O presidente Luiz Inácio Lula da Silva visita Macaíba, no Rio Grande do Norte, nesta quinta-feira (20), para anunciar a implantação de um supercomputador voltado ao desenvolvimento de inteligência artificial e ao fortalecimento da soberania digital brasileira. Leia em TVT News.
A agenda prevê anúncios sobre infraestrutura tecnológica e autonomia nacional em uma área considerada estratégica para a pesquisa científica, a economia e os serviços públicos.
Segundo a programação divulgada pelo Palácio do Planalto, Lula visita, às 15h, o Parque Científico e Tecnológico Augusto Severo, na Região Metropolitana de Natal. Às 16h, participa de uma atividade no espaço destinado à implantação do equipamento.
A iniciativa integra o esforço do governo federal para ampliar a capacidade brasileira de processamento de dados e criar condições para o desenvolvimento de tecnologias nacionais de inteligência artificial. A infraestrutura poderá ser utilizada por universidades, centros de pesquisa, órgãos públicos e empresas.
Supercomputador amplia capacidade brasileira de processamento
O governo prevê a aquisição de dois supercomputadores, com investimento superior a R$ 2 bilhões. A expectativa informada pelo governo é de que os equipamentos estejam entre os dez mais potentes do mundo.
A capacidade de processamento é necessária para tarefas que envolvem grandes volumes de dados, como o treinamento de modelos de inteligência artificial e pesquisas científicas que exigem cálculos complexos. Com equipamentos dessa escala instalados no país, pesquisadores e instituições brasileiras poderão ampliar a realização de projetos que dependem de computação de alto desempenho.
A estrutura também poderá apoiar o desenvolvimento de modelos brasileiros de inteligência artificial e de soluções destinadas ao poder público e ao setor produtivo. A proposta é reduzir a dependência de infraestrutura tecnológica localizada fora do país em áreas consideradas estratégicas.
Estratégia de Lula é ampliar a soberania digital e proteção de dados
O projeto está relacionado à estratégia de ampliar a soberania digital brasileira. O conceito envolve a capacidade de um país armazenar, processar e proteger dados estratégicos de acordo com suas próprias regras, além de dominar tecnologias e formar profissionais especializados.
A presença de uma infraestrutura nacional de alto desempenho pode beneficiar pesquisas em setores como saúde, energia, meio ambiente, agricultura e serviços públicos. Em áreas científicas que dependem de grande capacidade computacional, a disponibilidade de equipamentos no território nacional também pode reduzir o tempo necessário para determinados processamentos.
A proposta ainda aproxima universidades, centros de pesquisa, empresas e órgãos governamentais. Essa integração pode favorecer a transformação de conhecimento científico em novas tecnologias, produtos e serviços.
Nordeste ganha espaço na infraestrutura tecnológica: Parque Científico e Tecnológico Augusto Severo
A instalação prevista para Macaíba também amplia a participação do Nordeste na estrutura científica e tecnológica do país. A região historicamente concentra menos investimentos desse tipo em comparação com os principais polos tecnológicos do Sul e do Sudeste.
O Parque Científico e Tecnológico Augusto Severo reúne empresas, instituições de pesquisa e projetos relacionados a áreas como saúde, neurociência, energia, tecnologias espaciais e indústria 4.0. A chegada de um equipamento de grande capacidade pode fortalecer iniciativas já desenvolvidas no complexo e estimular novos projetos.
A localização do Rio Grande do Norte também apresenta características consideradas favoráveis à instalação de uma infraestrutura dessa natureza. O estado possui forte participação de fontes renováveis na geração de energia, enquanto a posição geográfica facilita a conexão com rotas internacionais de cabos submarinos de fibra óptica.
Tecnologia pode estimular pesquisa e empregos especializados
Além dos impactos sobre a pesquisa e a inteligência artificial, o investimento pode contribuir para a formação de profissionais especializados e para o desenvolvimento de um ecossistema tecnológico na região.
A aproximação entre universidades, centros científicos, empresas e poder público cria condições para ampliar projetos de inovação e estimular a criação de produtos e serviços de maior valor agregado. A demanda por profissionais qualificados também pode impulsionar programas de formação em computação, ciência de dados, engenharia e outras áreas relacionadas à tecnologia.
A iniciativa ocorre em um cenário de expansão do uso da inteligência artificial na economia e na administração pública. Para o Brasil, ampliar a capacidade própria de processamento significa também criar condições para participar do desenvolvimento dessas tecnologias, em vez de depender exclusivamente de estruturas e serviços fornecidos por empresas estrangeiras.
A agenda de Lula em Macaíba coloca o Rio Grande do Norte no centro dessa política de infraestrutura tecnológica e reforça a intenção do governo de distribuir investimentos científicos para além dos grandes polos tradicionais do país.
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