim, melancia, inhame, batata-doce, banana, maracujá, cana de açúcar, coco, pimenta do reino e de cheiro, café, cacau, além de produtos de hortaliças diversas, seja legumes, folhagens ou cheiro verde. Além dessas produções as famílias acampadas criam os pequenos animais, como: galinha, porco caipira, patos, peru, galinha da angola, peixes e paulatinamente se preocupando com o meio ambiente, pois fazem plantações de arvores nativas e frutíferas nos espaços individuais e coletivos.

Fotos: Lucas Stefanelli

Nailde é acampada há 11 anos, passou pelos três atos de despejo com as demais famílias do acampamento e relembra sobre a importância da produção agrícola das famílias especialmente no período da pandemia “estivemos aqui trabalhando, plantando e na pandemia a gente pôde ajudar quem tava na cidade com várias toneladas de alimentos que foram tiradas daqui”.

Marinete, que também está no pré-assentamento João Gomes tem 15 anos na luta pela terra com objetivo de reforma agrária e sonha com seu lote no novo assentamento “meu sonho é ter uma vida digna, uma vida melhor, poder produzir alimentos saudáveis para nós e pra população em geral, evitando o veneno porque o veneno só nos traz a falta de saúde.”

Conhecendo um pouco mais sobre o pré-assentamento João Gomes

Foto: Lucas Stefanelli

Localizado na comunidade Palhal, Distrito de Bebedouro, Município de Linhares/ES, o pré-assentamento é fruto de 4 ocupações de terra neste mesmo local, sendo elas 3 despejos. A primeira ocupação aconteceu em 4 de maio de 2015, em sequência o despejo. As mesmas famílias tornaram reocupar pela segunda vez em 20 de agosto de 2015, mesmo a área sendo improdutiva tiveram um segundo despejo. Em 17 de abril de 2017 reocuparam a área pela terceira vez, portanto, o terreno já pertencia ao Governo do Estado do Espírito Santo e mesmo com essa insistência e a área já pertencente ao Governo do Estado obtiveram um terceiro despejo.

Como a maioria das famílias não tinham para onde ir, mantiveram mobilizados, e em 14 de junho de 2019 reocuparam pela quarta vez a mesma área e no mesmo local. Desde esta última ocupação já se passaram mais de 07 anos de lutas e resistências. Em que as famílias residem morando ainda na condição de acampadas, mas produzindo para sua subsistência, para a comercialização local e processos de doação de alimentos com o conjunto do MST no Estado.
Durante estes mais de 07 anos as famílias foram se estruturando e criando pertença à terra e ao local, fazendo planos para sua vida em vista da criação do assentamento, sonhando e acreditando na homologação do assentamento por conhecerem o espaço, entendendo que a terra pertence ao governo do Estado, entendendo que ela é pública, por isso deve cumprir sua função social e ser destinada à Reforma Agrária para a criação do assentamento.

Foto: Lucas Stefanelli

*Editado por Fernanda Alcântara

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