
O deputado federal Orlando Silva (PCdoB-SP), em artigo publicado na Carta Capital, alerta para a necessidade de a esquerda manter os pés no chão em relação às eleições de 2026. Ao evocar Antônio Gramsci, que cita o romancista francês Romain Rolland, o parlamentar destaca um ensinamento prudente contra o salto alto e a favor das sandálias da humildade: “pessimismo da inteligência, otimismo da vontade”.
Conforme ressalta Silva, especialmente quem está no governo deve estar atento para que não prevaleça um excesso de otimismo diante da realidade de um possível confronto entre o presidente Lula (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL).
“Essa é uma visão míope sobre a batalha real, que será duríssima, o que só ajuda a nos desarmar para o combate. É necessário ter os pés no chão e controlar a emoção”, afirma o deputado.
Segundo Silva, o governo do presidente Lula tem muito o que mostrar:
- crescimento econômico;
- desemprego mais baixo da história;
- isenção do IR para quem recebe até R$ 5 mil;
- combate intransigente em defesa da soberania nacional e contra retrocessos, com apoio das ruas, inclusive diante da PEC da Impunidade e do PL da Dosimetria.
No entanto, entende Orlando que, mesmo com todas essas conquistas, a disputa contra o bolsonarismo será apertada pela divisão política cristalizada no país na última década. Ele observa nos resultados da pesquisa Quaest a prova de que a margem de vantagem para Lula é uma pequena fração: “Não há, portanto, espaço para erros e muito menos para acomodação!”
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Apesar do cenário difícil que se impõe, o deputado do PCdoB enxerga que o presidente Lula está mais consciente e mobilizado do que todos na missão de “desconstruir o bolsonarismo e projetar novas perspectivas que tragam esperança à população.”
Mas parte dessa missão, ressalva, ainda passa pelo combate às fake news da extrema direita, vitaminada pela Inteligência Artificial, bem como pela luta contra a força do poder econômico.
Porém, enfatiza, é fundamental desmascarar, sobretudo, a tentativa do bolsonarismo de naturalizar o fascismo encampado na pré-candidatura de Flávio: “Reparem que ele tem aparecido nas entrevistas e nas próprias redes sociais como o Bolsonaro que come de talher, o Bolsonaro light, para se tornar mais palatável a setores refratários aos arroubos do pai.”
Como avalia, Flávio tem se movimentado sem empecilhos, enquanto a esquerda perde tempo com pegadinhas criadas pela extrema direita. Para combater esse novo mal, classificado como “um risco ainda maior à democracia” do que Jair, Orlando propõe insistir na lembrança de quem realmente é o filho “01” de Bolsonaro:
- vive da política desde 2003, mas tenta se vender com antissistema;
- defende o tarifaço de Donald Trump contra o Brasil;
- defende o período da ditadura militar;
- opositor à agenda dos direitos humanos;
- negacionista e defensor das ações do pai durante a pandemia de covid-19;
- amigo de milicianos, assassinos e torturadores;
- operou em seu gabinete de deputado estadual do Rio um esquema de “rachadinhas”.
Por fim, antes de encerrar, Orlando Silva lembra que a ideia não é desanimar a militância, mas sim alertar sobre a dimensão da luta que se avizinha: “menos oba-oba e mais foco, pé no chão, realismo. Pessimismo da inteligência, otimismo da vontade! Xô salto alto! Esse é o maior inimigo em qualquer eleição.”
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