
A candidatura presidencial de Flávio Bolsonaro (PL) ganhou um novo foco de desgaste poucas horas após o anúncio do deputado federal Alfredo Gaspar (PL-AL) como candidato a vice-presidente. Apresentado nesta quarta-feira (5), o parlamentar é alvo de um inquérito no Supremo Tribunal Federal (STF) por suspeita de estupro de vulnerável e também responde a uma investigação no Tribunal de Contas da União (TCU) por suposto desvio de R$ 6 milhões em emendas parlamentares. Gaspar nega as acusações.
A revelação atinge uma candidatura que já enfrentava dificuldades para ampliar sua base de apoio. Depois de semanas de negociações frustradas com nomes do Centrão e de outras legendas, o PL acabou recorrendo a uma chapa formada exclusivamente por integrantes da própria sigla. Recém-filiado ao partido, Gaspar foi escolhido mais pela proximidade com Flávio Bolsonaro do que por sua capacidade de agregar alianças nacionais.
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Suspeita de estupro e investigação por emendas
Segundo reportagem da Folha de S.Paulo, o pedido de abertura do inquérito no STF foi apresentado pela Polícia Federal em abril deste ano, com base em acusações levadas pelo deputado Lindbergh Farias (PT-RJ) e pela senadora Soraya Thronicke (PSB-MS). A notícia-crime sustenta que há documentos e áudios indicando que Gaspar teria mantido uma relação com uma adolescente de 13 anos, que teria resultado em uma gravidez, além de supostas tentativas de suborno para manter o silêncio da família.
A CartaCapital informou que o caso tramita sob sigilo no STF. Segundo a publicação, o ministro Gilmar Mendes, relator do processo, solicitou manifestação da Procuradoria-Geral da República (PGR), e o procurador-geral Paulo Gonet defendeu a realização de diligências preliminares antes de decidir sobre eventual abertura de inquérito. Essa etapa, de acordo com a reportagem, ainda não foi concluída pela Polícia Federal.
À Folha, Gaspar negou as acusações, afirmou ser vítima de perseguição política em razão de sua atuação na CPMI do INSS e disse ter realizado exame de DNA para comprovar sua inocência. A CartaCapital acrescenta que o deputado também afirma ser o maior interessado na conclusão das investigações e acionou o STF contra Lindbergh Farias e Soraya Thronicke, acusando-os de calúnia.
O deputado também é investigado pelo Tribunal de Contas da União por suspeitas de irregularidades no envio de R$ 6 milhões em emendas Pix ao município de São José da Laje (AL). Técnicos do tribunal identificaram indícios de irregularidades na destinação dos recursos. Quando a apuração foi aberta, Gaspar declarou que todas as ações ocorreram “dentro da legalidade e das normas vigentes”.
Escolha expõe isolamento do PL
A repercussão política veio da deputada federal Jandira Feghali (PCdoB-RJ), que associou a indicação de Gaspar ao isolamento da candidatura de Flávio Bolsonaro.
“Os historiadores irão descrever as eleições de 2026 como eleições à Suíça. Quando é melhor se manter neutro para não ter que apoiar TariFlávio Bolsonaro. Ter que recorrer a uma chapa puro sangue é a prova de seu isolamento. Agora lhe resta os golpes que tenta armar com seu amigo Trump. Por que será que ninguém quer apoiar um candidato entreguista, enrolado e cada vez com mais dificuldade de explicar o inexplicável?”, escreveu.
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