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“O caminho para a eleição de Lula é a luta popular”, afirma MST em ato unitário em MG

Encontro reuniu militantes de todas as regiões mineiras. Foto: Matheus Teixeira

Por Agatha Azevedo

Da Página do MST

Militantes do MST de todas as regiões de Minas Gerais participaram  neste sábado (30), em Belo Horizonte (MG), do Encontro Estadual Lula pelas Minas e por Gerais, atividade que reuniu movimentos populares, organizações sindicais, juventudes e partidos políticos para debater os desafios da conjuntura brasileira e construir caminhos de unidade para derrotar a extrema direita nas eleições de 2026.

Para o Movimento, o enfrentamento ao fascismo passa necessariamente pelo fortalecimento da organização popular, do trabalho de base e das lutas concretas da classe trabalhadora. A construção da reeleição do presidente Lula exige, antes de tudo, o fortalecimento das mobilizações populares em todo o país. 

Segundo Silvio Netto, da Coordenação Estadual do MST em Minas Gerais, a atividade marca o início de um processo mais amplo de articulação entre as forças populares do estado. “O caminho para a eleição de Lula é a luta popular”, afirma.

O Encontro é o primeiro de muitos que serão realizados nos territórios, e tem como objetivo analisar a conjuntura para dar os passos coletivos necessários para o fortalecimento da classe trabalhadora e a luta popular a partir das eleições.

Evento reuniu movimentos e organizações de esquerda do estado. Foto: Matheus Teixeira

Ao destacar a trajetória histórica de resistência do povo mineiro, Silvio lembrou que Minas Gerais tem papel estratégico na disputa política nacional e convocou a plenária a construir a unidade para enfrentar as forças da extrema direita:

“Minas Gerais tem muita história de luta, o nosso povo já demonstrou a sua coragem em outros momentos da história. A direita que controla Minas Gerais conseguiu unificar o agronegócio, a mineração e as velhas oligarquias do estado. Esse campo já tem um lado, e esse lado é o fascismo. Eles querem abocanhar todos os nossos bens da natureza, todas as nossas empresas públicas, controlar o estado e todo o território. Eles estão unificados para isso, e nós não temos que vacilar.”

Durante o encontro, os participantes reafirmaram a necessidade de ampliar a articulação política entre os diversos setores organizados da classe trabalhadora.

O MST apontou que a luta contra a extrema direita exige coesão política e capacidade de atuação conjunta comprometida com um projeto popular para o Brasil, e que a unidade deve caminhar junto com o fortalecimento das organizações populares e de suas pautas históricas.

Na avaliação do MST, a luta eleitoral não pode substituir a luta popular. Pelo contrário, são as mobilizações da classe trabalhadora que criam as condições para avançar nas disputas institucionais e garantir conquistas para o povo.

“A eleição não pode terminar na própria eleição, a luta não pode ser só eleitoral. Nós temos que romper com o ciclo em que a luta institucional subordina a luta popular. A luta popular é que acumula força para ganhar institucionalmente.”, afirmou Silvio.

Silvio Netto, dirigente do MST em MG, reafirmou a disposição da luta dos Sem Terra nas eleições. Foto: Matheus Teixeira

Entre as tarefas apontadas para o próximo período estão o fortalecimento das greves, das ocupações, da organização comunitária e do trabalho de base nos municípios e territórios mineiros.

Para o MST, a reeleição de Lula está diretamente ligada à capacidade dos movimentos populares de fortalecer suas bases, ampliar as lutas e organizar o povo em defesa de um projeto de país comprometido com a soberania nacional, a democracia e os direitos da classe trabalhadora.

Como síntese do encontro, o Movimento reafirma que a principal tarefa do próximo período é ampliar a organização popular e construir um amplo campo democrático e popular capaz de derrotar a extrema direita nas eleições de 2026.

