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Ministro da Defesa do Mali é morto em ataques coordenados

O governo do Mali confirmou a morte do seu ministro da Defesa, Sadio Camara, durante uma série de ataques coordenados contra instalações militares em diferentes regiões do país neste sábado (25/06). A residência do ministro, na cidade militar de Kati, foi alvo de um ataque simultâneo com um carro-bomba.

Uma das mulheres de Câmara, dois de seus netos e outros civis que se encontravam na habitação também foram mortos. O ataque foi assumido pelo grupo ligado à Al-Qaeda, Jama’at Nusrat al-Islam wal-Muslimin (JNIM), juntamente com os combatentes tuaregues da Frente de Libertação de Azawad (FLA).

Camara era apontado como uma figura central do atual governo interino, comandando por uma junta militar liderada pelo presidente Assimi Goita, que governa o Mali desde 2020. O ministro havia desempenhado um importante papel na aproximação estratégica do país com a Rússia e na reestruturação das alianças de segurança na região do Sahel.

“Ele era visto por alguns como um possível futuro líder do Mali”, afirmou o jornalista Nicolas Haque da Al Jazeera. “Sua morte é um grande golpe para as forças armadas do país”, acrescentou, ao contar que o presidente do país foi levado para um local seguro e não foi atingido. Ele está “vivo e bem, em um local seguro”, afirmou.

Ministro da Defesa do Mali é morto em meio a ataques coordenados
Mohamed Dagnoko (VOA) / Wikipedia

Desde 2012, o Mali vem enfrentando ataques, golpes de Estado e a expansão de grupos armados, apesar dos acordos militares e da presença de forças estrangeiras para conter as agressões no país.

Neste sábado, outras cidades como Bamako, Gao, Kidal e Sevaré também foram atacadas com tiroteios e explosões. A Frente de Libertação do Azawad (FLA) reivindica o território do norte do Mali. A organização havia informado que assumiria o controle de Kidal e, neste domingo, foi anunciada a retirada das forças malinesas e russas da cidade.

Entidades condenam ataque

A União Africana, a Organização de Cooperação Islâmica e o Departamento de Assuntos Africanos dos Estados Unidos condenaram os ataques, reforçando a preocupação com a deterioração da segurança na região do Sahel.

A Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO) afirmou que “os atos hediondos demonstram mais uma vez a natureza bárbara dos autores, que continuam a ameaçar a paz, a segurança e a estabilidade em toda a sub-região da África Ocidental”.

A União Europeia também condenou os ataques em comunicado, reafirmando o compromisso “contra o terrorismo e com a paz, segurança e estabilidade no Mali e em todo o “Sahel”.

Já o secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, repudiou o “extremismo violento” e apelou por “um apoio internacional coordenado para enfrentar a ameaça evolutiva do extremismo violento e do terrorismo no Sahel”.

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