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IV Feira da Reforma Agrária reúne produção camponesa, cultura popular e luta por soberania na capital mineira

Foto: Agatha Azevedo

Por Agatha Azevedo
Da Página do MST

Belo Horizonte recebe, entre os dias 11 e 13 de setembro, a IV Feira Estadual da Reforma Agrária de Minas Gerais. Realizada na Serraria Souza Pinto, a Feira reúne a produção das famílias acampadas e assentadas do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), além de uma programação cultural que conecta diferentes territórios, gerações e linguagens artísticas.

Com o lema “Cultivar a Terra, Defender o Brasil”, a Feira apresenta ao público a Reforma Agrária Popular como um projeto de país, baseado na produção de alimentos saudáveis, na agroecologia, na defesa da natureza, na cultura popular, na cooperação e na organização do povo.

Durante três dias, a Serraria Souza Pinto se transforma em espaço de encontro entre campo e cidade. A produção das famílias Sem Terra chega à capital mineira como alimento e também como expressão de um modo de vida construído a partir da organização coletiva e da luta pela terra. São 12 cooperativas do MST em Minas Gerais e 5 cooperativas convidadas do MST em São Paulo, Espírito Santo, Rio Grande do Sul e Bahia.

A Feira reafirma que a Reforma Agrária Popular não se resume ao acesso à terra. Ela envolve o direito de produzir e consumir alimentos saudáveis, preservar os bens da natureza, fortalecer a agricultura camponesa, valorizar os saberes populares e construir relações sociais baseadas na solidariedade e na soberania popular.

Terra, alimento e cultura ocupam a cidade

Foto: Raquel Matos

A programação cultural é uma das dimensões centrais da Feira e foi organizada em três momentos: o Festival Internacionalizemos a esperança, que marca a noite internacionalista, a noite Terra, arte e pão, com artistas da cultura popular e do MST, e a programação de Hip Hop na noite Beat da Terra. Na sexta-feira, 11 de setembro, a programação noturna começa às 20h30, com a apresentação de Maurício Tizumba. Cantor, compositor, ator, percussionista e referência da cultura afro-mineira, Tizumba construiu sua trajetória em diálogo com os tambores, o Congado e as tradições populares de Minas Gerais. Sua presença abre uma noite dedicada à música como instrumento de memória, resistência e integração latino-americana.

Às 21h30, começa o Festival Internacionalizemos a esperança, reunindo Giancarlo Borba, José Delgado, Nádia Campos, Paula Ferré, Cecilia Concha-Laborde e Sol Bueno. O festival aproxima Minas Gerais de outras experiências latino-americanas por meio da canção popular e da música de resistência. O venezuelano José Delgado, com mais de 20 anos de carreira, transita pela música venezuelana e caribenha, pelo folclore, pela canção de autor e pela chamada world music. A argentina Paula Ferré, referência da trova e militante cultural, constrói uma obra marcada pelo encontro entre ternura, memória e canção social. Já a chilena Cecilia Concha-Laborde leva ao palco um canto comprometido com os direitos humanos, a justiça social e o feminismo, nascido de uma trajetória de resistência cultural.

De Minas Gerais, Nádia Campos traz a força da pesquisa e da cultura popular. Cantadeira, multi-instrumentista, compositora, educadora e produtora, percorreu diferentes regiões do Brasil, da América Latina e da Europa pesquisando ritmos, cantos e tradições. Sol Bueno e Giancarlo Borba completam a noite, em uma celebração da música popular e das conexões entre arte, território e luta.

Festival Terra e Raiz celebra a música mineira

Foto: Divulgação MST

No sábado, 12 de setembro, o Festival Terra, arte e pão reúne diferentes expressões da música popular mineira, do tambor à viola, passando pelos ritmos tradicionais e pelas novas criações da cultura popular. A programação começa às 10h, com a Cantação de História Irugbín: a guardiã com os Tambores do Mucuri. Às 11h, é a vez de Rubinho do Vale, um dos maiores nomes da música popular do Vale do Jequitinhonha. Sua obra carrega as paisagens, histórias, cantigas e tradições do interior de Minas, transformando a relação com o território em música e poesia.

