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PCdoB denuncia ingerência dos EUA e alerta para ameaça militar ao Irã

Os Estados Unidos atuam de forma oportunista e perigosa ao promover ingerência externa no Irã, com ameaças militares, apoio a grupos desestabilizadores e manutenção de sanções econômicas que aprofundam a crise no país. A avaliação é de Ana Prestes, secretária de Relações Internacionais do PCdoB, ao comentar a recente escalada de tensões envolvendo Washington e Teerã.

“Os Estados Unidos estão atuando de uma forma absolutamente oportunista e interessada no sentido de promover um movimento de ingerência externa sobre o Irã com ameaças militares, com fornecimento de armas e equipamentos para grupos que têm como intenção desestabilizar a situação interna do Irã e o mais grave são as ameaças de ataque militar”, afirmou ao Portal Vermelho. Segundo Ana, o cenário se torna ainda mais preocupante diante do histórico recente de ações diretas dos EUA contra o país persa. “A gente já teve em 2025 um ataque às instalações de enriquecimento de urânio do Irã e agora eles fazem ameaças de um novo ataque militar que ninguém sabe exatamente como é, como vai ser.”

A dirigente do PCdoB lembrou que a política norte-americana em relação ao Irã não é recente e inclui assassinatos e apoio a ações militares de aliados estratégicos no Oriente Médio. “Os Estados Unidos têm um histórico de ataque ao Irã também com líderes iranianos, como Qasem Soleimani em 2020 e apoio também a Israel na execução de líderes da guarda revolucionária do Irã”, destacou. Para ela, os argumentos utilizados por Washington não se sustentam. “Os Estados Unidos estão mirando seus próprios interesses, não tão preocupados com democracia ou com melhora da economia, nem mesmo com direitos das mulheres no Irã, como eles alegam.”

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Na avaliação de Ana Prestes, o discurso em defesa da democracia serve, na prática, para justificar o bloqueio econômico e o cerco internacional. “Eles usam todos esses argumentos para manter as sanções econômicas, o embargo econômico que eles têm sobre o Irã e agora uma ameaça militar concreta”, disse.

Sobre a decisão do governo iraniano de levar o caso à Organização das Nações Unidas (ONU), Ana considera o movimento natural, mas faz uma leitura crítica sobre a capacidade de resposta do organismo internacional. “O Irã, ele levou a questão para a ONU e é natural, mas hoje está muito desacreditada a comunidade internacional de como a ONU possa reagir a esse tipo de situação, principalmente depois de todo o genocídio em Gaza, que a ONU pouco fez, pouco conseguiu fazer para interromper.”

A secretária de Relações Internacionais do PCdoB também relacionou a situação do Irã com a experiência histórica da América Latina frente à política externa dos Estados Unidos. Para ela, o caminho possível passa pela solidariedade entre os povos. “Sobre a América Latina e o que pode ser feito é solidariedade com o povo iraniano”, afirmou, lembrando que Teerã já demonstrou apoio a países da região. “O governo do Irã é um dos governos que mais apoiou no último período, quando estava em grande dificuldade, por exemplo, a Venezuela.”

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Segundo Ana, essa identificação se dá a partir de uma leitura comum sobre o imperialismo. “Existe um grande sentimento de solidariedade no sentido de serem alvos dos Estados Unidos, como nós, na América Latina, também temos sido alvos dos Estados Unidos, uma solidariedade anti-imperialista.” Ela ressalta, no entanto, que essa posição não significa concordância automática com a política interna iraniana. “É claro que a solidariedade anti-imperialista não implica necessariamente apoio a questões internas do Irã, que muita gente discorda.”

Para Ana Prestes, o ponto central é o reconhecimento de que o país sofre ataques externos sistemáticos. “Muita gente concorda que é um país que está sendo atacado e que tem uma economia fragilizada justamente pelos bloqueios e sanções dos Estados Unidos. Então, aí a gente se identifica bastante”, concluiu.

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