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Oitavo Congresso do PT: pontos para um balanço

Dizem que a primeira vítima de uma guerra é a verdade. Talvez por isso circulem por aí balanços extraordinários acerca do recém-encerrado 8º Congresso. Do meu lado, prefiro a verdade, mesmo que ela possa ser “dura e desagradável”.

E a “verdade” – do nosso ponto de vista – é que estamos numa situação política muito difícil, em parte devido à ofensiva do imperialismo estadunidense e de seus serviçais da extrema-direita brasileira; em parte devido à orientação equivocada implementada por setores do nosso governo e do nosso Partido. 

O Congresso era necessário exatamente para aprovar uma inflexão em nossa linha, condição para que o Partido estivesse à altura da situação política. Mas isso não ocorreu, entre outros motivos porque, antes mesmo do Congresso começar, quase todo o Diretório Nacional, exceção feita a 3 votos contrários e 1 abstenção, decidiu alterar a pauta do Congresso, jogando para 2027 os debates estratégicos e organizativos. Esta decisão consolidou a transformação doCongresso em um Encontro Nacional para debater tática e diretrizes.

E como a tática já está em curso e o programa será decidido noutra instância, restavam três alternativas: i/ ou o Congresso dava um cavalo-de-pau na linha política, o que a imensa maioria não queria fazer; ii/ ou o Congresso reafirmava de forma consistente a tática adotada até aqui, o que a maioria tentou fazer, mas de forma repleta de inconsistências e contradições; iii/ ou o Congresso servia para “animar a tropa”, o que se tornou muito difícil uma vez que Lula não compareceu.

Passado o Congresso-Encontro, houve gente muito importante dizendo que foi tudo um grande sucesso e outros dizendo que ele não deveria ter sido convocado. Da nossa parte, acreditamos que é melhor termos realizado um Encontro do que não ter realizado nada. 

Registro que fizemos o possível para que o Congresso-Encontro acontecesse de verdade. Participamos das cinco subcomissões, produzimos propostas, realizamos debates, lutamos para incluir nos documentos aprovados pontos fundamentais como a reforma agrária e a reforma da comunicação, que só entraram no Manifesto, aprovado ao final pelo Congresso porque insistimos nisso até o último instante(como se poderá verificar nas fotos da derradeira votação).

A análise das resoluções aprovadas terá que esperar que o Diretório Nacional aprove a consolidação dos textos de “Conjuntura e Tática” e “Diretrizes de programa de governo”. Ambos receberam muitas emendas (quais exatamente, não se sabe, pois a comissão de sistematização não informou o Congresso a respeito).

Desde já destacamos que as resoluções aprovadas reforçaram a necessidade de baixar a taxa de juros, a necessidade de criar uma empresa (Terrabras) para cuidar das terras raras e minerais críticos, a defesa da reestatização da BR Distribuidora, a prioridade para a reforma agrária e para a reforma da comunicação; Destacamos, também, uma importante moção sobre os 10 anos do golpe iniciado em 2016 com o impeachment da companheira Dilma Rousseff.

Foi prometido que em 2027 teremos uma segunda etapa. Sem dúvida precisamos de um verdadeiro Congresso, composto por delegados e delegadas eleitas também em 2027, com a base rediscutindo os desafios do próximo mandato presidencial, o programa e a estratégia democrática-popular e socialista do Partido, as mudanças em nosso funcionamento, os caminhos para reconstruir as relações do PT com a classe trabalhadora, em particular com a juventude trabalhadora.

Entretanto, balanços à parte, nossa tarefa agora é ganhar as eleições 2026, reeleger Lula, eleger as candidaturas do PT aosgovernos estaduais, congresso nacional e assembleias legislativas.Na campanha, precisamos traduzir na prática uma diretriz destacada na mesa de comunicação do Congresso: “nós não somos o sistema, nós nascemos para enfrentar a ordem”. 

Se candidaturas, parlamentares e governantes agirem em coerência com essa diretriz, conseguiremos conquistar o apoio e o voto de quem já nos garantiu a vitória em 5 das 9 eleições presidenciais realizadas desde 1989: a classe trabalhadora. Lembrando que nosso desafio é não apenas vencer, mas vencer em condições de fazer um mandato superior ao atual.