Leia o Manifesto apresentado durante o encontro:

COM LULA POR UMA MINAS GERAIS JUSTA, DEMOCRÁTICA E POPULAR

Manifesto de movimentos, intelectuais, artistas e lutadoras e lutadores do povo

Nós, mais de 1.000 lutadoras e lutadores do povo de todas as regiões do estado, reunidos em Contagem, com atuação em movimentos, sindicatos, associações, pastorais, comitês populares, do campo e da cidade, manifestamos nosso compromisso com a eleição de Lula presidente e a construção de um projeto democrático, soberano e popular para Minas Gerais e o Brasil.

Com Lula no governo federal, o Brasil voltou a defender sua soberania nacional e popular e a crescer a partir da retomada de políticas públicas como o Bolsa Família, o gás do povo, o Minha Casa Minha Vida, o novo PAC e a redução do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil e vai garantir o fim da escala 6×1. Para que a melhora de vida alcance a população de Minas Gerais, precisamos também de um governo estadual alinhado ao projeto em curso no país, que coloque os interesses populares na ordem do dia.

Minas Gerais esteve em muitos momentos da história do Brasil na vanguarda da luta democrática e por um projeto de desenvolvimento soberano para o país. Atualmente, governada pela extrema direita a oito anos, o estado se transformou em símbolo do atraso, se posicionando contra a democracia, a ciência e a justiça social.

É visível a todos que vivem no estado o aumento da pobreza, o crescimento da população em situação de rua, o aumento da violência contra as mulheres, o caos no transporte público e no trânsito, a superlotação dos equipamentos de saúde, a crise na educação, os crimes sociambientais, a falta de planejamento para enfrentar o contexto de emergência climática, entre outros problemas. A revelia dos interesses populares, a sanha por privatizar as estatais como a CEMIG, a COPASA, serviços de saúde e educação.

As atuais elites econômicas e políticas, desprovidas de projeto de desenvolvimento para o estado, aprofundaram ainda mais nossa dependência da mineração predatória e do agronegócio, que geram poucos empregos e baixa arrecadação. O Estado se encontra mais endividado, com piora das contas públicas e deterioração das políticas públicas.

A unidade das nossas elites em torno do projeto ultraneoliberal, representado por Romeu Zema/Mateus Simões, em aliança com grandes mineradoras, o agronegócio e a FIEMG, tem na Operação Rejeito da Polícia Federal o exemplo dessa apropriação do Estado pelo interesse privado.

Por isso, as eleições de 2026 serão fundamentais para que Minas Gerais volte a avançar, com participação popular e dando respostas aos reais problemas do estado.

Minas Gerais pode muito mais

Assistimos a abertura de um novo ciclo tecnológico baseado em minerais que nosso estado possui em abundância, que estão no centro da disputa geopolítica de uma nova ordem multipolar. O Brasil possui a segunda maior reserva de terras raras do mundo, a maior reserva de nióbio do mundo, sendo responsável por 92% das reservas mundiais e a sétima reserva de lítio do mundo e as maiores reservas desses minerais estão em Minas Gerais; além disso, 98% da nossa energia elétrica é de matriz renovável.

Esse enorme potencial tem sido entregue aos interesses internacionais sem contrapartidas ao Estado brasileiro e mineiro, com baixíssima arrecadação e elevados custos sociais e ambientais, exemplo disso são os crimes das mineradoras em Mariana e Brumadinho. Se seguirmos desprovidos de um projeto que oriente o desenvolvimento para o estado de Minas Gerais, como querem os neoliberais, veremos a intensificação da exportação de nossas riquezas sem deixar ganhos e agravando a crise social e ambiental.

Por outro lado, a serviço de um projeto democrático, soberano e popular essas riquezas transformarão a economia e a vida do povo mineiro, com transferência de tecnologia e atração de indústrias de ponta. É com Lula que esse projeto pode avançar no Brasil e em Minas Gerais.