Às 13h30, Mina Flor e Zé Pinto apresentam a produção artística do MST, levando para o palco a experiência cultural construída nos territórios da Reforma Agrária. Ao longo da tarde, a programação segue com o Festival Terra e Raiz e roda de conversa às 15h. À noite, a música ocupa novamente o espaço com Surubim e os Pocomãs, às 18h; Paiol de Tonha, às 19h; e Maria do Juá, às 20h30.

Hip Hop, samba e carnaval encerram a Feira

Foto: @gabrielrenne

No domingo, 13 de setembro, a programação aproxima a Feira das culturas urbanas, do hip hop, do samba e do carnaval popular. Às 10h, o tradicional Bloco Pisa Ligeiro, uma ação permanente do MST, convida o Bloco Oficina Tambolelê e o Bloco Filhas de Gaby para uma apresentação que reúne diferentes experiências do carnaval e da cultura popular de Belo Horizonte. No mesmo horário, acontece uma roda de conversa.

Às 13h30, o Samba da Nossa Terra ocupa a programação. Às 15h, acontece o Brota na Feira. A partir das 18h, a programação noturna apresenta Sarah Sampp e Imane Rane, nomes da cena do hip hop que marcam a noite Beat da Terra, até chegar a um dos grandes destaques da Feira: Linn da Quebrada, às 20h30.

Artista, cantora, compositora, actress e ativista social, Linn da Quebrada construiu uma trajetória marcada pela experimentação artística, pela música e pela performance. Sua presença na Feira amplia o diálogo entre diferentes territórios e experiências de resistência, aproximando a cultura da periferia e as lutas sociais de um espaço tradicionalmente associado à produção cultural da cidade.

O encontro entre a cultura hip hop, samba e carnaval reforça a proposta de fazer da Feira um território de diálogo entre campo e cidade. O Bloco Pisa Ligeiro, do MST, encerra esse percurso em encontro com o Bloco Filhas de Gaby, levando os tambores e a festa popular para o centro da programação.

Cultura como dimensão da Reforma Agrária Popular

Ao reunir artistas do campo, da cidade e de diferentes países latino-americanos, a IV Feira Estadual da Reforma Agrária reafirma a cultura como necessidade central na construção da Reforma Agrária Popular. Da música de raiz à cultura hip hop, da trova latino-americana aos tambores afro-mineiros, da viola ao carnaval, a programação expressa a diversidade cultural dos povos e territórios que constroem a Feira. As noites culturais também reafirmam que a luta pela terra é inseparável da luta pelo direito à cultura, à memória, à alimentação saudável, à natureza e à participação popular.

Programação

IV Feira Estadual da Reforma Agrária de Minas Gerais
Quando
: 11, 12 e 13 de setembro de 2026
Onde: Serraria Souza Pinto – Belo Horizonte (MG)
Horário de funcionamento da Feira: No dia 11, a partir das 10h, e nos dias 12 e 13 a partir das 8h
Entrada: gratuita
Lema: “Cultivar a Terra, Defender o Brasil”

Programação cultural

11/09 – Sexta-feira | Noite Anti-Imperialista
20h30 – Maurício Tizumba
21h30 – Festival Internacionalizemos a Esperança: Giancarlo Borba, José Delgado, Nádia Campos, Paula Ferré, Cecilia Concha-Laborde e Sol Bueno

12/09 – Sábado | Festival Terra e Raiz
10h – Cantação de História: Irugbín: a guardiã – Tambores do Mucuri
11h – Rubinho do Vale
13h30 – Mina Flor e Zé Pinto
13h30 – Festival Terra e Raiz – Titane, Sérgio Pererê e Wilson Dias
15h – Roda de conversa
18h – Surubim e os Pocomãs
19h – Paiol de Tonha
20h30 – Maria do Juá

13/09 – Domingo | Hip Hop e Cultura Popular
10h – Pisa Ligeiro convida Oficina Tambolelê e Filhas de Gaby
10h – Roda de conversa
13h30 – Samba da Nossa Terra
15h – Brota na Feira
18h – Sarah Sampp
19h – Imane Rane
20h30 – Linn da Quebrada

*Editado por Fernanda Alcântara

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