
O governo federal apresentou nesta quarta-feira (29) um balanço das ações de enfrentamento à violência contra as mulheres. O levantamento mostra que a Operação Mulher Segura prendeu 21,7 mil suspeitos de violência de gênero em 2026, sendo 17,2 mil em flagrante e 4,5 mil por cumprimento de mandados judiciais, enquanto o Monitoramento Nacional da Violência contra a Mulher registrou queda de 2,5% nos feminicídios no primeiro semestre, com 741 casos entre janeiro e junho.
Os números foram apresentados durante visita ao Centro Integrado Mulher Segura (CIMS), em Brasília, que recebeu o ministro da Justiça e Segurança Pública, Wellington Lima e Silva, a primeira-dama Janja Lula da Silva, a ministra das Mulheres, Márcia Lopes, além de representantes dos ministérios da Saúde, Educação e Desenvolvimento e Assistência Social. A agenda também marcou a apresentação das ações desenvolvidas pelo centro, inaugurado em março deste ano para integrar inteligência, monitoramento e análise de dados voltados ao enfrentamento da violência contra as mulheres.
Duas etapas concentraram prisões e atendimento às vítimas
Segundo o Ministério da Justiça e Segurança Pública, a Operação Mulher Segura foi realizada em duas etapas. A primeira, entre 19 de fevereiro e 5 de março, resultou em 6.328 prisões, das quais 4.548 em flagrante e 1.780 por cumprimento de mandados. Também foram realizados 38.801 atendimentos a vítimas, 30.388 acompanhamentos de medidas protetivas e mobilizados 40.097 policiais em 2.615 municípios.
Já a segunda fase, realizada entre 1º de junho e 27 de julho, concentrou 15.428 prisões, sendo 12.718 em flagrante e 2.710 por mandados judiciais. Nesse período, foram registrados 578.580 atendimentos a vítimas, 29.112 acompanhamentos de medidas protetivas e a atuação de 58.596 agentes de segurança em 4.379 municípios. Ao todo, as duas etapas promoveram mais de 14,5 mil campanhas de conscientização.
Queda nos feminicídios
Durante a visita ao CIMS, o governo também apresentou os dados mais recentes do Monitoramento Nacional da Violência contra a Mulher, elaborado pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública em parceria com o Ministério das Mulheres, a partir das informações do Sistema Nacional de Informações de Segurança Pública (Sinesp).
De acordo com o levantamento, o Brasil registrou 741 feminicídios entre janeiro e junho de 2026, frente a 760 casos no mesmo período do ano anterior. A redução de 19 ocorrências representa uma queda de 2,5%. Junho registrou o menor número de feminicídios do semestre, com 108 casos.
O monitoramento também apontou redução entre o primeiro e o segundo trimestre deste ano. Entre abril e junho foram registrados 59 feminicídios a menos em comparação com os três primeiros meses de 2026.
Integração de políticas
Durante a apresentação, o ministro da Justiça e Segurança Pública, Wellington Lima e Silva, afirmou que a integração entre os diferentes órgãos é um dos pilares da estratégia nacional de enfrentamento à violência contra as mulheres.
“A integração dos dados significa enfrentar uma questão fundamental, que é a subnotificação. Temos um conjunto de problemas identificados e estamos adotando as medidas necessárias. As prisões e as medidas protetivas adotadas no mesmo dia, por exemplo, possibilitaram essa redução de 2,5% nos casos de feminicídio.”
A primeira-dama Janja Lula da Silva destacou que o enfrentamento à violência contra as mulheres exige articulação entre diferentes áreas das políticas públicas.
“Nós sabemos que os órgãos de segurança são as principais portas de entrada para os casos de violência. Mas há outras, como a saúde, os centros de referência e as próprias escolas. A ideia é que consigamos, ao longo do tempo, agregar, cada vez mais, os dados para proteger nossas mulheres.”
Janja também afirmou que a redução dos feminicídios deve ser acompanhada da ampliação do debate público sobre a violência de gênero.
“A queda no número de feminicídios indica que estamos no rumo da proteção e da vida das mulheres do Brasil. Além disso, é essencial colocar o combate à violência no centro da discussão. Também é fundamental que os homens falem sobre o assunto.”
Para a ministra das Mulheres, Márcia Lopes, o Centro Integrado Mulher Segura demonstra que o enfrentamento à violência exige atuação permanente e coordenada entre os entes federativos.
“É uma responsabilidade compartilhada entre União, estados, Distrito Federal e municípios, que precisam atuar de maneira coordenada para reduzir as desigualdades regionais no acesso à proteção.”
Centro integra informações e fortalece ações
Inaugurado em março de 2026, o Centro Integrado Mulher Segura reúne ações de inteligência, monitoramento e análise de dados sobre violência de gênero. A estrutura foi criada para consolidar informações produzidas em diferentes órgãos e subsidiar políticas públicas de prevenção, proteção às vítimas e repressão aos crimes contra mulheres.
A apresentação do balanço ocorre na mesma semana em que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva sancionou medidas voltadas ao fortalecimento da proteção às mulheres, como o Pix Pensão, a obrigatoriedade de divulgação dos canais de denúncia de violência e decretos relacionados ao Sistema Integrado Mulher Segura e ao monitoramento eletrônico de agressores. As iniciativas se somam ao Pacto Nacional Brasil contra o Feminicídio e às demais ações implementadas pelo governo para ampliar a prevenção, o atendimento às vítimas e a responsabilização de autores de violência.
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