
A presença confirmada do ex-ministro José Dirceu na quinta mesa do ciclo preparatório ao 16º Congresso Nacional do PCdoB, que acontece nesta segunda-feira (25), em Recife, reforça o peso político do encontro. Reconhecido por sua trajetória histórica na luta pela democracia, Dirceu participa do debate com Luciana Santos, ministra da Ciência, Tecnologia e Inovação e presidenta nacional do PCdoB; deputado federal Pedro Campos (PSB-PE), líder da bancada do partido na Câmara dos Deputados e de Simone Tebet, ministra do Planejamento e Orçamento.
Em depoimento ao Portal Vermelho, Dirceu destacou a necessidade de vincular a defesa da soberania ao relançamento de um Projeto Nacional de Desenvolvimento: “A defesa da soberania está diretamente ligada a esse projeto de desenvolvimento nacional, à reindustrialização do Brasil, à construção de uma nova indústria, ao PAC e também à transição energética. Porque, sem uma revolução tecnológica, não haverá projeto de desenvolvimento nacional”, afirmou.
Convergência com o projeto de resolução do PCdoB
As palavras de Dirceu dialogam diretamente com vários pontos do Projeto de Resolução do PCdoB, entre eles, a questão que aponta a centralidade da soberania como condição para o desenvolvimento e para a democracia. O texto em debate defende a retomada da reindustrialização, a promoção de uma transição energética justa e a construção de uma nova matriz produtiva tecnológica, pautada pelo interesse nacional.
Ao destacar a importância da reforma tributária — “para que sejam os ricos a pagar impostos, e não a classe trabalhadora” — Dirceu, também, reforça outro ponto central da resolução, que enfatiza a necessidade de reformas estruturais capazes de enfrentar a desigualdade social e garantir bases sólidas para o desenvolvimento com justiça.
O projeto do PCdoB também alerta para as ameaças externas e internas à soberania do país. Nesse aspecto, a fala de Dirceu foi incisiva: “É preciso enfrentar agora a intervenção política aberta da administração Trump nos assuntos internos do Brasil — e os traidores que a sustentam: Bolsonaro e sua família, alguns governadores, as forças da extrema-direita, parte da direita e certos setores empresariais que os apoiam”.
Unidade e futuro do Brasil
A resolução do PCdoB reafirma que o enfrentamento ao neofascismo e às tentativas de tutela estrangeira sobre o Brasil passa pela ampla unidade das forças progressistas e democráticas. “Este Congresso ocorre num momento crucial, marcado por ataques à soberania e à democracia. Nesse cenário, o apoio do PCdoB ao PT, ao presidente Lula e às forças democráticas é fundamental para construir um projeto de desenvolvimento nacional”, afirmou José Dirceu.
Natural de Passa Quatro (MG), nascido em 1946, Dirceu iniciou sua militância política ainda durante a ditadura militar, liderando o movimento estudantil entre 1965 e 1968 e participando ativamente da luta contra o regime. Foi deputado estadual em São Paulo (1987–1991), deputado federal por três mandatos consecutivos (1991–2005) e ministro-chefe da Casa Civil no primeiro governo Lula, em 2003. É também um dos fundadores do Partido dos Trabalhadores, do qual foi secretário-geral e presidente por quatro mandatos.
A mesa do Recife encerra uma etapa fundamental da preparação para o 26º Congresso Nacional do PCdoB, que será realizado ainda este ano, e se projeta como espaço de síntese entre formulação política e mobilização social.
Serviço
Mesa: Conjuntura desafiadora às forças progressistas e democráticas
Local: Recife (PE)
Data: Segunda-feira, 25 de agosto
Horário: 19h
Transmissão: Ao vivo pela TV Grabois
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