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Ferroviários entram em greve contra privatização de Tarcísio em São Paulo

Os trabalhadores ferroviários de São Paulo iniciaram nesta terça-feira (4) uma greve por tempo indeterminado nas linhas 11-Coral, 12-Safira e 13-Jade, em protesto contra a política de privatizações do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) e diante da falta de garantias para os empregos e direitos da categoria.

A paralisação ocorre duas semanas depois de a concessionária Trivia Trens assumir as três linhas e acumular problemas que culminaram, por exemplo, no incêndio em uma composição da Linha 12-Safira.

Diante das falhas, o próprio governo estadual determinou que a estatal CPTM retomasse temporariamente a operação. Os ferroviários foram chamados de volta para manter o serviço, mas afirmam não ter recebido garantias de que continuarão empregados quando terminar o período emergencial de 90 dias.

Esse é um dos principais pontos da greve. Cerca de 4 mil trabalhadores têm o futuro profissional ameaçado pela transferência das linhas para a iniciativa privada, segundo o Sindicato dos Trabalhadores em Empresas Ferroviárias da Zona Central do Brasil (STEFZCB).

A categoria exige a manutenção dos empregos e dos direitos trabalhistas e defende que as linhas 11, 12 e 13 permaneçam definitivamente sob responsabilidade da CPTM.

Os ferroviários também apoiam o Projeto de Lei 730/2025, em tramitação na Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp), que prevê o reaproveitamento de empregados da CPTM por órgãos públicos estaduais nos casos de concessão de linhas.

Ferroviários questionam segurança das concessões

Os sindicatos apontam problemas de treinamento e segurança na transição para a Trivia e argumentam que as falhas registradas desde a concessão mostram os riscos da substituição de trabalhadores experientes da CPTM.

“Esse conhecimento está intrínseco em cada trabalhador, querendo operar e fazer o seu serviço para manter os padrões históricos de segurança conquistados em São Paulo”, afirmou Fernando Ricardo Santos da Costa, integrante do conselho fiscal do sindicato.

Segundo levantamento da TV Globo citado pelas entidades sindicais, o número de falhas em trens e metrôs de São Paulo cresceu 27% no primeiro semestre de 2026 em relação ao mesmo período do ano anterior, superando uma ocorrência por dia. As linhas concedidas à iniciativa privada concentraram os maiores aumentos.

Na Linha 7-Rubi, que passa por processo de transferência para a TIC Trens, o crescimento das ocorrências chegou a 600%. Os sindicatos também apontam problemas recorrentes nas linhas 5-Lilás, 8-Diamante e 9-Esmeralda, operadas pela ViaMobilidade.

Os sindicatos criticam ainda o modelo financeiro das concessões. De acordo com estimativa da Federação Nacional dos Metroferroviários (Fenametro), aproximadamente 75% dos investimentos previstos no sistema continuam sendo bancados pelo governo estadual, apesar da transferência da operação para empresas privadas.

Privatização terminou em incêndio e retorno da CPTM

O episódio mais grave ocorreu em 23 de julho, apenas três dias depois de a Trivia assumir integralmente a operação das linhas 11, 12 e 13.

Um curto-circuito provocou um incêndio em uma composição da Linha 12-Safira, próximo à região do Brás. A falha levou ao desligamento de subestações de energia e afetou as três linhas em pleno horário de pico.

Passageiros precisaram deixar composições e caminhar pelos trilhos. Mais cedo naquele mesmo dia, uma falha elétrica já havia interrompido a circulação das linhas.

Diante dos problemas, a Agência Reguladora de Serviços Públicos Delegados de Transporte do Estado de São Paulo (Artesp) suspendeu temporariamente a operação exclusiva da Trivia e determinou o retorno das três linhas à CPTM. A estatal permanecerá responsável pela operação e manutenção por pelo menos 90 dias, enquanto a concessionária retorna à fase pré-operacional.

Poucos dias depois de transferir as linhas à iniciativa privada, o governo Tarcísio teve de devolver a operação à CPTM diante das falhas da concessionária.

Para os ferroviários, a situação reforça uma das principais reivindicações da greve: se os trabalhadores da CPTM foram chamados para recuperar e manter as linhas funcionando, seus empregos não podem ficar ameaçados ao final dos três meses.

“A categoria da CPTM, já que consegue ficar esses 90 dias arrumando os erros, tem o direito de continuar exercendo seu trabalho como empresa, como modelo público de gestão, preocupada com o serviço e não preocupada com lucros”, afirmou Fernando Ricardo.

O governador chegou a admitir que a Trivia poderá perder a concessão caso não cumpra as obrigações previstas no contrato.

Categoria deu prazo ao governo

A paralisação não foi decidida de última hora. Os ferroviários aprovaram o indicativo de greve em assembleia realizada em 24 de julho, um dia depois do incêndio na Linha 12.

Na ocasião, a categoria estabeleceu 31 de julho como prazo para que o governo Tarcísio apresentasse uma contraproposta às reivindicações. Sem acordo, uma nova assembleia realizada na noite de segunda-feira (3) confirmou a paralisação a partir da meia-noite.

Entre as reivindicações estão a garantia dos empregos, a preservação dos direitos dos trabalhadores durante a transferência das linhas, a aprovação do PL 730/2025 e a reversão da concessão das linhas 11, 12 e 13.

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