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Lula apoia frente mundial contra ofensiva de Trump

Durante o encerramento do 14º Encontro Nacional do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), em Salvador (BA), nesta sexta-feira (23), Lula reafirmou o compromisso do Estado com a democratização da terra ao afirmar que a reforma agrária é, acima de tudo, “um projeto de soberania alimentar”. Ao lado da primeira-dama Janja e de ministros como Paulo Teixeira (Desenvolvimento Agrário), o presidente anunciou um pacote de desapropriações que beneficiará 26 mil famílias entre fevereiro e março, vinculando a posse da terra à modernização produtiva e à preservação ambiental. “Reforma agrária para mim é terra, mas é desenvolvimento, produção de alimentos, agroecologia, cooperativas, mecanização e apoio ao mercado”, pontuou o presidente.

Lula destacou o papel pedagógico do MST, elogiando os índices de alfabetização e a formação política de seus quadros. Para ele, o fortalecimento da agricultura familiar é a ferramenta principal para manter o Brasil fora do Mapa da Fome e reduzir o abismo social histórico do país.

A ofensiva contra o unilateralismo de Trump

O tom mais contundente do discurso foi reservado à geopolítica. Lula criticou duramente a postura do presidente estadunidense, Donald Trump, denunciando a tentativa de criação de um “Conselho da Paz” como um mecanismo para esvaziar a ONU e impor a vontade de uma única potência. “O que está acontecendo no mundo? [Trump] quer criar sozinho uma nova ONU, como se ele fosse a própria ONU”, alertou Lula. O presidente brasileiro revelou estar em intensa articulação diplomática com líderes de nações do Sul Global e dos BRICS — como China, Rússia, Índia e México — para blindar o multilateralismo contra a “lei do mais forte”.

Solidariedade internacional e resistência latino-americana

Lula condenou a escalada de agressões à Venezuela, classificando o sequestro do presidente Nicolás Maduro como uma afronta à autodeterminação dos povos. “A América do Sul é um território de paz. Não queremos guerra”, declarou, lembrando que, assim como Mahatma Gandhi – que derrotou o Império Britânico sem disparar um único tiro -, o Brasil busca vencer pela força do convencimento democrático.

Lula também trouxe à tona a tragédia humanitária em Gaza, criticando o cinismo de projetos de reconstrução que ignoram o genocídio em curso. “Mataram mais de 70 mil pessoas para dizer que vão recuperar Gaza e fazer hotel de luxo. E o povo que morreu?”, perguntou.

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