
A Federação Brasil da Esperança realizou, nesta segunda-feira (2), uma reunião nacional na qual renovou seus compromissos com a defesa do Brasil e da democracia.
“É hora de uma profunda consciência das forças de esquerda, democráticas e de defesa da soberania, acerca da necessidade de uma unidade forte. A Federação pode e deve ser o núcleo duro dessa luta”, afirma Nádia Campeão, presidenta em exercício do PCdoB.
A seguir, confira a entrevista com Nádia sobre a reunião.
Vermelho – Como avalia o papel da Federação nestes quatro anos de existência?
Nádia – A Federação surgiu de uma dupla necessidade. De um lado, as regras antidemocráticas que proibiram as coligações proporcionais e que visam essencialmente acabar com os partidos ideológicos e populares, impondo cláusulas de barreira crescentes. No fundo, o objetivo deles é extirpar qualquer partido que seja um crítico efetivo do sistema. E por outro lado, estávamos diante de um governo de extrema direita e precisávamos ampliar a unidade do campo popular como núcleo de uma frente ampla em torno da democracia. A Federação surge com um instrumento para aglutinar forças que têm unidade de combate, sem apagar as diferenças políticas e ideológicas de cada organização. Temos exemplos de vários países que formam essas frentes. O exemplo mais próximo e positivo é o da Frente Ampla do Uruguai.
É um período curto de construção, mas podemos afirmar que a Federação cumpriu um papel bastante positivo para a vitória de Lula, por defender claramente uma Frente em defesa da democracia. E possibilitou também que nossos partidos, unidos, não ficassem prisioneiros das normas antidemocráticas das cláusulas.
Vermelho – Na última segunda, a Federação foi renovada. Suas motivações prevalecem?
Nádia – Tivemos a vitória de Lula e avanços importantes, mas a luta recrudesceu. A ascensão da extrema direita ao governo do imperialismo decadente, com Trump, exige das forças de esquerda e democráticas uma profunda consciência das ameaças que estão postas para a paz mundial, para a soberania do Brasil e para a vida de nosso povo. Nós do PCdoB consideramos imprescindível uma nova vitória de Lula em 2026 para o Brasil, para a América Latina e para o Mundo. A sociedade segue dividida, a disputa é acirrada e Trump e as Big Techs vão atuar para nossa derrota. É hora de uma profunda consciência das forças de esquerda, democráticas e de defesa da soberania, acerca da necessidade de uma unidade forte. A Federação pode e deve ser o núcleo duro dessa luta.

Vermelho – Na reunião da Federação houve mudança na presidência?
Nádia – Somos três partidos, por enquanto. Todas as decisões visam o consenso possível. Nenhum partido isoladamente pode impor sua visão. A experiência foi de muito debate e unidade. Na questão da presidência há um rodízio de titularidade. Já foram presidentes a Gleisi Hoffmann (PT), a Luciana Santos (PCdoB) e o José Luiz Penna (PV). Agora, o Edinho Silva, como presidente do PT, assume para o próximo período. Tem sido tranquila e positiva essa experiência de alternância anual na presidência.
Vermelho – Nas últimas duas eleições houve a participação efetiva da Federação. Como foi a experiência?
Nádia – Na eleição de 2022 foi uma guerra, como já me referi. A combinação de Frente Ampla e da liderança do presidente Lula nos levou à vitória, apertada e difícil. Todo nosso campo sofre dificuldades desde 2018. Então a Federação foi indispensável, como núcleo, para nossa vitória e para barrar a extrema direita. Em 2024 seguiu a polarização e as eleições municipais são mais complexas. Todo nosso campo teve dificuldades de desempenho. A federação nacional fez debate sobre todas as cidades de segundo turno. Foi um exercício árduo, mas positivo. No que pese nosso campo não ter colhido vitórias expressivas, o fator determinante foi o quadro político adverso e a sociedade ainda dividida e polarizada.
Vermelho – E o futuro da Federação?
Nádia – A questão central é garantir a vitória de Lula e nosso campo, nas próximas eleições. Mas, precisamos avançar nas plataformas e ações conjuntas, buscando formar uma estratégia única de combate ao imperialismo e à extrema direita. Penso que devemos debater também a ampliação da Federação com outras forças do nosso campo, como PDT, Psol, Rede e PSB.
É preciso que nosso campo, com amplitude e radicalidade, seja capaz de abrir caminho para um patamar de desenvolvimento econômico e social para o país, de maneira soberana e democrática. Isso vai exigir luta social, clareza de objetivos e uma grande unidade de um núcleo de forças.
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