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Polícia militar de Tarcísio assassina trabalhadora na Zona Leste de SP

POLICIA MILITAR SP. SEM REMORSO. Polícia mata com a certeza da impunidade. Foto: Reprodução.

Na madrugada de 3 de abril, Thawanna da Silva Salamázio, mãe de cinco filhos, foi assassinada pela Polícia Militar em Cidade Tiradentes (SP), após denunciar a violência de uma abordagem contra seu marido

Nathalia Vergara | São Paulo (SP)


BRASIL – Na madrugada do dia 3 de abril, Thawanna da Silva Salamázio, 31 anos, ajudante-geral, mãe de cinco filhos com idades entre 5 e 13 anos, foi brutalmente assassinada pela Polícia Militar do Estado de São Paulo após questionar uma abordagem violenta realizada a seu marido, que sofria insultos por parte dos policiais militares.

Segundo Vinicius Santos, um trabalhador que presenciou o caso, “um dos policiais foi oprimir o marido dela, jogando spray de pimenta, onde ele já retirou a camisa falando que era trabalhador. Nisso, a Thawana foi abordada pela polícia com ofensas pessoais. A policial a agrediu nas partes íntimas e deu um tapa no seu rosto, que a fez perder o equilíbrio”. Ainda de acordo com a testemunha, a policial atirou logo depois. “Agora eles têm que nos oprimir e não podemos nem reclamar? Isso tá errado!”, afirmou.

Após o disparo, Thawanna permaneceu 40 minutos no chão, impedida de receber socorro devido a um bloqueio formado por cerca de 20 policiais. Quem tentava chegar próximo a seu corpo recebeu spray de pimenta e ameaças.

A morte da mulher Thawanna gerou forte comoção entre os moradores, que reagiram queimando pneus e bloqueando a rua onde ocorreu o assassinato. Movimentos sociais e a Associação de Moradores da Cidade Tiradentes, na Zona Leste de São Paulo, realizaram atos exigindo justiça.

Moradores denunciam violência policial

“Nós sabemos que o preconceito está escancarado para todos. A polícia finge que não, mas as atitudes comprovam. É sempre o povo preto que é abordado, que é seguido em shopping. Nós sofremos de geração em geração e agora a população que mora na periferia sofre com isso também”, comentou um morador da região presente no ato.

Segundo relatório produzido pela Rede de Observatórios da Segurança, as pessoas negras representam a maior parte das vítimas da letalidade policial. Em 2025, 66% dos 812 mortos por policiais em São Paulo eram negros.

Outra moradora protestou: “Queremos mais respeito! A Cidade Tiradentes é composta por trabalhadores, pais de família. Não podemos ficar calados com o que aconteceu. Crianças presenciaram a abordagem e a mulher não esboçava nenhum tipo de perigo”.

Além dos depoimentos das testemunhas, a câmera corporal de um dos policiais comprova as contradições dos atos e argumentos da policial assassina. Além de Thawanna não ter feito nada que justificasse o uso da arma, o resgate, que ficava a 6 minutos do local, demorou para ser acionado.

A manifestação contra o assassinato da trabalhadora sofreu forte repressão policial, com a presença de viaturas e helicóptero. Manifestantes foram abordados e ameaçados pela PM, que recolheu documentos dos presentes. Também foram registrados disparos de armas de efeito moral em direção aos moradores e às casas do bairro, com o objetivo de intimidar a população.

“Mesmo com toda repressão, o povo saiu pelas ruas pedindo por justiça, gritando palavras de ordem contra a violência policial. Muitas pessoas que estavam na calçada, dentro dos estabelecimentos e das casas, saíram para nos apoiar”, relatou Priscila Santos, da Frente Negra Revolucionária (FNR).

Após a pressão dos trabalhadores que moram na região e da repercussão do protesto, a policial responsável pelo assassinato de Thawanna, uma estagiária da corporação, foi afastada do cargo. Apesar disso, os 20 policiais que fizeram o cordão impedindo o socorro à vítima permanecem impunes. “Os moradores do bairro já viram amigos morrerem. Nós já vimos vítimas do nosso lado e presenciamos pessoas tomando tiro e diversas situações de violência contra a população periférica. Inclusive, os policiais são os primeiros que nos apontam como criminosos. Isso é uma comunidade, só queremos paz. Está na hora da periferia ter voz”, reclama um dos manifestantes.

Mortes causadas por violência policial não são casos isolados. Entre 2023 e 2024, São Paulo registrou um aumento de 59,2% nas mortes decorrentes de intervenção policial, sob a gestão de Tarcísio de Freitas (Republicanos), ex-ministro do fascista Jair Bolsonaro, e ardente defensor do extermínio do povo pobre das periferias.  

Matéria publicada na edição impressa nº332 do jornal A Verdade