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Lula vai a Evian para cúpula do G7 e participa pela 10ª vez como convidado

As informações foram detalhadas pelo secretário de Assuntos Econômicos e Financeiros do Itamaraty, embaixador Philip Fox-Drummond Gough, em coletiva de imprensa nesta quinta-feira. Segundo ele, a cúpula terá sete textos em negociação, todos ainda em aberto, e o Brasil enviará contribuições para cada um deles — embora, como convidado, não participe integralmente das negociações finais, que cabem exclusivamente aos membros plenos do G7.

A agenda do presidente Lula concentra-se em duas sessões abertas a países convidados. No dia 16, o tema será parcerias internacionais para o desenvolvimento, o primeiro dos sete pontos em discussão. O contexto, explicou o embaixador, é a queda substancial dos montantes de ajuda oficial ao desenvolvimento (ODA, na sigla em inglês) nos últimos anos. A mensagem central do Brasil nessa sessão será a preocupação com a redução desses recursos e o alerta de que o setor privado ou os orçamentos dos próprios países em desenvolvimento não conseguem suprir a lacuna deixada pela retração da ajuda oficial.

No dia 17, a sessão tratará de crescimento econômico equilibrado, segundo tema da pauta. O Brasil pretende dar ênfase à necessidade de reforma das estruturas de governança global, com destaque para a reforma da OMC e da ONU. Questionado, o embaixador observou que o tema do unilateralismo e das medidas unilaterais — como as tarifas comerciais impostas pelos Estados Unidos — deve aparecer de forma transversal nessa discussão, ainda que não haja uma sessão específica sobre o assunto.

O terceiro texto em negociação trata da proteção online de menores. Gough destacou que o Brasil está na vanguarda do tema, tendo aprovado, em setembro do ano passado, o Estatuto Digital da Criança e do Adolescente, que entrou em vigor recentemente. O quarto ponto é o combate ao narcotráfico, com foco na cooperação entre os países do G7 e as nações convidadas, para aperfeiçoar as condições de enfrentamento ao crime organizado transnacional.

O quinto texto aborda a luta contra o câncer, com ênfase no câncer pediátrico e em outros tipos da doença. O embaixador lembrou que a saúde foi uma das prioridades do Brasil durante a presidência do Brics no ano passado. O sexto ponto — combate ao contrabando de migrantes — é, segundo o diplomata, um dos mais delicados da cúpula, com visões divergentes mesmo entre os membros do G7, o que dificulta a construção de consenso.

Por fim, o sétimo texto trata de minerais críticos, tema que já havia sido objeto de declaração na cúpula do G7 do ano passado. A posição brasileira, afirmou o embaixador, é centrada na agregação de valor no próprio local de extração — bandeira que o presidente Lula tem levantado em diversas ocasiões. “O ponto central nosso com minerais críticos é processamento e ganho de valor agregado no próprio país”, disse ele.

Além das sessões de trabalho, o presidente Lula participará de um almoço sobre inteligência artificial no dia 17, última atividade oficial do presidente na cúpula, na qual fará uma exposição sobre as oportunidades e os riscos da tecnologia. A comitiva brasileira contará com o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, e os demais integrantes ainda serão definidos pelo Palácio do Planalto.

Sobre reuniões bilaterais, o embaixador confirmou que estão em negociação encontros com o presidente francês, Emmanuel Macron, anfitrião do evento, e com a primeira-ministra do Japão. Já as possibilidades de diálogo com os Estados Unidos e com a União Europeia permanecem em aberto. No caso europeu, ele afirmou que o tom de uma eventual conversa seria de “preocupação” com os últimos desdobramentos comerciais, incluindo medidas que afetam as exportações brasileiras de carne.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva participa, nos dias 16 e 17 de junho, da reunião de cúpula do G7 em Evian, na França, como convidado da presidência francesa. Será a décima vez que o petista comparece ao encontro das sete maiores economias do mundo — feito que o coloca entre os líderes com maior número de participações no evento, embora o Brasil não integre o grupo como membro pleno. Além do Brasil, foram convidados a Índia, o Quênia, a Coreia do Sul e o Egito, bem como instituições como o FMI, o Banco Mundial, o Banco Africano de Desenvolvimento e a OCDE.