Notícias

Flávio Bolsonaro chega isolado ao fim do prazo das coligações e terá menos tempo de TV que Lula

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) chega ao limite do prazo das convenções partidárias completamente isolado na disputa presidencial. Nesta terça-feira (4), o Republicanos confirmou, em convenção nacional realizada em Brasília, a decisão de manter neutralidade no pleito nacional.

A definição frustrou a última tentativa do pré-candidato do PL de atrair uma legenda de grande porte do chamado centrão para a sua composição eleitoral.

Com a postura oficial do Republicanos, o filho 01 do ex-presidente Jair Bolsonaro, preso por tentativa de Golpe de Estado, perde a oportunidade de ampliar o arco de alianças e deverá disputar a Presidência da República em uma chapa puro-sangue, constituída estritamente por candidatos do PL.

Sem legendas parceiras no plano nacional, o tempo de propaganda eleitoral gratuita no rádio e na televisão destinado ao pretenso chefe do bolsonarismo será consideravelmente inferior ao do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que disputa a reeleição sustentado por uma ampla frente partidária de esquerda e centro-esquerda.

Segundo o calendário oficial do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), o período reservado às convenções partidárias para deliberar sobre coligações e formalizar candidaturas iniciou-se em 20 de julho e encerra-se nesta quarta-feira (5). O prazo final para o registro oficial das chapas na Justiça Eleitoral segue aberto até o dia 15 de agosto.

Oficializado pelo PL no dia 25 de julho, Flávio Bolsonaro lançou sua pré-candidatura sem a indicação de um nome para a vice-presidência e sem o apoio formal de partidos tradicionais. Desde então, o senador articulou investidas na tentativa de atrair siglas como PP, União Brasil, Republicanos e Podemos, mas todas optaram pelo afastamento da candidatura bolsonarista.

A federação União Progressista, formada por PP e União Brasil, já havia formalizado a escolha pela neutralidade no cenário nacional. O Podemos caminha na mesma direção e deve oficializar a decisão até esta quarta-feira (5). A definição do Republicanos nesta terça-feira consolidou o isolamento político da candidatura da extrema-direita.

Na convenção do Republicanos, 17 das 27 instâncias estaduais votaram a favor da neutralidade, enquanto nove defenderam o engajamento na chapa do PL e apenas um diretório posicionou-se favorável ao apoio à candidatura do presidente Lula.

O presidente nacional da sigla, Marcos Pereira, ressaltou a distinção entre posições individuais e a deliberação colegiada.Pereira afirmou que não poderia impor seu voto pessoal e mencionou que o diretório de São Paulo propunha a aliança com Flávio Bolsonaro. No entanto, o dirigente pontuou que a decisão soberana do diretório nacional prevaleceu com o objetivo de preservar a unidade interna da legenda e evitar prejuízos às bancadas proporcionais, sobretudo nos estados da Região Nordeste.

A neutralidade do Republicanos inviabilizou a indicação da economista Daniella Marques, filiada à legenda, para compor a vaga de vice na chapa de Flávio. Diante disso, o PL voltou as atenções para soluções caseiras, passando a avaliar nomes do próprio partido, a exemplo do senador Rogério Marinho (RN) e das deputadas federais Júlia Zanatta (SC) e Priscila Costa (CE).

De acordo com as regras estabelecidas pelo TSE, 90% do tempo do horário eleitoral gratuito é distribuído proporcionalmente ao tamanho das bancadas eleitas para a Câmara dos Deputados no pleito de 2022. Os 10% restantes são divididos de forma igualitária entre todas as forças políticas com representação.

Projeções formuladas a partir dos dados das bancadas indicam que, na configuração atual, a coligação encabeçada pelo presidente Lula, composta por PT, PCdoB, PV, PSB, PDT e PSOL/Rede(entre outras forças progressistas), terá direito a um tempo estimado entre 5 minutos e 28 segundos e 5 minutos e 34 segundos por bloco de 12 minutos e 30 segundos.

Em contrapartida, Flávio Bolsonaro, restrito à bancada isolada do PL, deverá dispor de aproximadamente 4 minutos e 18 segundos a 4 minutos e 24 segundos. A diferença representa uma desvantagem de cerca de 20% no tempo de rádio e televisão para o candidato de oposição. Avaliações técnicas indicam que a eventual entrada do Republicanos na coligação alteraria o cálculo, garantindo uma ligeira vantagem ao liberal.

Conforme as regras vigentes, apenas quatro candidaturas deverão ter acesso ao horário eleitoral na televisão e no rádio: Lula, Flávio Bolsonaro, Ronaldo Caiado (PSD) e Augusto Cury (Avante). Os pré-candidatos de legendas que não atingiram a cláusula de barreira na última eleição geral, como Romeu Zema (Novo) e Renan Santos (Missão), não terão espaço na propaganda gratuita.

A articulação política promovida pelas forças governistas para conter a expansão das alianças de Flávio Bolsonaro no centro político obteve êxito na reta final do prazo legal. Partidos como PP, União Brasil e Republicanos ponderaram que a postura de neutralidade assegura maior flexibilidade pragmática para interlocuções futuras, além de evitar o desgaste associado à vinculação com uma candidatura desgastada por apurações e crises políticas.

Leia mais: Quaest: Lula ganharia em todos os cenários

Com o encerramento das convenções marcado para esta quarta-feira (5), o pré-candidato do PL ingressa na fase decisiva da campanha eleitoral sem coligações nacionais e com uma estrutura de comunicação inferior à da chapa liderada pelo presidente da República. A configuração das alianças evidencia o enfraquecimento do campo bolsonarista no sistema partidário tradicional, em contraste com a consolidação do bloco progressista.

O post Flávio Bolsonaro chega isolado ao fim do prazo das coligações e terá menos tempo de TV que Lula apareceu primeiro em Vermelho.