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G7: as rebeldias contra a “liderança capitalista”

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Por Jeremías Perez Rabasa, no Pagina12 | Tradução: Rôney Rodrigues

O clube dos donos do capital volta a se blindar para decidir os destinos do mundo, mas desta vez a encenação do poder global range sob o peso de suas próprias contradições.

De 15 a 17 de junho, as sete economias mais ricas do Norte Global (Estados Unidos, França, Reino Unido, Alemanha, Itália, Canadá e Japão) reúnem-se na opulenta cidade francesa de Evian. Seu objetivo histórico não muda: continua sendo administrar a liderança capitalista, perpetuar o saqueio dos recursos dos povos do Sul Global e sustentar as lógicas coloniais por meio do endividamento perpétuo e da militarização.

No entanto, o desdobramento do poder não ocorre em território francês. A cúpula deste ano é marcada por uma profunda hipocrisia espacial e de controle. A França militarizou suas fronteiras e proibiu absolutamente qualquer tipo de manifestação ou contracúpula em seu território. Por meio de algumas disposições administrativas, negou sistematicamente o acesso a espaços públicos do lado francês para silenciar o dissenso. Diante desse cerco repressivo, a resistência cruzou a fronteira e se transferiu para as ruas de Genebra, transformando a cidade suíça no epicentro da resposta internacionalista.

O clima que se respira em Genebra é de uma tensa calma imposta de cima para baixo. O governo federal suíço blindou a região, mobilizando mais de 2 mil militares, reforçando a polícia local com contingentes de outras regiões e ameaçando fechar as fronteiras sob a velha narrativa do controle de supostos distúrbios. Nenhum município, nem mesmo os administrados pela centro-esquerda, se dispôs a ceder terrenos públicos para os acampamentos dos ativistas.

Apesar da tentativa institucional de semear o medo, as jornadas de resistência começaram com força. Desde quinta-feira, 11 de junho, a Coalizão Internacional Não-G7, que reúne mais de 40 organizações políticas, sindicais, feministas e antirracistas de todo o território europeu, colocou em ação mais de uma dúzia de debates, oficinas e plenárias.

Hoje, a agenda de mobilizações teve também um sabor especial. Na Suíça, 14 de junho é o aniversário histórico da primeira grande greve de mulheres, em 1991, e da greve massiva de 2019. Por isso, neste domingo as ruas de Genebra tingiram-se com a cor roxa da Greve Feminista, articulando de maneira direta as demandas históricas das trabalhadoras com a repulsa internacionalista ao supremacismo da extrema direita que hoje avança em nível global.

Por trás dessa demonstração de força nas ruas, há uma densa articulação política. O roteiro destas jornadas se assenta sobre o manifesto internacional lançado pela Coalizão Não-G7. Assinado por mais de 40 coletivos autônomos, sindicatos de base e organizações de toda a Europa, o documento da convocatória desmascara o caráter imperial da cúpula. O texto é um chamado explícito a confrontar: “… um governo mundial permanente das multinacionais, do capital financeiro e dos complexos militares”.

A mobilização de hoje foi uma amostra de diversidade e combatividade; além disso, tornou-se um grito coletivo contra o monopólio da violência e da exclusão. Enquanto o G7 se enclausura atrás de grades e baionetas na costa francesa para planejar a continuidade de uma ordem mundial decadente, as ruas genebrinas demonstram que a resposta ao racismo, ao patriarcado, ao extrativismo e à prepotência imperialista continua a ser a articulação dos povos a partir de baixo.

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