A democracia ainda está em jogo

A disputa eleitoral deste ano também será  decisiva para avançarmos no enfrentamento ao projeto da extrema direita.  No mundo todo, forças antidemocráticas vêm ganhando espaço, aplicando o projeto neoliberal, que aprisiona o Estado aos interesses privados, desmonta políticas públicas e retira direitos.

O Brasil conviveu por  quatro anos com um governo protofascista, que disseminou o ódio e a negação da ciência, esgarçou o tecido social e fragilizou nossa soberania, levando ao aumento da pobreza, da fome, do desemprego, da violência, da destruição ambiental e da crise política.

A defesa da democracia ainda é fundamental e, nesse contexto, Minas Gerais têm centralidade. No estado, temos um governo de  extrema direita, que vive sob forte hegemonia das mineradoras. Assistimos candidaturas da direita e extrema direita que buscam dar continuidade a uma hegemonia reacionária na gestão estadual.

Vencer as eleições  será decisivo para a correlação de forças em Minas Gerais, enfrentando a extrema-direita e a direita neoliberal, e para a afirmação de um projeto que defenda a democracia, que avance no combate às desigualdades sociais, de gênero e raça, no enfrentamento ao feminicídio, na socialização do trabalho doméstico, na luta pela efetivação das pautas LGBTQIA+ e na proteção ao meio ambiente.

Para derrotar a extrema direita em Minas e no Brasil, precisamos que o principal jogador do time de Lula entre em cena: o povo organizado. Por isso, desde já, iniciaremos a mobilização popular em cada canto de nosso estado. Seja parte desse processo, ajudando a:

  1. Organizar coordenação regional: muitos companheiros e companheiras das cidades não puderam participar presencialmente do Encontro das Esquerdas com Lula pelas Minas e pelos Gerais, mas eles também precisam ser parte do processo. Organize uma plenária regional, para socializar os debates que foram feitos no encontro estadual com a militância das cidades e planejar as próximas ações no território.
  2. Animar apoiadores na cidade: identifique potenciais apoiadores de Lula em sua cidade. Faça uma lista com lideranças populares, militantes de movimentos sociais, sindicatos, partidos de esquerda, coletivos culturais, setores progressistas da igreja, trabalhadores, vereadores de esquerda, amigos, colegas, familiares, que você acredita que podem construir a campanha. Converse com essas pessoas e faça o convite para que elas se somem desde já na nossa construção coletiva.
  3. Organizar um comitê popular: além de identificar e mobilizar apoiadores, o período da pré-campanha é essencial para conformarmos o grupo que irá coordenar a nossa campanha e atuação também em cada município. Identifique aqueles que podem ajudar a coordenar a campanha na cidade, e forme um comitê. O mais importante é que sejam pessoas dispostas, convencidas do nosso projeto e que ajudem a conquistarmos ainda mais apoiadores.
  4. Colocar o bloco na rua: após reunir um grupo de apoiadores e constituir o comitê local de campanha, é hora de colocar o bloco na rua. Proponha atividades públicas, como a realização de seminários, participação em atos públicos, debates em universidades,  panfletagens, ações culturais, sextou com Lula, etc. Sugerimos nas principais cidades organizar brigadas de agitação e propaganda para qualificar esse trabalho.
  5. Planejar a campanha: comece desde já a identificar locais de grande movimentação, bairros prioritários, feiras, e espaços em geral onde poderemos dialogar com o povo durante a campanha.
  6. Disputar as redes: nossa luta contra a extrema direita e pela reeleição de Lula se dará nas ruas, mas também precisa acontecer nas redes sociais. Cada militante da pré-campanha e da campanha precisa ser um multiplicador do nosso projeto nas plataformas digitais. 
  7. Encontro estadual dos Comitês: organizarmos um grande encontro estadual de todos comitês da campanha Lula em Minas Gerais.

 Belo Horizonte, 30 de maio de 2026

*Editado por Lays Furtado

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