
A Polícia Federal deflagrou nesta sexta-feira (14) a segunda fase da Operação Sem Refino, cumprindo 16 mandados de busca e apreensão no estado do Rio de Janeiro. Entre os principais alvos da investigação está novamente o ex-governador e bolsonarista Cláudio Castro (PL).
A ofensiva, autorizada pelo Supremo Tribunal Federal, aprofunda as apurações sobre fraudes na concessão de licenças ambientais para a refinaria Refit, antiga Manguinhos, além de crimes de lavagem de capitais ligados a um conglomerado do setor de combustíveis apontado pelas autoridades como um dos maiores sonegadores de impostos do país. A ação se insere no contexto mais amplo da ADPF 635/RJ, conhecida como a ADPF das Favelas, que determina investigações rigorosas sobre a atuação de organizações criminosas e suas ramificações e conexões com agentes públicos no estado fluminense.
A nota oficial divulgada pela Polícia Federal reforça o teor da investigação ao detalhar que a operação busca apurar crimes de gestão fraudulenta e temerária, lavagem de capitais, sonegação fiscal, evasão de divisas, manipulação de mercado e infrações contra a ordem econômica. Os mandados cumpridos por policiais federais no Rio de Janeiro buscam desarticular o esquema que operava à revelia das diretrizes dos órgãos técnicos competentes, concedendo vantagens indevidas e licenças ambientais irregulares para beneficiar interesses privados em detrimento do erário público.
Leia Mais: PF faz operação e associa Cláudio Castro à fraude de R$ 52 bilhões de Ricardo Magro
Em maio deste ano, a primeira fase da mesma operação já havia mobilizado a corporação com o cumprimento de 17 mandados de busca e apreensão, o bloqueio estimado em cerca de R$ 52 bilhões em ativos e a determinação de suspensão das atividades das empresas investigadas. Naquela ocasião, Cláudio Castro também figurou como alvo central. As evidências colhidas apontam que, sob a administração do ex-governador, órgãos fundamentais do estado, como a Secretaria de Fazenda, a Secretaria de Meio Ambiente e a Procuradoria-Geral do Estado, teriam sido instrumentalizados para atender aos interesses do conglomerado de Ricardo Magro, dono da refinaria.
A refinaria é tratada com rigor pelos órgãos de controle por acumular um histórico de devedora contumaz, com suspeitas de sonegação fiscal bilionária, ocultação patrimonial, dissimulação de bens e evasão de divisas para o exterior. A nova fase da operação consolida o cerco jurídico e técnico sobre essas irregularidades, jogando luz sobre a facilitação de licenças ambientais emitidas sem o respaldo de pareceres técnicos legítimos e sobre a circulação de recursos ilícitos decorrentes do esquema de combustíveis.
Por sua vez, a defesa de Cláudio Castro tem negado a existência de irregularidades, argumentando que o endereço alvo situado em Petrópolis não possui vínculo com o ex-governador há vários meses e pontuando que sua gestão teria sido a única a efetivar cobranças e acordos de pagamento da refinaria ao estado, com valores estimados em cerca de R$ 1 bilhão. Contudo, os argumentos apresentados não atenuam a gravidade política e jurídica de ver novamente um chefe do Executivo fluminense diretamente alcançado por investigações que escancaram a captura do aparato público por grupos econômicos privados.
O desdobramento da Operação Sem Refino evidencia um padrão recorrente na dinâmica política do Rio de Janeiro, onde o uso da máquina estatal serve para blindar grandes sonegadores e corporações em troca de vantagens, enquanto o prejuízo recresce sobre os cofres públicos e penaliza a sociedade.
O post PF aprofunda Operação Sem Refino e volta a mirar Cláudio Castro apareceu primeiro em Vermelho.