
Após 38 anos de mobilização da classe trabalhadora brasileira e o crescimento de 14% das greves em 2025, deputados federais aprovam emenda na Constituição pelo fim da escala 6×1 e reduzir a jornada de trabalho.
Felipe Annunziata | Redação
BRASIL – Diante da crescente pressão popular, com manifestações em shoppings, supermercados, greves nas fábricas e manifestações de rua, a Câmara dos Deputados aprovou, nesta quarta (27/05), a PEC 8/2025 que decreta o fim da escala 6×1 e a redução da jornada de trabalho para 40 horas semanais.
Nos últimos meses, a pressão dos trabalhadores cresceu e a pauta da redução da jornada para 36 horas semanais se ampliou fortemente, o que levou os setores do Centrão a buscarem algum acordo com a social-democracia no Congresso e os chefes dos sindicatos patronais.
No início desta semana, o governo federal e o chefe do Centrão e presidente da Câmara Hugo Motta (Republicanos-PB) apresentaram um acordo em que se aprovaria o fim a escala 6×1 60 dias após a promulgação da PEC e a redução gradual da jornada semanal de trabalho durante 14 meses, sendo 42 horas já em 2026 e 40 horas em 2027.
Fascistas tentaram tumultuar aprovação
Durante toda a tramitação da PEC na Câmara, os deputados fascistas tentaram barrar o fim da escala 6×1 apresentando propostas para aumentar a jornada de trabalho para 52 horas semanais, depois tentaram aprovar que houvesse uma transição de 10 anos para se alcançar as 44 horas semanais.
Aliados com os lobistas ligados aos patrões, os fascistas falharam na sua tentativa. Nas ruas o aumento da pressão popular, refletindo inclusive no processo eleitoral, com a queda dos candidatos fascistas e de direita em pesquisas, obrigou o Centrão a recuar em aceitar alguma das propostas dos fascistas.
Mídia burguesa tentou de tudo para impedir a PEC
Na mídia burguesa, os editoriais desesperados também tentaram a todo momento. Na manhã de hoje o jornal “O Globo”, anunciou em tom dramático um editorial chamado “PEC que extingue escala 6×1 criará novos problemas”.
Em mais um sincericídio, o próprio jornal foi obrigado a reconhecer que são os trabalhadores, e não os patrões, quem cria riqueza neste país. “Em qualquer economia, a riqueza produzida resulta do número de horas trabalhadas multiplicado pela produtividade.”, afirma um dos principais jornais da burguesia.
Pois são os agentes dessas “horas trabalhadas” quem estão sofrendo de doenças e tendo uma qualidade de vida horrivel porque são obrigados a entregar a maior parte da sua semana para um patrão.
Pressão tem que continuar sobre o Senado
Agora a aprovação não termina na Câmara. O Senado Federal também precisa aprovar o texto e lá a pressão dos lobistas ligados aos patrões, aliados com os fascistas e o presidente da Casa, Senador Davi Alcolumbro (União-AC), continua forte.
É preciso ampliar o número de greves no país e construir grandes mobilizações. A classe trabalhadora brasileira mais uma vez mostrou que pode vencer mesmo com um Congresso lotado de fascistas e corruptos.
A luta pelas 36 horas semanais precisa continuar, pois é esta a jornada que faz sentido com a realidade atual da classe trabalhadora. Além disso, reduzir a jornada não é suficiente, hoje o povo sofre com a falta de um salário digno e com o superendividamento. Os baixos salários e a extenuante jornada de trabalho é o que faz com que os patrões ricos continuem ainda mais ricos.
Por isso, tem ganhado cada vez mais apoio popular as propostas socialistas do programa da Unidade Popular pelo Socialismo, através da pré-candidatura de Samara Martins a presidente que prevê, por exemplo, o aumento imediato de 100% no salário mínimo, para começar a dar uma vida digna para viver.
A luta pela redução da jornada não é apenas para ter mais tempo para viver, a classe trabalhadora merece viver com dignidade e com isso, precisamos de redução de jornada e aumento do salário já.