
O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, rejeitou neste domingo (9) o plano de 15 pontos apresentado pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para avançar à segunda fase do cessar-fogo na Faixa de Gaza. O premiê condicionou qualquer nova retirada das tropas israelenses ao desarmamento completo do Hamas e voltou a descartar a criação de um Estado palestino.
“Vou ser claro: Israel rejeita o documento de 15 pontos. As Forças de Defesa de Israel não se retirarão até que o Hamas se desarme. E quando digo desarmar o Hamas, refiro-me a todas as suas armas: as pesadas, as menos pesadas, todas”, declarou Netanyahu durante uma reunião de seu gabinete.
A rejeição abre uma rara divergência pública entre Netanyahu e Trump e coloca um novo obstáculo às negociações para encerrar as operações militares israelenses em Gaza.
Anunciado por Trump em 30 de julho, o roteiro buscava destravar a segunda fase do cessar-fogo firmado em outubro de 2025. Entre outros pontos, previa o desarmamento do Hamas, a retirada das forças israelenses e a transferência da administração de Gaza para um comitê palestino.
No dia seguinte, 31 de julho, o Hamas informou aos mediadores que estava disposto a avançar com o acordo, mas vinculou a entrega das armas ao cumprimento das obrigações assumidas por Israel, sobretudo a retirada de suas tropas da Faixa de Gaza.
A ordem em que essas medidas seriam cumpridas tornou-se um dos principais entraves à negociação. O Hamas defende que o desarmamento ocorra paralelamente à retirada israelense, enquanto Israel exige a entrega das armas antes de qualquer novo recuo de suas forças.
Em 3 de agosto, o Conselho de Paz criado por Trump chegou a se aproximar da exigência israelense. Após uma reunião entre Netanyahu e o representante do organismo, Nikolay Mladenov, o Conselho afirmou que as tropas de Israel só recuariam para além da chamada “linha amarela” depois da conclusão do desarmamento do Hamas.
Ainda assim, Netanyahu rejeitou o documento. Ao anunciar a decisão neste domingo, afirmou que os próprios aliados norte-americanos defendem “ideias inaceitáveis” para Israel e que seu governo deve se opor a elas.
“A existência de Israel e a segurança de todos os cidadãos de Israel não estão sujeitas a negociação”, declarou.
O premiê também reiterou sua oposição à criação de um Estado palestino, tanto na Faixa de Gaza quanto na Cisjordânia ocupada.
“Enquanto eu for primeiro-ministro, nenhum Estado palestino será criado, nem na Cisjordânia nem em Gaza. Nem ‘Fatahistão’ nem ‘Hamastão’”, afirmou, em referência ao Fatah e ao Hamas, as duas principais forças políticas palestinas.
Hamas cobra pressão dos Estados Unidos
Após a rejeição de Netanyahu, o Hamas cobrou dos Estados Unidos pressão sobre o governo israelense para que o acordo avance.
“Esperamos que os mediadores e o garantidor norte-americano pressionem Netanyahu e seu governo para que respeitem o roteiro e não impeçam o processo por razões de política interna ou eleitoral”, afirmou Basem Naim, integrante do birô político do Hamas.
Segundo uma autoridade do movimento palestino, o Hamas e outras organizações também comunicaram aos mediadores que continuam dispostos a iniciar a segunda fase do acordo, desde que Israel aceite o roteiro e comece a cumprir sua parte.
A ruptura ocorre em meio à campanha eleitoral israelense. Netanyahu disputa a reeleição em outubro e enfrenta pressão dos setores de extrema direita que integram sua base e se opõem a um acordo que resulte na retirada das tropas israelenses de Gaza.
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