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Master: Prisão de ex-gestor expõe fraude em fundos da Rioprevidência

A Polícia Federal (PF) deu um passo decisivo na desarticulação de um esquema que drenou recursos de fundos de previdência pública em todo o Brasil. No último dia 3 de fevereiro, a segunda fase da Operação Barco de Papel resultou na prisão preventiva de Deivis Marcon Antunes, ex-presidente do Rioprevidência. A detenção ocorreu na Via Dutra, em Itatiaia (RJ), logo após o ex-gestor retornar de uma viagem aos Estados Unidos.

A medida judicial foi motivada por indícios claros de obstrução de justiça. Segundo as investigações, Antunes teria tentado destruir provas digitais e ocultar patrimônio — incluindo veículos de luxo — imediatamente após a primeira fase da operação, ocorrida em janeiro. A acusação central reside na aplicação irregular de R$ 970 milhões do fundo fluminense em Letras Financeiras do Banco Master, investimento que sequer contava com a proteção do Fundo Garantidor de Créditos (FGC). O Banco Master sofreu liquidação extrajudicial pelo Banco Central em novembro do ano passado.

Uma fraude de alcance nacional

O prejuízo, no entanto, não se restringe ao Rio de Janeiro. A investigação aponta que o modelo de negócio do Banco Master baseava-se em cooptar gestores de Regimes Próprios de Previdência Social (RPPS) para negociar títulos sem lastro real.

Pelo menos 18 fundos de pensão de servidores públicos foram identificados com exposição aos papéis podres do Master, totalizando quase R$ 2 bilhões em investimentos de alto risco. Entre as instituições atingidas, destaca-se o fundo de Imbituva (PR), que comprometeu metade de suas reservas em papéis do banco, ignorando normas internas de risco. Investigações preliminares também apontam aportes suspeitos no Amazonprev, no Maceió Previdência e na previdência estadual de Goiás.

O “Império de Papel” de Daniel Vorcaro

O rombo nas previdências públicas é apenas uma face dos crimes atribuídos ao banqueiro Daniel Vorcaro, controlador do Master e alvo principal da Operação Compliance Zero. A lista de suspeitas inclui: gestão fraudulenta e temerária de instituição financeira; desvio de recursos públicos e corrupção passiva; lavagem de dinheiro mediante sofisticada blindagem patrimonial familiar; falsidade ideológica e documental para a criação de ativos inexistentes; indução ao erro de órgãos de fiscalização, como o Banco Central e a CVM; além de obstrução de justiça e associação criminosa.

As investigações do Supremo Tribunal Federal (STF) e da PF estimam que o banco operava com ativos inflados artificialmente, chegando a R$ 17 bilhões em créditos inexistentes. A estratégia consistia em vender carteiras de crédito “podres” ou fictícias para outras instituições, como o BRB (Banco de Brasília), simulando uma saúde financeira inexistente para sustentar a expansão do grupo.

Andamento no STF e instabilidade institucional

O processo tramita no Supremo Tribunal Federal sob a relatoria do ministro Dias Toffoli. Em janeiro de 2026, Toffoli retirou o sigilo de depoimentos e acareações cruciais, incluindo o confronto de versões entre Vorcaro e o ex-presidente do BRB, Paulo Henrique Costa.

Atualmente, Daniel Vorcaro cumpre medidas cautelares e utiliza tornozeleira eletrônica, após ter sido preso e posteriormente solto no final de 2025. Embora a defesa do banqueiro negue as irregularidades, o cerco jurídico se fecha: inspeções do Banco Central confirmam que, enquanto o banco declarava bilhões em lucros contábeis, possuía apenas R$ 4 milhões em caixa real no momento da quebra.

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