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França investiga retorno de site ligado a estupros no caso Pelicot

A França abriu uma investigação sobre o reaparecimento de uma plataforma digital associada a crimes sexuais graves, incluindo o caso que chocou o país envolvendo Gisèle Pelicot. O site, anteriormente conhecido como Coco, voltou a operar sob outro nome, reacendendo preocupações sobre o uso de ambientes digitais para práticas criminosas.

A plataforma esteve no centro do caso julgado em 2024, quando Dominique Pelicot foi condenado a 20 anos de prisão por dopar a própria esposa e permitir que dezenas de homens a estuprassem ao longo de quase uma década. Outros 50 envolvidos também foram condenados.

Segundo as investigações, parte dos abusadores foi recrutada por meio do site, que funcionava com alto grau de anonimato e sem mecanismos eficazes de controle. Ao longo dos anos, a plataforma passou a ser associada a uma série de crimes, como exploração sexual, violência contra mulheres, tráfico de drogas e agressões homofóbicas.

Encerrado por decisão judicial em 2024, o serviço voltou a circular em abril deste ano sob nova identidade, o que levou autoridades francesas a reabrirem o caso. A investigação está sob responsabilidade de unidades especializadas em crimes cibernéticos.

Nas redes sociais, a alta-comissária francesa para a Infância, Sarah El Haïry, criticou o reaparecimento da plataforma e apontou falhas na responsabilização no ambiente digital. Segundo ela, o retorno do site é um “verdadeiro tapa na cara”, por facilitar crimes como estupros, tráfico de drogas e exploração humana. A autoridade afirmou ainda que medidas estão sendo tomadas e que os responsáveis serão rastreados e responsabilizados.

Plataformas digitais e a reprodução de violências estruturais

O caso também evidencia os limites das respostas institucionais diante da atuação de plataformas digitais que operam com baixo nível de regulação. A facilidade de anonimato e a ausência de mecanismos efetivos de controle ampliam a circulação de práticas criminosas e dificultam sua responsabilização.

A violência contra as mulheres, inclusive em ambientes digitais, está inserida em estruturas sociais marcadas por desigualdades de gênero, classe e poder, que se reproduzem e se adaptam também no ambiente virtual .

O reaparecimento da plataforma, portanto, não apenas reabre uma investigação criminal, mas também reforça a necessidade de enfrentar, de forma mais estruturada, as dinâmicas que sustentam a violência de gênero em diferentes espaços, inclusive no ambiente digital.

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